Filme sobre Elis Regina estreia hoje com Andréia Horta no papel da 'Pimentinha'

Andréia Horta teve aulas de canto para soltar a voz no longa ‘Elis’ e destaca que um momento emocionante foi sua interpretação de ‘O Bêbado e a Equilibrista’

Por O Dia

Rio - Hoje estreia em circuito nacional um dos longas mais aguardados do ano, ‘Elis’, primeira direção de Hugo Prata. A cinebiografia conta a trajetória daquela que é considerada a maior voz do Brasil, desde a sua chegada ao Rio vinda de Porto Alegre, em 1964, até sua morte precoce, aos 36 anos, em 1982. A atriz Andréia Horta encara o desafio de viver a ‘Pimentinha’, apelido da cantora.

Andréia Horta como Elis Regina em filmeDivulgação

“Sempre fui fã da Elis. Li a biografia dela, foi uma cabeçada! Fiquei completamente apaixonada e já comecei a desejar fazê-la um dia”, conta Andréia, premiada no 44º Festival de Gramado como melhor atriz pelo papel. O filme levou mais dois prêmios: melhor filme pelo júri popular e melhor montagem para Tiago Feliciano.
O diretor Hugo Prata seleciona recortes relevantes da carreira e vida pessoal da cantora, como a chegada ao Rio no dia do golpe de 1964, e o primeiro encontro com Luiz Carlos Miéle, vivido pelo ator Lucio Mauro Filho, e Ronaldo Bôscoli (Gustavo Machado), seu primeiro marido.

“A história da Elis precisava ser contada. Ela reúne todas as características de um bom personagem. É forte, controversa, apaixonada, brava, profunda, polêmica e, além de tudo, uma artista excepcional. Colocava muita paixão em tudo sempre”, diz Prata, que admite que sentiu a responsabilidade de retratar o ‘furacão’ da MPB. “Foi tudo muito difícil pela responsabilidade de traduzir essa mulher tão complexa, grande e forte. A Andréia trabalhou o tempo todo no limite da emoção, assim como a Elis. Tentamos levar isso para a tela em todas as cenas. E acho que conseguimos”.

Para o diretor, foi um privilégio contar a história de Elis logo no seu primeiro filme. “Sou imensamente grato por isso. A Elis transformou a vida de muitos artistas, e agora transformou a minha também. Acho que minha assinatura nesse filme é a emoção à flor da pele”.

O filme começa rasgando a tela com Andréia Horta interpretando a canção ‘Como Nossos Pais’ na pele da cantora. De cara, já é possível perceber a entrega absoluta da atriz à composição.

“Foi um trabalho intenso. Cantei junto com ela, e aí você tem que respirar junto. Em se tratando de Elis, isso não foi uma tarefa fácil. Uma das maiores intérpretes que o país já teve. A cada palavra, cada frase, o que levaria isso para o público era eu, meu corpo, a veia saltando. Fizemos um filme justamente porque ela canta como ela canta”, conta a atriz, que teve aulas de canto e diz que o trabalho foi permeado de muita emoção.

Mas Andréia destaca um momento do longa como inesquecível. “Quando cantei ‘O Bêbado e a Equilibrista’, foi bem forte. Eu queria estar dizendo aquelas coisas. Muitas coisas que eu dizia ali, daquela época, estão acontecendo hoje. Fala dos artistas naquele momento: ‘A esperança equilibrista’”, diz.

A pesquisa e o estudo só fizeram a atriz constatar de perto o que já sabia. “Elis foi única. Tinha preocupação e plena consciência da obra que estava deixando. Ela queria que fosse assim, e foi”.

O ator Júlio Andrade também mergulhou na preparação para dar vida ao coreógrafo Lennie Dale, um dos melhores amigos de Elis e o responsável pela construção física da sua performance no palco. “A importância do Lennie para a carreira da Elis é que ele a fez se soltar. A coisa de abrir os braços é muito dele, e ele deu para ela. No âmbito pessoal, deu suporte. Ela estava chegando ao Rio, não conhecia ninguém. Ele fez a Elis abrir os braços e voar”, diz Júlio, que no filme está irreconhecível na pele do coreógrafo.

O ator conta que ele e Andréia também são amigos de longa data. “A Andréia é minha irmã de alma. Falávamos do projeto. Esse reencontro de trabalho no filme e com esses personagens foi incrível. Nossa amizade foi fundamental”. O ator levou duas semanas para se preparar. “Fiz um trabalho intenso com a bailarina Lu Brittes. Queria uma mulher porque o Lennie tinha esse feminino na dança. Dançarinos são diferentes, ficam na postura o tempo todo”, conta.

A obra, que será distribuída em 244 cópias, fala da intérprete que marcou a história da música popular brasileira, da mulher de emoções arrebatadoras e da mãe amorosa. João Marcelo Bôscoli, filho da cantora com o jornalista e produtor musical Ronaldo Bôscoli, diz que ele e os irmãos não impuseram condições em relação ao roteiro. “Elis e censura não combinam. Nós queremos que as pessoas façam projetos sobre ela”, admite João, que conferiu o filme em primeira mão. “Vale a pena ser visto. Desperta boas questões sobre o Brasil, a distância do que fomos para o que somos hoje e tudo que ainda podemos crescer. A dedicação dos atores é impressionante. A abertura do filme me arrepiou. A voz da Elis é a primeira coisa. Chorei”.

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