'Sob Pressão' retrata a rotina de médicos que trabalham em condições precárias

'Eles enfrentam uma guerra diária', diz diretor do filme, Andrucha Waddington

Por O Dia

Rio - O novo filme do diretor Andrucha Waddington, ‘Sob Pressão’, que entra em cartaz nos cinemas hoje, retrata uma rotina real e desafiadora no país: o tenso dia a dia dos médicos que trabalham no sistema público de saúde. E O DIA dará 25 pares de ingressos aos leitores para assistir ao longa (veja a promoção na página ao lado). “É um filme de ação, que se passa 24 horas dentro de um hospital”, define Andrucha.

Cena do filme 'Sob Pressão'Divulgação

O filme é inspirado no livro homônimo do médico carioca Marcio Maranhão e conta a história de Evandro, personagem de Júlio Andrade, um cirurgião totalmente focado no seu trabalho dentro de um hospital público da cidade, que tem ainda em sua equipe outros dois cirurgiões: o amigo Paulo, interpretado por Ícaro Silva, e a médica novata Carolina, vivida pela atriz Marjorie Estiano.

A trama se desenrola a partir de uma questão que surge no fim de um dos plantões de Evandro. Na emergência, o médico recebe três pacientes graves: um bandido, um policial e uma criança. Ele, então, vive o seguinte dilema: quem salvar primeiro, dentro das condições em que trabalha?

Andrucha Waddington esclarece que o projeto nasceu há oito anos e que, a princípio, foi pensado como uma série. “Há dois anos, resgatei um dos episódios e decidimos transformar em filme. Filmamos no ano passado. É um assunto importante e muito presente, a questão da saúde pública.”

O diretor afirma a importância de dar visibilidade ao tema e evidenciar as condições em que trabalham os profissionais da área da saúde. “Eles enfrentam uma guerra diária. Acho que, dentro da situação, os médicos nos hospitais sucateados lutam com tudo o que podem, com todos os artifícios, para salvar vidas. Isso passa a ser uma missão quase heroica”, opina Andrucha, que lembra a forte tensão emocional que cerca a rotina desses profissionais: “O filme é narrado através do ponto de vista dos médicos. Nós não temos essa visão. Eles têm que fazer escolhas o tempo todo, que envolvem ética. São situações de gravidade distintas. Tudo no meio de uma montanha russa de emoções e acontecimentos”.

O longa, segundo o diretor, foi exibido para médicos e estudantes de medicina. “Me tocou a identificação dessa plateia com o filme. Quando você mexe na seara de alguém e ele se sente representado, quer dizer que você deu dignidade ao assunto”, diz Andrucha.

‘Sob Pressão’ foi inteiramente rodado em uma área desativada do hospital Santa Casa de Misericórdia, em Cascadura, Zona Norte do Rio. “Optamos por filmar lá dentro para dar o máximo de realismo possível. Foi interessante estar num hospital de verdade. Tinha uma história naquele lugar, isso muda tudo. A constatação da saúde pública no Brasil, no estado do Rio, deprime, mas motiva a falar. Não podemos jogar para debaixo do pano. Precisamos cobrar soluções”, garante o diretor.

Também estão no elenco Andréa Beltrão, Stepan Nercessian, Thelmo Fernandes e Álamo Facó. Os atores fizeram laboratório nos hospitais Alberto Torres e Salgado Filho. Júlio Andrade, o protagonista Evandro, foi premiado no Festival do Rio como melhor ator. O festival também premiou o coadjuvante Stepan Nercessian.

Com vasta experiência cinematográfica, Júlio Andrade, que está em cartaz com ‘Elis’, de Hugo Prata, confessa que foi difícil dar vida ao cirurgião: “Foi um dos filmes mais difíceis que fiz. A coisa técnica, estar num hospital 20% ativado,se degradando, é um assunto pesado”.

O ator ressalta que nunca teve intimidade com o ambiente hospitalar, nem como paciente. “É uma realidade distante de mim, por isso foi tão importante a direção do Andrucha, a assistência do Dr. Marcio Maranhão. Estivemos em emergências, vimos o olhar dos cirurgiões. A rotina deles é dura”, conta Júlio, cujo personagem é cheio de falhas, mas tem compromisso ético.

Marjorie Estiano, a médica Carolina, divide a mesma admiração de Júlio pelos profissionais. “Nesse filme, o protagonista absoluto é a saúde pública. É uma denúncia, dessas que a gente assiste diariamente nos jornais. A profissão de médico tem mote humanitário. Vemos esses profissionais se desdobrando para tentar existir, se exercer, completamente desautorizados. Nessa situação, acho surpreendente que ainda existam pessoas que desejem ser médicos, professores. Profissões tão importantes e tão desvalorizadas”, desabafa a atriz.

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