'A Força do Querer' retrata o cotidiano de violência do Rio

Novela das nove da Globo mostra assalto a ônibus, tentativa de roubo e confronto entre polícia e traficantes

Por O Dia

Rio - ‘Assalto no ônibus termina com mulher baleada”. “Polícia invade favela em busca de drogas, troca tiros com traficantes e prende um bandido”. “Homem é baleado ao impedir assalto na rua”. Qualquer uma dessas manchetes poderia estampar as páginas policias de um jornal carioca, mas na verdade são apenas algumas das cenas dos personagens Bibi (Juliana Paes), Jeiza (Paolla Oliveira) e Zeca (Marco Pigossi), respectivamente, na novela ‘A Força do Querer’, de Gloria Perez, na Globo. A tarimbada autora é bastante conhecida por retratar com realismo suas tramas que representam o cotidiano fora da TV.

Cenas policiais registram boa audiênciaDivulgação

DESPROTEGIDA
Juliana Paes conta que se sente como qualquer outro cidadão diante da violência que tomou conta da cidade. “Me sinto muito desprotegida, muito vulnerável, com medo, insegura. A gente vive um momento muito difícil aqui, não só no Rio, mas nos entornos. A minha família mora em Niterói, vivo muito preocupada com eles. A gente vive se comunicando e querendo saber onde está um, onde está outro. Nesse aspecto, as redes sociais ajudam porque a gente fica o tempo todo: ‘Já chegou em casa?’, ‘Já voltou para casa?’, ‘Não anda de vidro aberto!’. É sempre uma preocupação. Niterói anda bem complicado. Me sinto muito desamparada”, desabafa a atriz, que já foi vítima “várias vezes. Já sofri, já testemunhei, já passei por situações bem delicadas”.

Para Juliana, nada mais natural do que abordar esses aspectos do Rio na trama das nove. “Acho que, se a gente não falasse sobre isso, ficaria inverossímil contar uma história na cidade”, frisa a morena.

Para se ter uma ideia, as sequências de ação fazem sucesso. Na cena em que a policial Jeiza subiu o morro em uma operação policial, a novela registrou 31 pontos de audiência em São Paulo, com 45% de participação. No Rio, marcou 36 pontos, com 51%. Traduzindo os números, mais da metade dos aparelhos estavam acompanhando as cenas de perseguição.

TEMAS QUENTES
Solar e vibrante, a trama das 21h mostra vigor ao retratar as cenas de ação policial e violência no Rio. “A novela é uma obra de ficção, mas acredito que a Gloria é uma autora que tem uma grande contribuição na dramaturgia brasileira por fazer muito bem uma ponte entre realidade e ficção. Ela encampa campanhas sociais e traz para a TV temas que estão quentes na sociedade”, diz Paolla Oliveira, a policial durona.
Segundo a loura, não podemos ficar apavorados. “Precisamos batalhar e cobrar das autoridades uma mudança. Não é apenas mais policiamento, é investimento em educação e emprego para melhorar essa situação. Claro que todo mundo tem uma certa insegurança. Eu também tenho”, revela.

BATALHA DA VIDA
Para Paolla, a novela é bem atual e a realidade dos brasileiros, triste, especialmente quem mora no Rio. Mas não só disso é feita a história. “Apesar de ter essa parte dura da nossa realidade, a novela também tem alegria, dança, gente do povo que, apesar de tudo, acorda cedo e vai batalhar a vida”, frisa.

PRISÃO DE RUBINHO
A partir do dia 22, vão ao ar cenas da prisão de Rubinho (Emílio Dantas), que se envolve com uma facção criminosa. Ela dá uma desculpa para a mulher, Bibi, de que viajará a trabalho. À noite, ele e um comparsa estão em um carro dando cobertura por trás para um caminhão com drogas no meio de uma estrada. Jeiza e outros policiais fazem uma operação e revistam os veículos enfileirados. Rubinho prevê o problema.

O motorista do caminhão fica tenso, pois percebe que não dá para fugir. Rubinho e o cúmplice estão em um veículo atrás dele e se desesperam. Eles tentam sair, mas não conseguem. Jeiza e seu cão, Iron, se aproximam, e ela pede os documentos do motorista, que alega carregar batata. O cão faz sinal de que tem irregularidade. Ela confia no taco do parceiro e prende o criminoso.

Quando a policial olha para o lado, vê Rubinho conversando com o cúmplice pelo lado de fora do carro e correndo. De repente, ela ouve um tiro vindo do carro desse cúmplice, saca a arma e atira também. Pessoas apavoradas descem de um ônibus em busca de proteção, e Rubinho se mistura com elas.

O cúmplice de Rubinho é ferido e levado, enquanto Jeiza se aproxima das pessoas do ônibus, olha para Rubinho e diz: “Você aí. Me acompanha!” Ele se faz de desentendido. “O que eu fiz? Mas o que é que eu fiz? Tô sendo preso?” Ela: “É o que a gente vai ver quando chegar lá na delegacia!”

Na delegacia, Rubinho conta sua versão, e o delegado acredita. Jeiza não tem provas e fica sem argumento. Rubinho liga para Bibi, que chega desesperada, e o marido repete a mentira. Jeiza interrompe o casal e diz: “Não foi essa a impressão que me deu!” Bibi não perdoa. “Foi isso que a senhora teve? Uma impressão? E meu marido tá detido aqui esse tempo todo porque a senhora teve uma impressão? É isso mesmo que eu estou ouvindo? Quero ver sustentar isso diante de um juiz: que ‘teve a impressão!’ Mandou prender um homem porque ‘teve a impressão’”. Jeiza recua, e o delegado libera Rubinho. Bibi olha rancorosa para a policial e vai embora com o marido.

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