Baía de Guanabara inspira livro de contos de Nei Lopes

Realidade e ficção se misturam em "Nas águas desta Baía há muito tempo"

Por O Dia

Rio — A roda de samba da Rua do Ouvidor teve uma atração especial na tarde desta quinta-feira: o compositor e escritor Nei Lopes que, entre um gole e outro de cerveja, autografava exemplares de seu mais recente livro, 'Nas águas desta Baía há muito tempo". O volume, lançado durante o evento, traz uma seleção de 18 contos que têm a Baía de Guanabara como inspiração. Em frente à Livraria Folha Seca, sentado em uma mesa de plástico, Nei Lopes contou sobre os motivos que o levaram a compor a obra.

"Moro em Seropédica e, sempre que venho ao Rio, passo por cima da Baía de Guanabara pela Linha Vermelha. A partir de minhas leituras e pesquisas sobre a cidade, percebi que aquelas águas têm um peso histórico muito grande", diz Nei Lopes, que imaginou personagens e tramas a partir de fatos reais.

Nei Lopes cantou na roda de samba da tarde de autógrafos do livro "Nas águas desta Baía há muito tempo"Sandro Vox / Agência O Dia

A Revolta da Armada, por exemplo, costura todos os 18 contos do livro. A rebelião, em que militares da Marinha exigiram a convocação de eleições no governo de Floriano Peixoto, em 1893, é recriada pelo escritor ou relembrada por personagens em textos que misturam ficção e realidade.

"Os navios bombardearam as fortalezas do Exército e muita gente subiu os morros de Santa Teresa para ver o que pensavam ser alguma comemoração. No livro, há um conto em que uma festa em Paquetá tem que ser interrompida por causa dos bombardeios. Todos saem correndo", detalha o escritor.

Outro episódio histórico que aparece no livro é a Revolta da Chibata, de 1910, em que marujos se rebelaram contra os castigos físicos impostos por oficiais da Marinha.

"Criei um personagem que diz que o João Cândido, o líder da rebelião, foi morto durante a revolta e ressuscitado por ele", conta Nei Lopes, que utilizou elementos da escola literária do realismo mágico para escrever as histórias: "Leio muito os autores dessa corrente, como Gabriel García Márquez e Alejo Carpentier".

A roda de samba foi temática, com composições que tinham o mar como motivo. 'O mestre sala dos mares', de João Bosco e Aldir Blanc, abriu os trabalhos. Nei Lopes cantou 'O bom remador', de Wilson Moreira.

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