Por thiago.antunes

Rio - E mixtape, é rádio? Para a turma do Aperta O Play, é sim. O trio Alexandre Okubo, Eduardo Ferreira e Danilo Soares resgata o antigo hábito de gravar fitinhas cassette (as mixtapes, enfim), só que desta vez com arquivos de MP3 repletos de músicas. O resultado você confere no site apertaoplay.com.br.

Boa parte das mixtapes do site é dedicada ao rock. Volta e meia surgem especiais de bandas australianas. No finzinho de 2016, saiu um especial só com bandas como Bon Jovi, Raimundos e Jethro Tull tocando músicas de Natal. Para Okubo, que tem 43 anos, é um grande reencontro com o formato que o ensinou a gostar de música.

“Como eu não tinha grana para comprar discos, gravava músicas das coleções dos amigos em fita cassette”, lembra. “Rolava de tudo um pouco nas minhas fitas: punk, hardcore, pós-punk, gótico, guitar bands, world music, synthpop. Ouvia música gravando e frequentando lojas de discos”, recorda Alexandre, que trabalha com Danilo e Eduardo numa empresa de tecnologia.

O trio do Aperta O Play%3A Okubo (E)%2C Danilo e Eduardo preferem músicas alinhadas com o rock como estiloDivulgação

Apesar das mixtapes serem realmente voltadas para o rock, não há radicalismos. “O estilo precisa estar envolvido. Mas já colocamos em uma mixtape a Lana Del Rey tocando uma versão de ‘Heart shaped box’, do Nirvana, que eu acho fantástica. Já publicamos um mixtape com a Fergie tocando uma versão de ‘Barracuda’ (Heart) que eu acho animal. Essas duas situações causaram um pouco de desconforto com ouvintes mais radicais”, lembra.

E sobre a pergunta lá do começo do texto, Okubo complementa dizendo que há semelhanças entre o trabalho deles fazendo mixtapes e as funções de quem faz a programação musical de uma rádio. “Nossos alvos são pessoas que querem ficar fora da sua ‘zona de conforto’. São 60 minutos de músicas escolhidos por uma pessoa que não possui os mesmos gostos musicais que você. Isso acontece quando ouvimos rádio”, diz.

O que começou como uma brincadeira para recordar os tempos das fitas cassette (e, claro, o site e a página do Facebook do Aperta o Play são ilustrados com uma fitinha) acabou virando uma oportunidade não apenas para pessoas descobirem novos sons, como também para bandas novas se divulgarem.

“Esse ano queremos aumentar o contato com artistas e selos independentes. Vamos reformular o nosso site e se tudo der certo, no segundo semestre de 2017 teremos um app para iOS e Android”, diz Okubo.

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