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Programa Praia para Todos oferece a pessoas com deficiência a chance de aproveitarem as delícias da água do mar

Por O Dia

Rio - Quem não gosta de curtir aquele delicioso banho de mar para refrescar o calor? Mas e quando a pessoa tem alguma dificuldade de locomoção? Pensando nas dificuldades de portadores de deficiência física para realizar o passeio tão comum nesta época do ano — ir à praia — que Nena Gonazales criou o projeto Praia para Todos, uma iniciativa para promover a integração do deficiente com os esportes ao ar livre.

“Ir à praia com o Ricardo era um caos, mas ele queria muito, ama o mar”, conta Nena, sobre o filho Ricardo Gonzalez. O rapaz — que era surfista — sentiu na pele as dificuldades de continuar frequentando a praia assiduamente, depois que um acidente o deixou tetraplégico. Foi o próprio rapaz quem teve a ideia de criar o programa. “Ele achou justo todos terem a oportunidade de entrar no mar. Começamos só com o banho, depois implantamos esportes adaptados como vôlei, frescobol e, este ano, o stand up paddle”, diz Nena. Ela conta com voluntários, desde fisioterapeutas até profissionais de Educação Física.

Cadeirante%2C Irapuã é levado ao marMaria de La Gala / Agência O Dia

Irapuã da Cunha, 51 anos, sempre foi à praia antes de ser cadeirante, mas passou 15 anos sem sentir a água do mar, até conhecer o projeto. “Comecei com o banho de mar, provei o stand up paddle. Damos mais valor a ir à praia quando é mais difícil. Voltei a ter a sensação de liberdade, de viver”, afirma ele. Em gratidão, levou bolo para os que trabalhavam no local.

A previsão é atender 30 deficientes por dia, com banhos que duram de cinco a dez minutos. O deslocamento também foi bem pensado. Os organizadores montam duas esteiras de aço e plástico, cedidas pela empresa Michelin. Elas são estendidas entre o calçadão e a tenda do programa.

Emoção ao ver o filho no mar

Aos 15 anos, Lucas de Araújo, tem amiotrofia espinhal progressiva. Mas a dificuldade não o impede de querer estar em contato com a natureza. O jovem descobriu o projeto com a mãe, Elisete Araújo. A alegria pelo banho de mar foi tanta, que Lucas dispensou a cadeira anfíbia. “Ver meu filho e outros terem a oportunidade de se divertir desse jeito, me deixa sem palavras”, disse a mãe. 

Irapuã curte stand up paddle%3A “Recuperei a sensação de liberdade”Maria de La Gala / Agência O Dia

Cadeirante há 18 anos, mas com muito bom humor, Paulo Emílio, 63, afirma que frequentar a praia ficou mais fácil. “A praia é um centro de convivência democrático, tem que ser para todos. Amo o esporte. Se não tiver isso eu morro”, afirma o aposentado, que pratica frescobol adaptado e pede até aplausos no final da performance.

Integração com a natureza

O projeto Praia para Todos atende por dia, em cada praia, às necessidades de cerca de 50 pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Desde o início do programa foram beneficiadas em torno de 5 mil pessoas direta e indiretamente. São promovidos banhos de mar com cadeiras anfíbias e esportes adaptados.

“A ideia é que esse número aumente. Queremos elevar a integração da pessoa com deficiência com a natureza e o esporte e promover mais sociabilidade”, diz a coordenadora Regina Gonzalez. As atividades são realizadas no posto 3 da Praia da Barra da Tijuca, e entre os postos 5 e 6 da orla de Copacabana. O projeto funciona sábados e domingos, das 9h às 14h, até abril. Todas as atividades são gratuitas.