Lili Rodriguez: Superando barreiras

Neste dia da Consciência Negra, a coluna homenageia e conversa com a atriz e cantora Zezé Motta

Por O Dia

Sentido horário%3A Norton Nascimento (alto)%2C Zezé%2C Lui Mendes%2C Camila Pitanga%2C Isabel Fillardis e Antonio Pitanga%2C quando faziam uma família na novela ‘A Próxima Vítima’Reprodução Internet

Rio - A personagem de hoje é de Campos, mas se considera carioca de coração. Mudou-se para a Cidade Maravilhosa com dois anos. E no Rio, como pupila de Maria Clara Machado, começou a trilhar uma carreira de sucesso. Neste dia da Consciência Negra, a coluna homenageia e conversa com a atriz e cantora Zezé Motta.

LILI: Zezé, como iniciou a carreira?
ZEZÉ: Na época de escola, eu estava sempre me exibindo nas datas históricas, lendo poemas ou cantando uma música. Quando eu terminei o ginásio, ganhei uma bolsa para o curso do Tablado, numa época em que a própria Maria Clara Machado dava aulas. Foi uma experiência fantástica. Assim que saí do Tablado, entrei em um musical chamado ‘Roda Viva’.

Teus pais te apoiaram na escolha pelas artes?
Meu pai foi contra. Ele tinha medo de que não desse certo. Depois, ele acabou cedendo, mas exigiu que eu tivesse um outro diploma. Então, me formei em contabilidade. No dia em que eu deveria buscar meu diploma de contadora, tinha um ensaio marcado. Nem fui buscá-lo! Eu costumo dizer que, hoje em dia, eu só sei contar história mesmo, porque de contabilidade eu não sei mais nada (risos).

Como você vê o papel do negro hoje nas artes?
Fazer arte no Brasil é difícil para todo mundo, mas para o ator negro é mais complicado ainda. Hoje, está havendo uma abertura maior. Mas ainda falta muito espaço na mídia para o ator negro. Não posso dizer que eu não tive sorte, porque manter uma carreira artística é mais difícil do que começar.

Você já viveu casos de preconceito?
Eu já tive um piloto de um comercial recusado pelo contratante dizendo que a clientela deles era de classe média e que não aceitaria a sugestão de uma negra. Nunca soube quem foi o contratante. Os negros não podiam entrar pela porta da frente dos prédios. Éramos barrados.

E o que você aconselha para as vítimas de preconceito?
Com relação a quem sofreu com preconceito no Brasil, isso é um absurdo num país tão miscigenado. A pessoa não tem que sofrer com isso, tem que combater e denunciar. Empenhar-se para que um dia não tenha mais racismo. E ainda temos muita luta para combatê-lo no Brasil.

Quais os momentos mais importantes de sua carreira?
Um deles foi quando passei no teste para fazer ‘Xica da Silva’ e o outro foi quando ganhei o primeiro prêmio Xica da Silva. Destacaria também os momentos em que estive apaixonada. Ai, como é bom, né?! Estou com saudades de me apaixonar!

Quais as suas novidades?
Acabei de gravar um CD, ‘O Samba Mandou Me Chamar’, um sonho que estava na gaveta há anos. Vou realizar esse sonho em 2017! Também estarei na primeira produção brasileira da Netflix, o seriado ‘3%’, que estreia dia 25. E, por fim, vou participar de uma novela de Portugal, ‘Ouro Verde’, que terá cenas gravadas em Lisboa e em Vassouras (RJ). Um beijo? Para Zumbi dos Palmares! 

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