Por nadedja.calado

Rio - Eles estão de volta: Ribamar, João Canabrava, Ana Maria Bela e tantos outros personagens — entre eles os presidentes Michel Tomer e Tonald Tromp — interpretados por Tom Cavalcante, que está no ar com o ‘Multi Tom’, diariamente, no Multishow. “Eu acho que o país precisa ter esse humor político que o ‘Casseta & Planeta’, da Globo, fazia. Tenho cultura política do país e aplico dentro do processo do programa”, explica o comediante que, além da TV, se apresenta amanhã com o espetáculo ‘Stomdup’, às 21h, no Teatro Bradesco Rio, no Shopping Village Mall, na Barra da Tijuca.

DESABAFO POLÍTICO

Ele está de volta à TVDivulgação

Nesse momento conturbado que a política brasileira vive, Tom Cavalcante torce por mais notícias positivas. “Eu primeiramente queria que dessem ponto final nessa história (da operação Lava Jato), que otimizassem tudo isso. A Lava Jato se tornou a grande notícia do país, uma novela que não tem fim. Vamos ver se a gente consegue otimizar e vida nova, vida que se segue. Quem tiver que ser punido, que seja, quem tiver que ser preso, que seja. Vamos seguir, vamos dar notícias boas na TV, como que foram inauguradas 14 escolas modelos com computadores para crianças da favela. A sociedade está ávida por saber, hospitais públicos com grandes máquinas, empregos... A gente não ouve nada disso. Fica refém da violência e de que foi preso mais um”, desabafa.

ACABA RÁPIDO

Durante três meses, Tom gravou os 20 episódios da terceira temporada do programa do Multishow. Mas, por ser exibido diariamente, o material vai “acabar” logo. “É trabalhoso. Acho que esse é o número. Eu só defendo que eles deveriam ser semanais, um por semana, para ficar mais tempo no ar. Mas o modelo atual é do Multishow e tem dado certo”, pondera.

DICA DE APRESENTADOR FAMOSO

Uma das novidades nessa edição do ‘Multi Tom’ é a caracterização do humorista como Tonald Tromp — inspirado no presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Tom conta que se inspirou na imitação do apresentador norte-americano Jimmy Fallon. “No início do ano, encontrei com o Jimmy em Los Angeles, e ele sugeriu que eu fizesse a imitação no Brasil. Foi inspirador e acho que ficou no jeito. Eu dei uma abrasileirada nele. Acredito que nesta temporada conseguimos entender melhor a dinâmica de produção e ganhamos mais agilidade”, salienta.

BOM SENSO NO HUMOR

No teatro, o comediante se vira nos 30. Faz de tudo um pouco. “Faço stand up, me visto de personagens, faço crônica da vida política e social. Aproximadamente 1h30 e não fica cansativo. Vai curtir”, frisa, aos risos. Para o ator, existe um limite para fazer piada e ele se chama bom senso. “Pode fazer graça sem ser grosseiro. Quando atinge de forma grosseira, não é humor, dá para falar de tudo com inteligência”, explica. Tom conta que nunca passou por essa situação. “Sempre tive muito cuidado (com as piadas). Mesmo quando não existia a febre do politicamente correto. São grupos diferentes me assistindo”, pontua o humorista.

RETORNO À TV ABERTA

Desde o fim do ‘Show do Tom’, na Record, em 2011, o cearense de Fortaleza não tem um programa para chamar de seu na TV aberta — ele fez participações pontuais no ‘Tomara Que Caia’ e ‘Vídeo Show’, ambos da Globo, em 2015. Mas isso pode mudar. “Eu penso em voltar para a TV aberta. Não está descartado. Recebo no Twitter umas 50 mensagens de pessoas perguntando quando vou voltar para a Globo. Eu respondo que vai pintar um projeto. Tem uma conversa com o Grupo Globo, que é o mesmo do Multishow. As portas estão abertas. Mas o Multishow me apetece bastante por me deixar muito à vontade. Sou Multishow Futebol Clube”, despista.

PRIMEIRO LONGA

Em contrapartida, o humorista está prestes a se lançar em um campo ainda novo para ele. “Vem aí o meu filme. Será o meu primeiro longa. Era uma vontade antiga”, vibra. Tom se refere ao filme ‘Os Parças’, com direção de Halder Gomes (diretor de ‘Cine Holliúdi’, de 2012). No elenco estarão o youtuber e humorista Whindersson Nunes — o canal dele no YouTube é assinado por mais de 20 milhões de pessoas e o vídeo mais popular foi assistido mais de 53 milhões de vezes — e o comediante Tirullipa. “Estamos procurando o quarto integrante, o quarto parça. A gente sondou uma porção de gente, mas estão todos ocupados”, lamenta, entre risos.

MAIS SOBRE O FILME

O longa conta a história de quatro parceiros que enfrentam a crise se virando como podem. Até que eles resolvem abrir uma empresa de casamentos, usando produtos baratos da Rua 25 de Março, importante região de comércio popular em São Paulo. O problema é quando um poderoso mafioso os contrata para fazer a festa do casamento da filha e a situação foge do controle. “O pai da noiva pede Roberto Carlos na festa. Imagina a confusão”, diverte-se Tom.

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