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Arnaldo Cezar Coelho revela desejo de se dedicar a um projeto social envolvendo esporte

Por O Dia

Rio - Nosso entrevistado de hoje acompanhou por anos os grandes momentos do futebol brasileiro. Mas acha que está chegando a hora de alçar novas metas. Arnaldo Cezar Coelho conversou com a coluna e revelou seu desejo de criar e se dedicar a um projeto social envolvendo, claro, o esporte. E jovens.

Arnaldo Cézar CoelhoDivulgação

Você anunciou recentemente que pretende se aposentar. Não é cedo?

Aposentadoria não faz parte do meu vocabulário. A minha vida é feita de ciclos: um de árbitro de futebol e outro comentarista. Este último, acho que está chegando ao fim. Porque eu já faço isso há muito tempo e tenho que aceitar outros desafios. Ou seja, tudo na vida são fases. E eu estou pensando seriamente em parar de trabalhar como comentarista. Além das empresas que tomo conta, quero assumir um projeto social que me faça feliz.

Não acha que o público vai sentir muito sua falta?
O público sente falta no início, claro. São 27 anos trabalhando em jogos da Seleção, ao lado do Galvão Bueno. Mas isso é uma questão de hábito. Ninguém é insubstituível e daqui a pouco aparecerão outros profissionais que vão me substituir, e ninguém mais ficar com saudades de mim. Eu sempre procurei trabalhar bem, caprichar e fiz uma escola.

Narre um pouco da sua história. Como passou de árbitro a comentarista?
Passei no curso da Federação de Futebol do Rio de Janeiro e apitei muitos anos no estado. Fui contratado para outras federações de outros estados também e ingressei no quadro da FIFA, por 21 anos. Apitei duas Olimpíadas, três mundiais sub-20 e duas Copas do Mundo — na Argentina e na Espanha, onde apitei a final. Mas me cansei da arbitragem por conta das viagens. Um dia, a TV Globo precisou de alguém para esclarecer um lance técnico de uma partida, em termos de arbitragem. Nesse dia, o Armando Nogueira, Alice Maria e Alberico de Souza me convidaram para ser comentarista da Rede Globo.

Um fato marcante na carreira?
O fato marcante da minha carreira foi apitar a final da Copa Mundo de 1982. Nenhum árbitro sul-americano tinha sido escolhido para uma final até então. Geralmente, só escolhiam os europeus. Primeiro, porque os sul-americanos sempre chegavam à final e na Copa de 82, a final foi entre Itália e Alemanha. Mas o fator fundamental foi o presidente da FIFA, João Havelange, e o Seu Abílio de Almeida, da Comissão de Arbitragem. Eles confiavam em mim. Graças a Deus, deu tudo certo.

Família é...
A família está muito bem. Eu já tenho três netos. Os dois primeiros quase não pude acompanhar, mas o terceiro, que ainda é bem pequeno, estou podendo acompanhar. Eu e minha mulher estamos tirando um lance de vovôs, isso é muito legal. Acho que o grande alicerce de uma carreira é ter uma família estabilizada.

E a sua TV Rio Sul, retransmissora da Globo, como vai ?
Eu sempre trabalhei com mercado financeiro. E chegou uma fase na minha vida em que tive a chance de me associar à Rede Globo em uma de suas afiliadas, no sul do estado do Rio de Janeiro, chamada TV Rio Sul. Essa televisão foi criada por mim, praticamente. Dirijo essa empresa há 27 anos e hoje ela cobre 24 cidades. É uma grande satisfação porque a TV Rio Sul é uma formadora de profissionais. É muito comum ver profissionais da TV Rio Sul hoje trabalhando no ‘Jornal Nacional’, em telejornais de rede. A TV vai bem e estou muito feliz lá.

Conte-nos um sonho.
Continuo a ter muitos sonhos. Sou criativo, inquieto, gosto de inventar coisas. Meu sonho é, caso eu pare no ano que vem com os comentários de arbitragem, me envolver num projeto social voltado ao esporte. Quem sabe um centro esportivo? Eu sou professor de Educação Física e posso ter vários outros professores comigo trabalhando com os jovens, porque o esporte os tira da rua e da marginalidade. A inclusão social que o esporte propicia a um jovem é muito importante.

E quais são as novidades no futebol?
A International Board, que faz as regras de futebol, vai sugerir à FIFA que as partidas tenham 60 minutos de bola corrida. Outra novidade sugerida por eles é que, no momento do pênalti, toda vez que o goleiro rebater a cobrança, será dado tiro indireto contra o cobrador. E tem outra, que é um absurdo, será a possibilidade de um jogador bater uma falta para ele mesmo. Isso nem em pelada vale, mas a International Board quer mudar. 

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