Aos 59 anos, Edson Celulari não se importa em ser chamado de galã

'As fãs deram uma envelhecida. Se fosse só eu, seria sacanagem', brinca o ator

Por O Dia

Edson CelulariDivulgação

Rio - Nos primeiros meses de 2016, Edson Celulari soube que estava reservado para ‘A Força do Querer’, novela das 21h, que estreia dia 3 de abril na Globo. Mas em junho do ano passado, o ator dividiu com o público que foi diagnosticado com um linfoma não-Hodgkin, um tipo de câncer que afeta o sistema de defesa do organismo. “A reação de carinho do público, a torcida, a fé, o que escutava nas ruas — quando tinha que pegar o avião para São Paulo, onde era o tratamento — foi realmente emocionante. Foi extremamente fortificante e foi muito importante para mim”, lembra o ator, de 59 anos.

TRATAMENTO E ESPERANÇA
Veio o tratamento. A autora Glória Perez ligava para Celulari periodicamente. “Ela falava: ‘Com cabelo ou sem cabelo, você vai fazer a novela de qualquer jeito. Quero você’. Esse desejo dela me deixava uma expectativa de trabalho, que é o que nos alimenta. Isso é maravilhoso. Quando você está em uma situação de fragilidade de um tratamento como eu passei, você já ter uma luz no final do túnel, eu tinha um tratamento que havia uma expectativa, que correu tudo bem, graças a Deus, e depois já tem um trabalho”.

VITÓRIA
Em novembro, veio a tão esperada vitória de Celulari sobre a doença. E, há três semanas, ele grava como Dantas, um misterioso conquistador de mulheres mais novas na trama das nove. “Estou muito feliz de estar voltando. A gente está fazendo estúdio com muito cuidado. O Papinha (Rogério Gomes, diretor) é muito cuidadoso. Estou feliz com essa volta e com o Dantas. Ele é um personagem para cima, era tudo que precisava”, comemora o ator, que namora a atriz Karin Roepke, 34 anos.

UM CHACOALHÃO
Edson define como um “grande susto” o período que passou com a doença (“Estou comemorando cada dia, cada momento”, diz). Ele lembra que ficou recolhido e que também ganhou forças. “Você tem uma revisão, uma oportunidade de aprender muitas coisas, de revisar muitas coisas. Acredito que eu tenha aproveitado. Mas você volta fortificado, com seus valores revistos, dando importância às coisas que merecem importância. Você tem um chacoalhão. Acredito que eu tenha voltado uma pessoa melhor”, compara.

TRABALHO E TRAMA
A volta ao trabalho — a última novela dele foi ‘Alto Astral’, em 2015 — tem sido aos poucos, já que uma rotina de gravação costuma ser intensa. “No primeiro dia de trabalho, voltei bem cansado para casa”, recorda-se.

Na trama, Dantas é um conceituado diretor na empresa de alimentos controlada pelos irmãos Eurico (Humberto Martins) e Eugênio (Dan Stulbach). Depois da morte do patriarca da família, foi Dantas quem ajudou os herdeiros a segurarem a empresa, e ele se sente injustiçado, pois acredita que nunca lhe deram o valor que merece. Tem uma filha, Cibele (Bruna Linzmeyer), que está noiva de Ruy (Fiuk), filho de Eugênio. “O Dantas quer ser reconhecido dentro da empresa. Quer fazer com que esse casamento dê certo, vai torcer, vai colocar a filha trabalhando na empresa também. Ele é aparentemente um sujeito de bom caráter, mas acho que tem potencial para a vilania”, frisa.

Entre as aventuras amorosas de Dantas, a mais séria é com Shirley (Michelle Martins). Ela é a namorada oficial, uma mulher inteligente, esperta, e o ajuda a entender Ruy, o noivo da filha dele, que pode estar interessado por outra mulher. “O Dantas é rotativo nos relacionamentos. A Shirley não é desanuviada ou mais uma dessas loucas interesseiras. É uma relação divertida. O Dantas tem muito orgulho de estar com ela, mas não como um homem maduro babão. A Glória (Perez, autora) colocou de uma forma interessante e divertida”, explica.

RÓTULO DE GALÃ
Edson Celulari nunca teve problema em ser chamado de galã. O ator conta que sempre procurou personagens distintos desse rótulo, seja na TV, cinema ou teatro. “Não posso seguir minha carreira ou minha vida em função de um rótulo. E o que é um galã? É um homem ou um moço ideal. Eu sou quase um velhinho ideal (risos)”, conta. “Eu tenho que viver o meu hoje, a minha idade hoje. Sou um homem de 59 anos. E posso fazer personagens um pouco mais novos. Tudo bem, por exemplo, de 57 anos, ou mais velhos, de 60. Mas fazer um homem de 40, não”, completa o ator.

MISTÉRIO
Um dos mistérios sobre o personagem de Celulari é a identidade da mãe de Cibele (Bruna). É uma questão que, por enquanto, não está clara na trama. “Ninguém sabe dela. Só se sabe é que ele toma conta da filha e que eles têm uma relação de um cuidar do outro e uma identificação enorme. Eles formam uma boa dupla, bem pai e filha, e uma bonita relação. Não sei nem se a Glória sabe sobre a mãe da Cibele”, brinca.

FOCO NO TRABALHO
Edson Celulari afirma que deseja se divertir e se fortificar com esse trabalho, reencontrando colegas e conhecendo mais pessoas. “O meu querer é cuidar dos meus filhos, da minha vida, seguir em frente. Tenho outros projetos, esse é o meu querer no momento, focado no trabalho”, enfatiza.

ASSÉDIO FEMININO
O assédio continua. Outro dia, dentro do Projac, ele precisou ser “resgatado” por seguranças da Globo por conta do cerco de um grupo de fãs da plateia do ‘Encontro com Fátima Bernardes’. “Estava de guarda-chuva porque não posso pegar sol. Elas me cercaram e, de fora, só via o guarda-chuva aberto balançando. Era um grupo muito específico de senhoras. Tinha jovens também, que ficaram um pouco envergonhadas com a atitude das mais velhas, mas é normal. Não tem mais os gritos histéricos, eles vão engrossando, ficando mais graves, menos afoitos, menos atrevidos. As fãs deram uma envelhecida. Se fosse só eu, seria sacanagem (risos). Já rasgaram camisa, tiraram boné, beliscaram... Isso já não tem mais. Ou se tiver é em menor número. Mas é divertido”, enfatiza. 

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