‘Ayrton Senna - O Musical ’ leva ao palco a trajetória do ídolo da Fórmula 1

Peça fica em cartaz até 4 de fevereiro no Teatro Riachuelo, na Cinelândia

Por O Dia

Hugo Bonemer como Aryton Divulgação

Rio - São 23 anos sem ouvir ‘Ayrton Senna do Brasil!’, a frase que ficou eternizada na voz do locutor e amigo Galvão Bueno nas vitórias do piloto nas manhãs de domingo. E que surgia sempre ao som do ‘Tema da Vitória’, acessando a memória afetiva de cada um em relação ao ídolo.

Mas a partir de hoje, o público vai poder se emocionar e relembrar um pouco da história de Senna no teatro. Em cartaz até 4 de fevereiro no Teatro Riachuelo, na Cinelândia, ‘Ayrton Senna - O Musical’ faz um recorte da trajetória do tricampeão brasileiro de Fórmula 1, vivido no espetáculo pelo ator Hugo Bonemer.

“Foi o teste mais difícil que já fiz”, comentou Bonemer, que está em cena com 24 atores, cantores, bailarinos e acrobatas, dirigidos por Renato Rocha. “Buscava um ator que me emocionasse e o Hugo me emocionou com o olhar. Me lembrou o do Senna pelo capacete”, diz Renato.

“As pessoas perguntam por que um musical. Na verdade, os sons têm tudo a ver com o universo do Ayrton. Ele escutava e sentia um carro como ninguém. Todo o universo de motores, sons de carros, isso é música para os pilotos. Queríamos trazer essa experiência”, completa o diretor.

Hugo revela que, quando soube da escolha para viver o ídolo, sentiu uma mistura de euforia e medo. “Não é um personagem. Não estou criando ninguém aqui. É um trabalho que tem que ser feito com muito respeito e carinho. Perceber qual é a imagem que as pessoas têm do Ayrton e pegar isso com respeito. Estou mexendo com o imaginário popular. O maior medo é não estar sendo carinhoso o sufi ciente para contar essa história”, esclarece. “Estou muito emocionado de ver o olhar das pessoas para esse trabalho.

Ele gera uma empatia imediata. Escutam o nome do Ayrton e abrem um sorriso. Estão buscando ele no meu rosto, isso emociona”. Para o ator, a maior lição que fi ca do campeão é a da persistência e dedicação com que perseguia seus objetivos. “É uma história de vida inspiradora. E o país precisa disso”.

A reportagem do DIA viu algumasb cenas da montagem, que nãobn se propõe a ser uma biografi a linear e deseja criar uma atmosfera que busca a emoção e a memória de cada um com o ícone, inspirando valores e sentimentos. “Todo brasileiro tem uma relação afetiva com o Senna. Nossa história começa no espectador. Vamos convidá-los para uma experiência sonora e sensorial”, promete o diretor.

O que se viu na sala de espetáculos foi a velocidade e o risco constante presentes na vida do piloto representados por números aéreos, música, sons e iluminação em cenas impactantes. “O circo traz essa sensação de velocidade desse cara que voava na pista”, elucida Renato.

Ayrton Senna%2C o MusicaDivulgação

“E lá, assim como na rotina do Ayrton, os artistas colocam a vida em risco a cada apresentação. Ele via a vida a 300 quilômetros por hora pelo visor de um capacete. A ideia é levar o público para pista”, conclui.

O texto de Claudio Lins e Cristiano Gualda (autores também das músicas da trilha) traz grandes momentos da carreira e da vida do mito e se passa durante as últimas cinco voltas de Ayrton na pista de Ímola, em 1994. Durante esta grande corrida, vemos Senna encarar novamente os obstáculos que fizeram dele o maior piloto do mundo e reviver os seus grandes e emocionantes momentos na Fórmula 1. “É incrível contar a história de uma pessoa comum que virou um herói nacional. O país precisa de referências nesse momento”, diz Claudio.

SEM POLÊMICAS

O diretor esclarece que a opção de não retratar no espetáculo os relacionamentos do piloto com Xuxa Meneghel e Adriane Galisteu não partiu em nenhum momento da família. “Não foi um pedido deles.

Partiu de mim, foi uma escolha da direção. Quando os autores trouxeram o texto, sabia que ali era uma potencial polêmica, e deixamos de fora. E não é para ser uma biografia linear, não é a ideia”, lembra. “A família foi respeitosa em todas as contribuições. Só foram mais exigentes em relação à confecção do capacete, que era uma marca muito forte dele. É como se fosse o Senna.

A cor, tudo teve que ser exatamente  igual ao original. Queria o mesmo cara que fez o dele, mas não conseguimos. Então, mandamos para um fabricante”, confidencia.

O diretor e todo o elenco estão ansiosos pela reação da família. “Foi emocionante. E a relação com a família foi interessante. Gostaram das minhas escolhas. Só não viram pronto ainda. Estamos torcendo para que gostem”.

Serviço

TEATRO RIACHUELO RIO. Rua do Passeio 40, Cinelândia (2533-8799). Qui e sex, às 20h30; sáb, às 16h30 e 20h30; dom, às 19h. De R$ 70 a R$ 150 (preços por dia e localização na plateia). 2h20 (15 min intervalo). Livre

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