Trilha de ‘Os Dias Eram Assim’ tem atores cantando sucesso de Elis Regina

Álbum também traz novos nomes atualizando clássicos de Legião e Antônio Marcos

Por O Dia

Rio - Querido por colecionadores de LPs antigos, o logotipo “espiral”da Som Livre (usado pela gravadora até 1978) aparece num lançamento do selo: a versão vinil da trilha da supersérie ‘Os Dias Eram Assim’, recém-chegada às lojas, em tiragem limitada. O disco tem apenas onze das 27 músicas do CD duplo com a íntegra da trilha — repleta de sucessos da MPB de todos os tempos. E o diretor artístico da série, Carlos Araújo, curtiu tanto que sonha com um volume 2 no mesmo formato.

“A trilha sonora é, conceitualmente, uma personagem da produção. Pensei que merecia ser apresentada em um formato que remete à época. O LP é um dos símbolos do período que retratamos na série”, alegra-se Araújo.

Susana Vieira com o vinilDivulgação

André Rola, designer do projeto, lembra que o selo antigo tem valor afetivo enorme para a gravadora “Como a novela acontece nos anos de chumbo, se encaixou perfeitamente”, conta. “A maior surpresa é que o velho e o novo convivem em perfeita harmonia nesse produto”.


ATORES CANTANDO
Os atores gostaram bastante. Alguns posaram até para fotos de divulgação com o LP. E um time de estrelas da novela (Sophie Charlotte, Maria Casadevall, Renato Goes, Daniel Oliveira e Gabriel Leone) reuniu-se num estúdio para gravar ‘Aos Nossos Filhos’, de Ivan Lins e Victor Martins e imortalizada por Elis Regina, para a trilha (o nome da supersérie foi tirado de um verso da canção). “Eu estive no dia da gravação da faixa, num estúdio aqui do Rio. E acompanhei diretamente. Eu propus ao elenco a gravação da trilha e todos embarcaram com muito empenho e amor. A ideia de colocá-los cantando juntos atendia a uma intenção do processo de trabalho, de fortalecimento da relação dos atores com a obra”, conta Araújo.

NOVOS NOMES
A ideia de lançar a trilha no formato antigo veio de um dos produtores do disco, Victor Pozas. E o vinil vai além dos anos 1960 e 1970 na escolha do repertório. Tem Novos Baianos (‘Linguagem do Alunte’), Mutantes (‘Ando Meio Desligado’), Roberto Carlos (‘Nossa Canção’), Walter Franco (‘Feito Gente’), mas tem também Marina Lima com um hit de 1991, ‘Não Sei Dançar’. E Johnny Hooker cantando ‘Como Vai Você’ (Antonio Marcos) e Tiago Iorc relendo ‘Tempo Perdido’ (Legião Urbana).

“Queríamos ter novos artistas com maior identidade com o público de hoje. E parece que funcionou muito bem”, festeja Eduardo Queiroz, que dividiu o trabalho com Pozas (os dois também compuseram a trilha incidental da supersérie, disponível apenas em streaming).

“O Tiago Iorc já havia gravado ‘Tempo Perdido’ com voz e violão, que o diretor havia gostado bastante, mas achamos que uma nova releitura ia se adequar mais ao conceito musical da novela. Ele concordou imediatamente. O Johnny Hooker tem uma forma muito pessoal de interpretar as músicas e achamos que combinava bem com nossa proposta”, detalha Eduardo Queiroz.

COLECIONADORES
Numa ação de marketing da Som Livre, Maria Casadevall (que interpreta a Rimena na trama) chegou a autografar edições que foram entregues para os fãs que mais conversam sobre a supersérie pelas redes sociais da emissora. Colecionador de discos e criador do canal do YouTube Tonicomanel, dedicado a LPs raros, Manoel Filho curtiu a iniciativa da Som Livre e confirma que trilhas da época do selo espiral (ou “caracol”, como certos fãs de antigos LPs costumam chamá-lo) valem ouro no mercado internacional — e são procuradas por produtores e DJs.

“Manter o layout clássico da Som Livre no selo interno do vinil foi um acerto, já que a reclamação de quem compra este tipo de produto aqui no Brasil é a descaracterização”, diz ele, só torcendo o nariz para o preço do LP (R$ 89,90).

Mauricio Gouveia, da livraria Baratos da Ribeiro, de Botafogo, ofereceu três cópias do LP como brindes em eventos da loja. “E acredita que alguns clientes ficaram cantando a gente para comprar os discos?”, diverte-se, feliz pelo LP trazer músicas de Mutantes e Novos Baianos. “É a chance de ter em LP músicas de artistas cujos vinis, mesmo os relançados, são muito caros”.

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