Lili Rodriguez: o paizão Zeca

Veio uma onda de alto-astral e muitos sucessos que ele conta para a coluna, que o homenageia pelo dia dos pais...

Por O Dia

Rio - Jessé Gomes da Silva Filho é um homem que jamais fez corpo mole, foi feirante, camelô, office-boy, contínuo e anotador de jogo do bicho. O grupo Fundo de Quintal foi o primeiro a reconhecer o talento desse pagodeiro gente boa, quando gravou Amarguras’, de Zeca e Claudio Camunguelo. Aí, apareceu a madrinha Beth Carvalho que se encantou e gravou ‘Camarão Que Dorme A Onda Leva’. Veio uma onda de alto-astral e muitos sucessos que ele conta para a coluna, que o homenageia pelo dia dos pais...

Qual a lembrança marcante do seu pai?

Foram muitas coisas boas. Meu pai sempre foi feliz, não brigava e nem discutia com ninguém. Era um cara honesto, trabalhou muito para sustentar os cinco filhos. A lembrança que tenho dele é honestidade. 

Você perdeu seu fi lho Elias e seu pai, no mesmo ano. Como se revigorou?

Tem tanta dor que tenho passado, mas tenho que me revigorar, né? Com as músicas boas que escuto ou gravo, com as pessoas de bem, com os bons amigos...

Você é um iluminado?

 Olha, eu passo por muitas coisas e ainda assim não consigo ter raiva. Deus tem me dado muita força e continuo cantando feliz. Mesmo quando não tenho essa alegria, continuo subindo ao palco cumprindo a missão, de passar essa alegria.

Como é o Instituto Zeca Pagodinho?

Essa é a minha alegria: o paizão Zeca ACERVO ZECA PAGODINHO, cantor e compositor Instituto Zeca Pagodinho. Quem cuida é meu fi lho Luizinho e a minha empresária, Leninha Brandão. Eu gosto de olhar da janela e ver as crianças passando. Agora, temos cursos de informática, manicure, espanhol... Nós fi zemos uma parceria com a Fundec e a prefeitura de Caxias, e temos crianças estudando isso tudo. É legal para caramba! 

Fiz o Instituto para retribuir a vida pelo que ela me deu. Deus me deu tanta coisa e tenho que devolver um pouco isso. Você vê, são quase 200 crianças. A escolinha de música é minha paixão. Vamos voltar a ouvir de novo o som dos violinos, dos saxofones...

Eles já se apresentaram na Cidade da Música, fi zeram o musical ABC do Sertão, falando de Luiz Gonzaga... as crianças tocam muito, são muito engraçadas e divertidas.

O que te tira o sono?

A ingratidão, a falsidade, maldade e gente desonesta...

O Prêmio da Música Brasileira só aconteceu porque as pessoas ligadas ao setor se uniram. O que você acha dessa situação?

Essa festa tem de acontecer. Talvez, do jeito que o Brasil anda, vamos ter de pagar para
não deixar [de ter essa festa]. É uma festa muito linda e muito bacana, com ela o José Machline deu e dá oportunidade para gente nova que está começando. Por meio desse prêmio, minha vida foi andando mais. Através de outros prêmios também.

Qual foi o primeiro prêmio?

Acho que foi do Jorge Perlingeiro, no Asa Branca. Gostava de gravar o programa dele, só ia gente bacana do samba.

Você se preocupa com o futuro de seus fi lhos?

São quatro, Louis Carlos, Eduardo, Eliza e Duda, me preocupo, porque estão acostumados com o pai vivo. Eu não sei o que pode acontecer, como vai ser? Eles já se sustentam? Essa é minha preocupação. Eu me levanto e geralmente vou saber onde estão meus netos. Mas a minha alegria mesmo é esperar meus netos Noah e Catarina chegarem, para cortarem o meu embalo e mudar o canal de TV que estou assistindo. É tanta coisa ruim que prefiro ver ‘Chaves’.

O que você gosta de ouvir na música?

Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Martinho da Vila, Alcione, Beth Carvalho, Arlindo Cruz, Sombrinha... também escuto forró, música nordestina, porque faz aquele clima de Xerém. O quintal sempre está com bandeirinhas, barraquinhas, sempre tem.

Você tem alguma novidade para contar?
Parece que tem um filme meu rolando por aí... Cara, não sei de nada. Parece que
tem um musical também: ‘Zeca, o Pagodinho - uma História de Amor ao Samba’.

Como você reage ao momento conturbado do País?

Triste. Nós andamos com medo no Rio de Janeiro, que é o lugar mais lindo do mundo.É muito triste. A covardia que está acontecendo, dos dois lados: tanto da política quanto da vagabundagem. É uma zona tão grande que não sei quem tá errado e quem tá certo.

Como é trabalhar no exterior?

Já encontrei gente na Alemanha que me parou na rua e disse: “Não acredito! Vim de longe para ver seu show”. As pessoas choram e tudo.

Um sonho e um beijo ?

Ver meu Brasil mudar. Pode andar a pé pela rua. Ver todos na escola. O samba voltar a ter as escolas com seus ensaios. Beijo para meus filhos e todos aqueles que tratei como filhos.

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