Carioca criado em São Paulo, Kiko Loureiro toca com o Megadeth no Rio

O Megadeth vem ao Rio com o show de seu 15º disco, ‘Dystopia’

Por O Dia

Rio - Guitarrista da banda norte-americana de heavy metal Megadeth (que se apresenta na quarta no Vivo Rio), o brasileiro Kiko Loureiro tem o maior sotaque paulistano - solta alguns “meu” ao conversar com O DIA, por exemplo. Mas o músico, que anteriormente tornou-se conhecido em todo o mundo como guitarrista da banda brasileira Angra, é carioca. Ele nasceu no Rio em 1972, e está felizão de vir à cidade - mas da qual saiu ainda na infância - com o Megadeth, que integra desde 2015. “A gente já veio ao Brasil, fez São Paulo, mas não fez Rio porque era na época da Olimpíada. Fizemos cerca de uns 200 shows nessa turnê e tocar com os caras aqui no Rio, trazer os americanos pra casa, é muito louco”, conta Kiko, que em 1991 estava na plateia do show do Megadeth no Rock in Rio.

Guitarrista do Megadeth desde 2015%2C KikoLoureiro elogia temperamental líder do grupo%2C Dave Mustaine. 'Ele é um doce. Mas é exigente. Você tem que fazer tudo direitinho'Divulgação

“O Megadeth era aquela banda que a gente torcia para não ficar famosa, porque só eu e meus amigos conhecíamos”, brinca. “Era a banda que tinha os melhores solos, guitarras muito bem trabalhadas. Eu gostava do Marty Friedman, que era o guitarrista da formação clássica do grupo. Tinha até um disco solo dele. Na minha adolescência, não se achavam muitos discos deles por aqui. Era o grupo que os amigos recomendavam
um para o outro”.

EXIGÊNCIAS
O Megadeth vem ao Rio com o show de seu 15º disco, ‘Dystopia’. Na formação, dois fundadores do grupo, o líder Dave Mustaine (voz, guitarra) e David Ellefson (baixista, retornou para o grupo apenas em 2010 após alguns anos de afastamento). Kiko, na guitarra solo, entrou em 2015 e o belga Dirk Verbeuren está na bateria desde o ano passado. Dirk era o eventual substituto do então batera da banda, Chris Adler, que é também músico da banda de heavy metal Lamb Of God (e dividia o tempo entre as duas bandas). Kiko, acostumado a liderar e compor em projetos pessoais, diz estar acostumado com o estilo do vocalista Dave Mustaine, tido como um sujeito difícil e temperamental por vários amigos e colaboradores.

Mustaine, antes do Megadeth, foi o primeiro guitarrista solo do Metallica - mas foi convidado a se retirar da banda antes da gravação do primeiro álbum (alegadamente, por se exceder no álcool - o músico está livre de vícios há vários anos). “Dave é um cara exigente, quer que todo mundo tenha a mesma dedicação e o mesmo pique que ele, a mesma visão que ele tem.

Como ele era quando novo, eu não sei. Mas se ele hoje aos 56 anos tem essa energia, imagina lá pelos 20 anos, né?”, conta Kiko, que ao entrar para o Megadeth, conheceu as famílias, leu biografi as da banda e conheceu muita coisa que não sabia. E foi muito bem aceito pela comunidade. “Eu era fã, mas não daqueles que vão para encontros com o artista no camarim, conhecia a banda e só. Hoje, conheço tudo, óbvio. E é legal ter contato com os fãs da banda que nem eram fãs do Angra. Estou me relacionando com fãs novos, brasileiros inclusive”.

EMPATIA
Kiko diz que não basta tocar guitarra bem para estar no Megadeth. “Eu mesmo, como parte do Angra, criei esse olhar: de dar pitaco na luz, no som, uma coisa 360º, estar sempre querendo melhorar. O Dave não tem paciência com quem não está nessa pegada. Mas se você fizer tudo direitinho, o cara é um doce. Tem uma coisa de empatia bem forte, tipo ‘Kiko, tô sentindo que você não tá bem, se precisar tô aqui, pode me ligar’. Eles (a banda) também me ajudaram bastante nas burocracias da vida, eles mesmos se prontificaram  a me ajudar”, recorda.

“O Dave também costuma dizer que o que sai da boca dele, ele nem sabe”, continua, rindo. “É uma coisa de cara que foi criado na rua, de falar na hora. Às vezes, ele até
pergunta se falou besteira, se estava tudo bem. Outro dia mesmo, ele estava num show pedindo um minuto de silêncio para as vítimas daquele atentado em Las Vegas (quando um atirador atacou durante um festival de música country). E tem umas pessoas que sempre zoam nessas horas, né? Ele apontou para a cara de um sujeito que estava fazendo barulho e mandou uma para ele na hora: ‘Vai gritar lá na casa da sua mãe!’. É o tipo da coisa que eu teria pena de fazer, acho que não pegaria o microfone para dar um corte num cara desses”.

POLÍTICA
Kiko conta que, entre um show e outro, ele, Mustaine e Ellefson conversam sobre política. E rola de ele tentar explicar aos amigos como funcionam as coisas no Brasil. “Ano passado, teve o impeachment e eu contei um pouco para eles. Na época, estava tendo a eleição do Trump e os caras são totalmente american way of life, aquela coisa de ‘a América é o melhor lugar do mundo’. O Ellefson é o cara que gosta de ouvir as opiniões mais abertas”, conta Kiko. “Eu falo pra eles que o que acontece de um determinado jeito nos EUA, se você aumentar o dobro, vira o Brasil. Para eles, os problemas daqui nem são novidade. Quando os caras vêm aqui e veem uma favela, ficam chocados”, revela.

NO PIANO, KIKO
“O Megadeth sempre teve dois guitarristas, desde o começo. Kiko foi contratado pela banda por, entre outras razões, trazer muita energia no palco - o que já é uma tradição do Megadeth -, ter conhecimento de jazz e ainda ser um bom pianista. Ele até toca em ‘Poisonous Shadows’, do novo disco”, conta Dave Ellefson, cofundador do grupo, ao DIA, falando sobre uma das três músicas que Loureiro co-escreveu em ‘Dystopia’.

BANDA DE EX-SLIPKNOT

O Megadeth toca amanhã no Espaço das Américas, em São Paulo, e na quarta no Vivo Rio. Nos dois shows, tem a abertura do Vimic, grupo liderado pelo ex-baterista do Slipknot, Joey Jordison. O grupo é uma enorme novidade para os fãs de metal: o primeiro disco, 'Open Your Omen', sai apenas no começo de 2018. Jordison está recuperado após ter passado por maus bocados com uma doença chamada mielite transversa aguda. Depois de um período de reabilitação, conta ter alcançado um nível diferente na bateria.

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