'Puro Ney’ traz 24 músicas do repertório de Ney Matogrosso

Nas vozes e nas atuações de Soraya Ravenle e Marcos Sacramento pela estreia hoje na Gávea

Por O Dia

Ney Matogrosso Divulgação

Rio - É hora de revisitar. Ney Matogrosso volta aos tempos dos Secos & Molhados ao lado da Nação Zumbi no Rock In Rio e ganha agora um musical, ‘Puro Ney’, que estreia hoje no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea. A peça tem direção geral, roteiros, arranjo e direção musical de Luís Filipe de Lima, traz Soraya Ravenle e Marcos Sacramento cantando e atuando (acompanhados por banda) e faz um mergulho em 24 músicas importantes da obra de Ney.

Não há chance de que role apenas um mero cover de Ney - Soraya faz questão de dizer que o desafio foi dar uma cara própria ao trabalho, que inclui canções clássicas como ‘Homem com H’, ‘O Vira’, ‘Vereda Tropical’, ‘Bandoleiro’, ‘Balada do Louco’.

“Olha, quando o Luiz me chamou eu fiquei assustada, sabe? Cheguei a falar: ‘Nossa, por que você me convidou?’”, brinca a atriz e cantora, que já incorporou uma iniciante Carmen Miranda no musical ‘South American Way’. “Fazer qualquer coisa com a obra do Ney é brincar com fogo. Mas eu e o Marcos temos nossa assinatura. Vamos trazer o repertório para a gente. Homenageio o Ney, mas é o que cabe na minha voz”.

A peça não tem um enredo formal. Cada música é um quadro diferente dentro do todo. “Como se fossem cenas independentes”, conta Soraya.

IDENTIDADE

O mergulho da turma foi também na história e nas entrevistas de Ney. Da pesquisa, Luís Filipe surgiu com uma peça de cinco blocos. “No primeiro, buscamos resumir a identidade artística do Ney, o que ele traz para a gente. É um resumo de toda a trajetória. No segundo, temos um lado mais latino.

No terceiro, músicas que têm um viés mais existencialista, como ‘Rosa de Hiroshima’. Depois, um bloco com duas músicas da Carmen Miranda que ele regravou, e fechando, músicas que falam de amor e sexo, como ‘Amor Objeto’, ‘Homem com H’”, divide o diretor, avisando que as músicas escolhidas são alguns dos maiores hits de Ney, desde a época dos Secos & Molhados. “A exceção é ‘O Homem de Neanderthal’, que aparece no primeiro bloco. Pegamos em grande parte músicas que sabemos que o Ney lançou”.

O HOMENAGEADO

Ney não participou da elaboração da peça. Mas contribuiu encontrando com a turma do musical - Cynthia Graber, produtora de ‘Puro Ney’, é amiga dele, e foi ela quem lhe falou em primeiro lugar sobre o espetáculo. “Gravei vídeos, que serão usados na peça”, conta Ney Matogrosso, que não havia nem chegado a ver um ensaio geral do musical. “Sempre fica uma expectativa enorme. Estão falando de mim ali, né? Mas pelo que já soube, a ideia é que seja algo criativo em cima do meu trabalho, que não seja só uma imitação”.

LUZ PRÓPRIA

Justamente por ter ido além das músicas de Ney e chegado em sua trajetória, Soraya ressalta a “autoralidade” de Ney em seu trabalho, ainda que ele não seja um compositor. “Ele até fala: ‘Não se contentem comigo, sejam!’ O Ney é um cara que quebrou paradigmas e derrubou barreiras sem levantar bandeiras. Ele é como a Leila Diniz. Que bandeira que ela levantou? Ela foi para a praia de barrigão de grávida de fora, tinha aquela luz própria dela. E com o Ney, é a mesma coisa”, recorda.

Marcos Sacramento, Ney Matogrosso e Soraya RavenleDivulgação

VOLTA AO PASSADO

Ney também ganha uma biografia, escrita pelo jornalista Julio Maria, o mesmo autor de ‘Nada Será Como Antes’, sobre a vida de Elis Regina. Ney está colaborando com o processo e diz que, às vezes, é complicado voltar ao passado. “Te confesso que não tenho muita paciência de fi car voltando ao passado, de ir lá buscar minhas memórias. Não sou uma pessoa grilada nem preocupada. O Julio não vai nem me mostrar o livro. A única coisa que pedi ao autor é que tudo que está no livro seja verdade. Se for algo bom ou ruim, que seja verdade”, conta o cantor.

Julio conta bastante com Ney para checar e complementar fatos. “Tem histórias que ele não lembra. Algumas foram contadas por amigos ou pela irmã dele. Ele vai ter uma grande surpresa. O Ney foi vigiado pela ditadura. Achei documentos que ele nunca viu e acredito que ele vá descobrir muitos detalhes da própria história”, anima-se o jornalista, que calcula terminar o trabalho em dois anos (sai pela Companhia das Letras).

“O livro vai ser uma grande porrada. Vamos falar bastante do desapego material do Ney, do desprendimento dele. Por causa do pai militar, ele se mudou muito de cidade, deixou amigos para trás, e isso virou uma constante na vida dele. Com 15, 17 anos, ele brigou com o pai, saiu sozinho de casa e se alistou no exército”, conta. “Na adolescência, ele morou em Campo Grande (MS) e não tinha amigos. Passava o tempo todo em contato com a natureza, numa área afastada. É como se tivessem tirado o Ney dali e o colocado direto no palco. Nunca vai haver nada igual a ele”.

Ney sobe no Palco Sunset do Rock in Rio no dia 22 de setembro, para um show ao lado da Nação Zumbi. O repertório tem cinco músicas dos Secos & Molhados, além de material solo de Ney e da própria Nação. “Ainda não ensaiamos”, conta o cantor.


Últimas de Diversão