Samba no coração da família

Mãe e irmã de Dudu Nobre se unem a ele na missão de colocar Mocidade de volta no topo

Por O Dia

Rio - ‘Esta família é muito unida e também muito ouriçada”. O verso da música de Dudu Nobre cai como uma luva na casa do sambista. Movido pela mesma paixão, a Mocidade Independente de Padre Miguel, o clã dos Nobre deu as mãos em prol do resgate da escola. Cada um fazendo a sua parte, mãe, filha e filho arregaçaram as mangas para fazer a Verde e Branca voltar a brilhar no Carnaval.

Dudu%2C Lucinha e Anita%2C reunidos na casa do cantor%2C celebram nova fase Fernando Souza / Agência O Dia

Nomeado diretor musical, Dudu emplacou seu primeiro samba na agremiação, ‘Pernambucópolis’. A irmã Lucinha, premiada porta-bandeira, volta a sustentar o estandarte da Mocidade depois de 11 anos desfilando com outras cores. Anita, a matriarca, faz parte da história da agremiação e foi a maior incentivadora para reunir a família na escola de coração.

“Sempre os apoiei onde foram, mas pedia para voltarem. Essa é a escola deles, a nossa vida é a Mocidade”, resume Anita, que desde 1970 já desfilou como passista, baiana e integrante de ala. Hoje, componente da Velha Guarda, foi ‘líder’ da torcida para que o samba do filho fosse vitorioso.

A casa do cantor, na Barra da Tijuca, fica pequena para as reuniões da família de bambas. Ali, todo mundo canta, todo mundo samba, e não pode faltar uma camisa da Verde e Branca ou alguma lembrança ou história engraçada de outros carnavais. Até o pequeno João, de 2 anos e meio, filho de Dudu Nobre, já fica todo feliz ao agitar uma bandeirinha da escola.

O apelo da mãe e dos amigos fez Lucinha se render. Quando ouviu o som da bateria ‘Não Existe Mais Quente’ ecoar na Sapucaí este ano, o coração de Lucinha bateu no mesmo compasso. “Vi que era a hora de voltar. Essa conjunção é única e a união faz toada a diferença no desfile”, aposta a porta-bandeira. Ela e o parceiro, Rogério, já terminaram a coreografia que vão apresentar e aumentaram os ensaios para quatro vezes na semana.

Desde criança, o cantor sonhava ter sua música tocada na Mocidade. Aos 17 anos, escreveu um samba-enredo, mas a frustração de não emplacar o fez passar anos sem tentar novamente. Depois do Carnaval deste ano — quando a escola amargou o penúltimo lugar — o sambista viu que era hora de voltar e ajudar a Mocidade a se recuperar.

“O que vivemos hoje é a realização de um sonho de infância. Resgatamos o orgulho do torcedor da Mocidade, muita gente que estava afastada está voltando. A Mocidade está se reerguendo. Vamos voltar entre as campeãs”, promete Dudu.

Bateria vai inovar em 2014

A empolgação com o enredo que retrata Pernambuco fez a Mocidade se encher da garra típica do nordestino e trazer para o desfile a beleza da música regional. A bateria promete surpreender o público da Sapucaí ano que vem ao incorporar ao samba os ritmos tipicamente pernambucanos, como o forró, o maracatu e o frevo. A mistura foi testada na gravação do CD Sambas Enredo 2014.

E os talentos da escola mirim Estrelinha também vão começar a despontar na Mocidade. Dudu quer garimpar um grupo para ficar na reserva dos intérpretes durante o desfile.