Vinho sem mistério: a cozinha na entrada?

Estamos vivendo no mundo em que degustar uma prova de vinhos ou jantar diferenciado se transformou numa odisseia no espaço

Por O Dia

Rio - Antigamente a divisão de espaços de um restaurante era o tradicional: salão na entrada, bar visível e cozinha escondida lá no fundo. Tanto que muito freguês "de antigamente" frequentou muitos restaurante e nunca viu a cozinha. Nem o cozinheiro.

Estamos vivendo no mundo em que degustar uma prova de vinhos ou jantar diferenciado se transformou numa odisseia no espaçoDivulgação

Hoje é impensável um restaurante estrelado não ter um verdadeiro showroom bem à mostra, onde chefs trabalham como num palco para serem contemplados por todos. E como o nível de exigência dos consumidores cresce no ritmo desenfreado dos avanços tecnológicos, quase nada mais surpreende. Dia desses, numa degustação de vinhos chilenos no Leblon, o enólogo andino tirou um celular do bolso e mudou a temperatura da sua cave principal no Vale do Maipo, a quatro mil km de distância.

E todo mundo achou a coisa mais natural do mundo. Ou seja: estamos vivendo no mundo em que degustar uma prova de vinhos ou jantar diferenciado se transformou numa odisseia no espaço, em que a comida e a bebida não são mais o insumo natural da alimentação: são uma arte, um estilo de vida.

Qual o próximo passo? Acho que uma volta radical à comida de pensão, com arroz, feijão, tutu e o Ivon Curi "feijão, feijão, feijão"?

Reinaldo Paes Barreto é consultor de vinhos e gastronomia

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