Rio - A quadra da Mangueira foi reinaugurada ontem, após três meses de reforma. A festa começou às 10h com a lavagem das escadarias do Palácio do Samba pelas baianas da comunidade, que levaram água do mar, alfazema e alecrim para purificar e perfumar o local. Cantando ‘Mangueira, teu cenário é uma beleza’, o hino-exaltação da Verde e Rosa, elas desceram os degraus dançando, jogando água de cheiro e distribuindo palmas.
Depois, foi a vez do local ser abençoado por um padre. Do lado de fora, a festa terminou ao som dos atabaques, com todos entoando cantos aos orixás. Dentro, a comemoração foi com feijoada e muito samba.
“É uma quadra como sempre sonhamos. Estamos trazendo os mangueirenses de volta, os grandes personagens. Há pessoas que não vêm aqui há mais de quatro anos. É um novo modelo de gestão”, comemorou o presidente da agremiação, Chiquinho da Mangueira. A reforma da quadra, que inclui novos camarotes, banheiros e o teto retrátil, que voltou a funcionar, custou R$ 1 milhão. E foram gastos outros R$ 490 mil nas obras do barracão. Segundo Chiquinho, o custo foi bancado por empresários mangueirenses.
Foram inaugurados, ainda, os quiosques em frente à quadra. Eles substituíram as antigas barracas. “Elas eram feias e anti-higiênicas”, lembrou o presidente. O coreógrafo Carlinhos de Jesus, a porta-bandeira Squel Jorgea, e a carnavalesca Rosa Magalhães, outras novidades esse ano na agremiação, estiveram presentes na inauguração.
E a festança de sábado em nada lembrou o clima tenso, que inclui até assassinatos, que a escola viveu desde 2011, durante a gestão Ivo Meirelles, ex-presidente. Ele foi acusado de desvio de verba e ainda foi indiciado por associação ao tráfico de drogas. Em fevereiro, três pessoas ligadas à Mangueira foram mortas. A suspeita era de disputa política dentro da escola.