Zezé Polessa conta que ficou internada por causa de vírus durante gravações

Atriz conta que gravou na beira do rio por três semanas e evitou a culinária paraense por causa do sabor forte

Por O Dia

Rio - Você sabe o que significa expressões como “eu choro”, “mas quando já” ou “amansar as tripas”? Zezé Polessa descobriu quando se preparava para interpretar a pavio curto Edinalva de ‘A Força do Querer’, da Globo. “Peguei umas coisas (expressões) mais antigas, por ser mais velha, tipo ‘amansar a tripa’, que é comer, ou ‘eu choro’, quando falo uma mentira, estou nem aí, é muito de Belém. E ‘mas quando já’, que é de duvidar do que te falam”, ensina a atriz, de 63 anos.

Zezé Polessa interpreta Edinalva em 'A Força do Querer'Divulgação

Mas quem vê as cenas de Zezé nem imagina que por muito pouco ela não interpretaria a personagem brigona. É porque em agosto de 2016, ela tinha terminado de viver uma personagem densa, a Ascensão, na novela ‘Liberdade, Liberdade’, e queria descansar. Três meses depois, Rogério Gomes, diretor artístico de ‘A Força do Querer’, convida Zezé para interpretar Edinalva. “Achei que ela era muito braba. Só vi esse lado da brabeira dela. Aí pensei: ‘Acho que não. Não sei’. Fiquei assim. Depois, fui lendo e fui vendo essa coisa do Pará, esse colorido todo. Aí, eu achei bacana”, comemora.

A partir de hoje, na novela das 21h da Globo, Edinalva será cobrada das dívidas que tem feito — salão, compras na venda, roupas — gastando por conta do casamento da filha com Ruy (Fiuk). Com o passar do tempo, a amazonense consegue receber uma pensão da família do genro e então começa a ostentar. É quando Edinalva resolve que é hora de ter um carrão e pede ajuda a Abel (Tonico Pereira) — eles vivem de implicância um com o outro e têm tudo para virar um casal. O mecânico a faz comprar o carro mais caro só de implicância.

Na história de Gloria Perez, Edinalva é uma amazonense que no início da trama vivia no Pará junto com a filha, Ritinha (Isis Valverde). A partida da personagem para o Rio de Janeiro foi lamentada por Zezé. “Morri de pena porque o cenário era tão lindo. Até o capítulo 13 ficava lá. Ela vem procurar a filha, que fugiu, e acaba em um bairro português em Niterói, e é meio que uma sede do Pará no Rio”, justifica.

Enquanto estava gravando no Norte, a veterana gravou no Amazonas por aproximadamente três semanas, na beira do Rio Negro, a mais ou menos uma hora e meia de Manaus. Era lá que a fictícia Parazinho virava realidade. Zezé se impressionou com a força da lenda do boto cor de rosa, que é defendida com unhas e dentes pela personagem Edinalva.

Zezé Polessa conta que não se adaptou ao sabor da culinária localDivulgação

“Muitas mulheres sobrevivem de serem expulsas de casa pelo pai ou pelo marido por conta da crença nessa coisa de um animal encantado que se relaciona com mulheres e vai fazendo filhos”, frisa ela, cuja personagem, quando nova, dançava carimbó e conheceu um forasteiro. Os dois dançaram por horas, namoraram na beira do rio, e ele sumiu misteriosamente. Assim, Edinalva engravidou de Ritinha. “Ela é filha do boto!”, afirma a atriz, entre risos.

Quanto à culinária local, Zezé não gostou tanto. “É muito forte. Tem os peixes, a mandioca, as superfarinhas. Mas em geral, na pousada, nos sets, a gente comia uma coisa muito básica. Pega o peixe e bota no forno. Às vezes, passa um pouco. Às vezes, fica esturricado. A primeira vez que eu fui, há 30 anos, fiz uma viagem pelo Rio Amazonas. Fiquei louca com as coisas que eu comi. Mas dessa vez trabalhando é diferente. Você fica cuidadoso. Tem coisas que você olha e fala: ‘Não, melhor não porque vou almoçar e vou gravar’. E mesmo assim a gente adoeceu”, lembra.

Zezé se refere aos atores Marco Pigossi, o Zeca na novela, e Tonico Pereira, o Abel, que tiveram problemas de saúde em Manaus. “Eu fiquei quatro dias no hospital. Fui super bem tratada. Eu tive uma febre, tive uma influenza A de um vírus muito modificado de lá e tive uma infecção urinária”, completa a atriz, sem perder o bom humor.

Mas o contratempo em nada abalou o carinho da atriz pela localidade. Segundo ela, imprevistos acontecem em qualquer lugar. Para Zezé, sua personagem não faz parte de núcleo cômico — apesar de ter cenas engraçadas. “O núcleo é o do Pará, não é cômico. Ele tem uma vibração do Pará. Tem uma cantora chamada Dona Onete, que tem aquela mesma vibração”, exalta a veterana, fazendo referência à cantora paraense conhecida como ‘Diva do carimbó chamegado’.

A dobradinha com Isis Valverde é comemorada por Zezé porque marca um reencontro com a atriz. É porque ambas atuaram em ‘Beleza Pura’, de 2003, como também mãe e filha, Ivete e Rakelly. “É ótimo esse reencontro porque estamos melhor do que antes, mais afinadas e se divertindo mais uma com a outra”, derrete-se. 

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