Por raphael.perucci

Bandeira Brasil era um desses Portelenses que fazem da escola o gigante que ela é. Não que tivesse composto grandes sucessos, não foi seu caso. São compositores da periferia de Madureira que gravitam em torno da Portela, compondo sambas de amor a ela e disputando samba enredo.

Bandeira é uma prova de que o samba vai bem, o sambista vai mal. Tinha a vida difícil do sambista, como Ratinho, que não cantava convincentemente; encontrava grande dificuldade para mostrar seus sambas em um cenário cada vez mais escasso de intérpretes.

Assim, quem sabia cantar que se virasse, quem não sabia que buscasse, ou inventasse, seus próprios espaços.

Assim foi seu amigo Ratinho, com centenas de sambas compostos, pelo menos dezenas de obras tão formidáveis quanto desconhecidas até hoje.

Bandeira Brasil morreu nesta quintaDivulgação


Marquinhos de Oswaldo Cruz inventou o Pagode do Trem, a Feijoada da Portela, a Feira das Iabás. E assim mostra sua obra por aí, inventando espaços.

Bandeira partiu para esse caminho, promotor cultural depois do ocaso dos lendários pagodes do Cacique, onde se criou.

Foi assim com o Bonde do Samba, em Santa Tereza, foi assim com a Procissão do Samba que ainda buscava consolidar.

Andava pelas rodas da cidade cantando sua obra, representando, com imenso orgulho, a massacrante hegemonia de compositores ligados à Portela. Foi assim que participou do primeiro CD do “Samba do Trabalhador” com seu “Lágrimas de Fogo”.

Gravou seu próprio CD "A Cor do Samba", com o melhor de sua obra com sua própria voz. Em quase uma centena de gravações foi cantado por Beth, Elza, Fundo de Quintal, Jovelina, inúmeras vezes por Zeca Pagodinho.

Foi parceiro de Guineto, Beto Sem Braço, Arlindo Cruz.

Morre agora sem poder ter a esperança de novos tempos de sua querida Portela, presidida por seu “cumpadi” Serginho Procópio.

Mas foi sambista de verdade, integrante da ala de compositores da Portela.

Viveu o momento mágico-histórico do Cacique.

E foi parceiro de Ratinho e de Nelson Cavaquinho. Não pode haver glória maior.



* Luis Carlos Magalhães é colunista do site Carnavalesco. O artigo foi publicado no site, originalmente, no dia 31 de maio

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