Rio - A cozinha mais famosa do Brasil está de volta. Estreia hoje, às 22h30, na Band, a quarta temporada do ‘MasterChef’. Depois dos formatos dedicados aos profissionais e às crianças, o programa retomará a competição entre cozinheiros amadores. “Tem muita gente de 40 anos querendo ser cozinheiro. É advogado, arquiteto. Nunca vi um cozinheiro que quer ser médico, mas muita gente quer ser cozinheiro. Hoje, é muito mais tranquilo”, diz o chef Erick Jacquin, que está de volta, ao lado dos chefs Paola Carosella e Henrique Fogaça.
MAIS DE 27 MIL INSCRITOS
Nesta temporada, 27.500 pessoas se inscreveram para encarar o trio de chefs. O prêmio do vencedor agora é de R$ 200 mil, além do troféu MasterChef. O processo seletivo também tem novidades: os candidatos pré-selecionados na prova de degustação são submetidos a provas em duplas ou quartetos para embates específicos. E dentre 75, apenas 21 competidores seguem na disputa.
O perfil dos participantes está ainda mais heterogêneo. Brasileiros e estrangeiros (italiano, tailandês, paraguaio, colombiano e venezuelano), de 22 a 61 anos, com profissões de caricaturista, geógrafo, bombeiro, físico, professor de jiu-jitsu, entre outras. “Na fase em que eles trazem os ingredientes, não teve nenhum problema de mau cheiro com os ingredientes que eles trouxeram para cozinhar seus pratos. Eles estão mais atentos a isso. Eles se preocupam com a origem, quantos dias, se é agradável para degustação. A gente percebe nessas audições ingredientes muito bons”, comenta Ana Paula Padrão, que continua no posto de apresentadora.
PEGANDO DICAS
Ao longo de três anos, Ana Paula tirou uma casquinha de aprendizado no comando da atração. “Tinha grande dificuldade com polvo, porque é difícil deixar ele em um ponto gostoso e não virar uma borracha. E, ao longo das provas de polvo, fui pegando dicas com cada um. Eu já disse que vou começar a gravar, ter um caderninho para anotar, mas nunca dá tempo”, revela, aos risos.
Apenas no terceiro episódio da temporada é que o público conhecerá os 21 cozinheiros que entrarão na cozinha do ‘MasterChef’. A atração ficará no ar até agosto e continuará terminando quase depois de meia-noite. “A duração do programa não tem a ver com sucesso, nem com o aumento do número de patrocinadores. Mas artisticamente esse programa merece essa duração. Tem muita coisa interessante acontecendo. É verdade que, às vezes, a gente é criticado pela hora que acaba. Mas, por enquanto, nunca recebi uma crítica de que estamos enrolando ou enchendo linguiça. O programa merece essa duração”, defende o diretor Patricio Díaz.
BALANÇO DAS EDIÇÕES
Para os chefs, o balanço dessas quatro temporadas é mais do que positivo. “O tesão continua o mesmo de fazer. A gente vai ficando um pouquinho mais familiarizado. Tem as surpresas, as pessoas diferentes. Eu aprendo coisas com os participantes”, observa Fogaça. “Todo dia é um dia diferente, e a gente aprende ao mesmo tempo junto com o competidor. Todo dia é uma surpresa”, enfatiza Jacquin. “Para mim, mudou, sim, quando entrei no programa era muito fresca. Estou muito mais feliz com a minha vida. Incorporei muitos ingredientes. Quando você trabalha com restaurante há 25 anos, e 16 na cozinha de São Paulo, você só está perto de coisa de restaurante premiado, ingrediente, técnica. Quando te convidam, ninguém cozinha porque tem medo, então você cozinha. Incorporei muitas coisas na minha culinária”, explica Paola.
ZERO GLAMOUR
Os chefs fazem questão de enfatizar que a rotina na cozinha não é fácil. “Mas ser cozinheiro também é o cara que acorda às 5h40 da manhã, sobe no ônibus, bate o cartão às 8h da manhã, troca o uniforme, descasca quatro caixas de camarão, depois limpa o chão, depois vai lavar a louça, vai ajudar no trabalho, depois às 4 da tarde volta para pegar duas horas de ônibus e chegar em casa 18h30 da noite. Não tem glamour nenhum”, lembra Paola.
Fogaça vai além. “Ver uma cozinha profissional, tudo é muito lindo na foto de uma revista, a história de um chef. Cozinha é trash, trampo pesado, não é para qualquer um. Tem muita gente que chega no restaurante e vai fazer estágio, e a pessoa entra com uma concepção do tipo que vai idealizar um prato. Eu jogo essa pessoa para recolher lixo, ajudar a lavar louça, a picar cebola. A pessoa fica uma ou duas semanas”, salienta. “Tudo isso? No meu, não fica nem duas horas”, reage Paola.
Para o diretor, o vocabulário das pessoas que acompanham a atração mudou de um tempo para cá. “As pessoas sabem o que é uma redução. Acho interessante, é a parte educativa do programa”, observa. O ‘MasterChef’ é a melhor porta para virar um grande chef? “É uma grande porta. Existem outras”, indica Paola.