Por nadedja.calado

Rio - Almir Guineto morreu há 20 dias, mas deixou uma herança especial para seu filho, o cantor Almirzinho, de 46 anos. O artista, que cresceu observando o talento do pai, ganhou muito mais do que uma quantia em dinheiro. Para ele, a herança foi entregue por meio de uma intimação, ainda no velório de Guineto. 

“Muita gente chegou em mim e disse: ‘Agora é com você’. Sinto que tenho o dever de preservar o samba e a história do meu pai com a música”, diz ele, que já tem planos de abrir um memorial para o pai e gravar um DVD com participações especiais, mesmo sem almejar o lucro.

Almirzinho se arrepende de não ter gravado com o pai%2C Almir GuinetoDivulgação

“Ele deixou um legado que não pode ser esquecido. E o DVD era um sonho dele, só estávamos esperando uma melhora para gravar, mas não aconteceu”, lamenta o artista, que trabalha com a música desde cedo, mas se arrepende de nunca ter gravado com o pai famoso.

Almirzinho achava que deveria trilhar o seu caminho, sem pegar carona no sucesso de Guineto. “Não queria ganhar fama só por causa dele. Meu pai se orgulhava disso, mas sei que poderia ter aproveitado mais”, desabafa o artista, com a consciência de que a vida precisa seguir.

VAI SER PAPAI

À espera do primeiro filho — a mulher de Almir Serra, Adriana, está grávida de quatro meses —, o músico segue provando que o talento está no sangue. Mas acima disso, está o amor ao samba. “Toda sexta-feira faço uma roda de samba no Bar Mangueira, na Vila Madalena, a partir das 19h. Aos domingos, me apresento no Bar Templo, na Mooca, e me divirto”, conta.

Amigo de muitos cantores da atualidade, Almirzinho diz que o Brasil é um país rico culturalmente. No entanto, segundo ele, “a música brasileira respira por aparelhos”. Para se ter grandes músicos como seu pai, o artista afirma que falta um sentimento fundamental: “Meu pai vivia de música por amor e não por dinheiro.”

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