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Do Pará para o Rio: Dona Onete faz show no Circo Voador

Aos 78 anos, Dona Onete cuida de um problema nos quadris, mas faz muitos shows e se mantém na atividade. E recomenda: “Vem pra rua, vem pegar chuva e sol!”

Por karilayn.areias

Rio - Ligamos para a assessoria de imprensa de Dona Onete para agendar uma entrevista — os ganchos eram o show que a rainha do carimbó paraense vai fazer amanhã no Circo Voador (com abertura da banda Francisco El Hombre), sua presença na trilha da novela ‘A Força do Querer’, de Gloria Perez (com ‘Boto Namorador’), e sua extensa agenda de shows, que incluem apresentações fora do Brasil. Rapidez é o lema da cantora de 78 anos: a própria Dona Onete atendeu e pediu que retornássemos em dez minutinhos para já fazermos a entrevista.

Dona OneteDivulgação

“É que amanhã eu já viajo. Vou fazer show no aniversário de Santarém (PA). Depois, vou para Brasília, volto para Belém, depois vou para Paraopeba (MG)... Depois, vou aí para o Rio e depois vou para a Europa”, detalha Dona Onete, numa pilha só. E, imbuída da autoridade de quem gravou o primeiro CD aos 72 anos (o mais recente, ‘Banzeiro’, saiu em 2016 e ganha lançamento no Circo Voador) aproveitando para dar um conselho para quem já passou dos 60 e acha que tudo está acabado. “Nada disso. Vem pra rua! Vem pegar chuva, vem pegar sol. Se você está adoecendo dentro de casa, adoece na rua, então. Sabia que tem um monte de grupos folclóricos de idosos? Tem em São Paulo, até aí na Lapa, no Rio, tem”, diz a cantora e ex-professora.

PAI D’ÉGUA

O show tem sucessos de Dona Onete como ‘Jamburana’, ‘Feitiço Caboclo’, ‘Banzeiro’ e ‘No Meio do Pitiú’. E, claro, ‘Boto Namorador’, que na novela, surgiu bastante nas primeiras cenas, gravadas no Pará em meio a lugares como Mercado Ver-o-Peso, o Parque Mangal das Garças e a Baía do Guajará. E a música tocou bastante especialmente nos momentos protagonizados por Ritinha (Isis Valverde), que acredita ser uma sereia e sempre ouviu histórias de que seu pai é um boto. Não é a primeira vez de Dona Onete em folhetins televisivos (‘Jamburana’ estava na trilha da recém-finalizada ‘Sol Nascente’). Mas dessa vez é especial: ela está adorando ver os lugares e folclores da sua terra na televisão, diariamente.

Dona OneteDivulgação

“É a lenda do boto, a maneira como a gente fala... Tá tudo lá. Tem uma expressão aqui que a gente usa a toda hora que é ‘égua’. É para tudo: para alegria, para tristeza. Quando a gente quer falar que uma pessoa tá bonita, é: ‘Égua, caramba, você tá muito bonita!’ Ou então é ‘pai d’égua’”, diz Onete, citando duas expressões que volta e meia aparecem na novela. “O Pará é um lugar repleto de misturas de raça, que comandaram nossa língua, nossa voz. Temos costumes completamente diferentes, que vão lá para as bandas do índio e do negro, e um pouco do português”.

SAÚDE

Viúva duas vezes e hoje solteira, Dona Onete tem dois filhos, cinco netos e três bisnetos. “Fui no aniversário da miha bisneta de nove anos, na escola dela, e dei autógrafo para mais de cem crianças”, lembra ela, que mora junto com sua família toda em Belém (PA). “Preciso de todos eles perto de mim. Tenho 78 anos, eles me levam no médico, me ajudam...”

Dona Onete lida com problemas nos quadris. “Meu médico foi para a Alemanha e trouxe um tratamento de lá, que é uma aplicação de choque, que tem ozônio também”, conta ela, que recorre à cadeira de rodas quando desembarca do avião, nos aeroportos.
“Mas não sou cadeirante, só uso cadeira de rodas quando tenho necessidade. Nos shows, eu hoje passo muito tempo sentada, mas levanto, danço um pouco. Danço até com o público”, conta a cantora, que recebe o cuidado dos fãs nessas horas. “Acredita que eles ficam preocupados quando eu danço e nem querem muito que eu me levante?”

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