Viúva de Hector Babenco, Bárbara Paz pretende fazer um filme sobre o cineasta

'Vou fazer um filme lindo dele, da sua história e de todo caminhar até aqui', diz a atriz

Por O Dia

Rio - Escritora, poeta, andarilha, fotógrafa e também atriz. Bárbara Paz é do tipo de pessoa que gosta de ser provocada, instigada, sair do lugar comum e ser desafiada. Ela gosta do que aguça o olhar, o tato e a provoca arrepios e calafrios ao mesmo tempo. “Não teria como não escapar das palavras e das imagens. Tantas coisas que nossa estrada nos permite”, defende Bárbara Paz, a Stella, de ‘Malhação’, da Globo.

Bárbara PazDivulgação

Como acontece com toda intérprete, se lhe é oferecido um personagem difícil, ele se torna irrecusável. E foi o que aconteceu quando ela recebeu um convite no meio das suas férias para voltar a trabalhar. Quando soube que interpretaria uma mulher preconceituosa, controladora e racista, a atriz não pensou duas vezes e se entregou ao papel.

“Não tenho nada da Stella. Claro que é difícil viver uma personagem egocêntrica, fútil, preconceituosa, porque o público pode confundir muito você com a personagem. Como eles confundem muitas vezes, mas ao mesmo tempo essas pessoas existem, são reais, então essa pessoa tem que ser retratada”, conta.

MULTIFACETADA
Bárbara confessa que não consegue parar. Gosta de criar, inventar histórias de filmes que ainda quer dirigir. “Nas horas vagas, gosto de estar dentro de uma sala de cinema, assistindo a muitos filmes. Sou cinéfila, então, pra mim, minha vida se encaminha pro cinema. É um caminho sem volta”, confessa, apaixonada pelo assunto.

HECTOR BABENCO: SAUDADES
Muito desse amor tem a ver com Hector Babenco, diretor que morreu em 2016 e que era marido da atriz — eles estavam juntos há seis anos. A vida sem o companheiro tem sido difícil. “Existe um filme que gosto muito que se chama ‘Minha Vida Sem Mim’ (da espanhola Isabel Coixet). Minha vida sem ele... Lembrei disso agora com essa pergunta. É estranha, é cheia de saudade e de buracos e vazios que nunca serão preenchidos porque ele deixou uma lacuna muito grande, mas uma missão ao mesmo tempo para mim. E vou fazer um filme lindo dele, da sua história e de todo caminhar até aqui. Ele me deixou um grande legado, uma grande missão. E está comigo o tempo todo”, afirma.

QUER UMA PERSONAGEM FELIZ
Com 17 anos de carreira na TV (“Nossa, 17 anos de TV? Nem eu sabia que era tudo isso”), mais de 23 peças (“É uma vida bem vivida. Posso te dizer que meu ofício é esse”), Bárbara acumula personagens intensas, díspares, mas tem muitos desejos que ainda a permeiam. “Gostaria de fazer algo mais suave, mais engraçado, mais doce na televisão. Acho que seria bom uma personagem feliz (risos). No teatro quero fazer ainda Shakespeare, Eugene O’Neill, Tchekhov. Tem tantas coisas que não fiz ainda que quero fazer! A vida é muito curta para tudo o que quero fazer!”, salienta.

SONHO DE SER MÃE
Aos 42 anos, ela conta como lida com o desejo da maternidade. “Sempre quis ser mãe. É que o momento não foi propício ainda. Sempre considerei meus personagens e minha carreira em primeiro lugar. Então meu filho agora é meu filme. Ainda não é a hora, mas ainda serei, não tenho pressa não. O momento certo vai chegar. Sempre digo que já sou mãe, mesmo não sendo. Tenho vários afilhados e várias crianças na minha vida”, explica.

ACEITARIA VOLTAR
A entrada de Bárbara Paz em ‘Malhação’ já deu uma movimentada na trama por causa do racismo e das obsessões da personagem. “Conheci algumas pessoas assim. Vejo no dia a dia. Uma pena que ainda estamos em 2017 e ainda exista gente que pensa assim. E os padrões psicológicos dela estão totalmente errados, ela tinha que fazer bastante análise para acabar com esse preconceito com o filho. Ela o trata como um objeto, e faz o mesmo com todas as pessoas, por causa da cor delas ou não”, observa. Aceitaria se o público ou os diretores pedirem para ela ficar na história? “É uma personagem importante. Ué, por que não?”, entrega.

‘ARTE DO ENCONTRO’
Paralelamente às novelas, Barbara também tem se dedicado à carreira de apresentadora. Ao lado de Tony Ramos, ela comanda o ‘Arte do Encontro’, programa do Canal Brasil. “Ele faz doze programas e faço outros doze. A gente faz isso em uma semana. São temporadas gravadas fechadas, que vão ao ar meses depois. O bonito desse programa é que não tem uma pauta. São cinco perguntas que se repetem ao longo do programa e o resto é um encontro mesmo. Chegue o que chegar naquela mesa cheia de palavras, textos e poesias”, salienta.

FUTURO
Para o programa, Bárbara faz sugestões de convidados, e o canal e o diretor dão outros nomes. Entre os bate-papos que ficaram na memória da debatedora estão Arnaldo Antunes, Chico César, Pedro Bial e Lenine.

“Todos, de alguma forma, foram diferentes e cada um tem sua poesia e seu jeito de ser. Acho que isso foi o mais interessante nessa arte do encontro. São pessoas completamente diferentes que fazem arte, desde artistas plásticos a músicos, poetas, atores, diretores. Acho que essas diferenças que convergem para um assunto só: a arte em si”, define.

“A segunda temporada a gente acabou de gravar, não sei se terão outras. Foi muito bacana, foram encontros inesquecíveis, mas daqui pra frente não sei o que vem. Até gostaria de continuar debatendo palavras e opiniões e poesia e divagar sobre a existência. Me botou num outro lugar que eu gostei”, completa.

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