Fã de futebol, Evandro Mesquita homenageia Pelé no novo disco da Blitz

Cantor diz que parou de jogar bola por causa do joelho e reclama do novo Maracanã

Por O Dia

Rio - Saudade, diz aquele velho ditado, “não tem idade”. Evandro Mesquita, aparentemente, também não. O líder da Blitz nem parece, mas completa 65 anos em 19 de fevereiro. E o grupo renova o repertório com um disco de inéditas, ‘Aventuras II’, remetendo direto à estreia ‘As Aventuras da Blitz’, lançada há 35 anos. O disco é repleto de participações — são 28, num time que inclui Paralamas do Sucesso, Frejat, Seu Jorge, Alice Caymmi, Zeca Pagodinho e até sua filha, a também atriz e cantora Manuela Mesquita.

“Mas acho que só lembro da minha idade quando eu corro. Procuro nem pensar nessa parte chata da vida”, diz, rindo, o cantor, que leva o disco novo do grupo para o Teatro Bradesco, na Barra, nesta sexta — e segue em julho para o Circo Voador, local mitológico em se tratando da Blitz (que nasceu lá, em 1982, quando a lona estava montada na Praia de Ipanema).

Blitz com sua nova formaçãoDivulgação

Peladeiro veterano e antigo frequentador do Caxinguelê, onde muita gente da música brasileira batia uma bolinha nos anos 1970 e 1980, Evandro fala sobre a paixão pelo esporte em ‘Nunca Joguei Com Pelé’, do disco novo, que traz até uma mensagem do Rei do Futebol gravada especialmente para a Blitz. Mas anda sumido dos gramados.

“Agora eu estou é prestando atenção nos meu joelhos para eles não mancarem. Elas já jogaram o que tinham para jogar. E estou nadando, pedalando, pegando onda de pranchão”, conta o torcedor do Fluminense, eterno apaixonado por Pelé e fã de Neymar.

“Não tenho visto grandes partidas e hoje existem mais atletas do que jogadores. Questiono muito o futebol e como ele está sendo jogado e dirigido. O Maracanã era o nosso Coliseu e perdeu a magia. Era uma coisa espetacular, dava medo nos jogadores. Nem fui lá após a reforma”, lamenta Evandro.

MAIS AVENTURAS
A conexão com ‘As Aventuras da Blitz’ (disco do hit ‘Você Não Soube Me Amar’), diz Evandro, não ficou só no título. “A gente trouxe de volta o Gringo Cardia, que fez a capa do disco de 1982 e fez o trabalho gráfico desse, também”, conta o cantor. “Ele curtiu muito o trabalho e achou que estava com o clima do disco original. E nós também, porque fizemos o disco durante dois anos, sem nenhum tipo de pressão”.

Com calma e intercalando diversos outros trabalhos — a agenda de shows da Blitz é intensa e Evandro ainda gravou o Paulão da saudosa ‘A Grande Família’ e a reencarnação de Armando Volta na ‘Escolinha do Professor Raimundo’ — o grupo foi convocando os convidados aos poucos. Zeca Pagodinho, por exemplo, surge em ‘Fominha’, talvez a primeira gravação conhecida do sambista cantando um rock.

“A gente se encontrava em aeroportos e conversava sobre o Moreira da Silva, que eu adoro. Ele também adora o filme de ‘Os Normais’ (no qual Evandro trabalhou). Falei que ia mandar uma música para ver se ele topava gravar e ele: ‘Nem precisa mandar, já topei!’”, conta Evandro. Alguns convidados têm relação bastante afetiva com o grupo, como os colegas de geração Frejat e Paralamas. Ou o guitarrista Davi Moraes, filho de Moraes Moreira, com quem Evandro bateu muita bola (em ‘Nu Na Ilha’).

PALAVRÕES
Já Alice Caymmi, neta de Dorival, está no tango ‘Noku Pardal’ — e o compositor de ‘O Mar’ e ‘Marina’ era fã da Blitz. “Ele foi no nosso camarim e tirou fotos com a gente. Até mostrei para ela”, alegra-se Evandro. A letra tem um ou outro palavrão — o que remete logo ao primeiro disco da Blitz, cujas duas últimas músicas (‘Ela Quer Morar Comigo na Lua’ e ‘Cruel Cruel Esquizofrenético Blues’) foram proibidas pela Censura Federal, indignada com o palavreado do grupo. Quem comprou o disco na época, lembra: as faixas estavam no vinil, riscadas.

“Isso foi inédito. A gravadora fez isso para denunciar essa agressão que a gente recebeu da Censura”, conta Evandro, cujo trabalho ainda hoje atrai fãs crianças. Mas será que o politicamente correto não transforma todos em censores? “As pessoas sentem que não é agressivo, que é linguagem de rua. Acho que vão perdoar a gente”, brinca.

ESCOLINHA
Evandro adorou fazer a ‘Escolinha do Professor Raimundo. “O Bruno Mazzeo até fala que é um programa de amor, não de humor. Estou agora no aguardo da nova temporada. Quando o professor chama, é que nem bagunça no colégio. Ninguém sabe o texto um do outro e é uma surpresa”, diverte-se. Concentrado no show da Blitz, ele corre atrás de patrocínio para a versão filme de ‘Esse Cara Não Existe’, peça que ele e o cineasta Mauro Farias fizeram em 2003. E recentemente dirigiu uma peça para a filha, Manuela Mesquita, ‘Beyoncé ou não ser... Eis a Canção’ — que teve texto do pai e da filha e foi adaptada de ‘Procura-se Um Amor’, de Adriana Falcão.

“Manuela canta e atua pra caramba e nasceu nos camarins. A mãe também é atriz (Ingra Liberato). E ela tem esse dom de escrever, dirigir, cantar”, baba o pai.

Últimas de Diversão