Os 30 anos da Sapucaí: as homenagens a ícones da cultura brasileira

Figuras como Roberto Carlos, Bibi Ferreira, Luiz Gonzaga, entre outros, foram retratadas no Sambódromo. Carnaval deste ano também terá enredos biográficos como uma das atrações

Por O Dia

Rio - Os 30 anos do Sambódromo guardam grandes lembranças. Nomes marcantes já foram homenageados no Carnaval e tiveram suas vidas retratadas na Passarela do Samba, como ícones da música, da televisão, do teatro... O palco da folia também conviveu com biografias de astros e estrelas contadas com uma pitada de samba. Em três décadas, personagens se eternizaram ainda mais na Avenida.

>>> FOTOGALERIA: Alguns dos grandes homenageados nos 30 anos do Sambódromo

Roberto Carlos foi o enredo da Beija-Flor no título de 2011Alexandre Brum / Agência O Dia

Mais que contar uma história nas cores da folia, carnavalescos se arriscam a retratar a vida de ícones de um modo diferente. Recentemente, Roberto Carlos e Luiz Gonzaga foram os homenageados que mais deram sorte. Em 2011, a Beija-Flor contou a história do Rei e ficou com o título do Grupo Especial. No ano seguinte, Gonzagão foi a bola da vez e viu a Tijuca ser campeã ao transformar a Sapucaí num grande baião.

A história vai se repetir em 2014. O trigésimo aniversário do Sambódromo também vai contar com homenagens a grandes nomes da história do Brasil. Zico, Ayrton Senna, Maysa, Fernando Pinto e Boni serão retratados na Sapucaí pela Imperatriz, Tijuca, Grande Rio, Mocidade e Beija-Flor, respectivamente. As escolas prometem fazer da Avenida um verdadeiro túnel do tempo para relembrar a vida e arte desses ícones. Relembre ícones que foram homenageados na Sapucaí:

Estreia com ouro para Braguinha

A inauguração do Sambódromo contou com um verdadeiro show da Mangueira. O enredo "Yes, Nós Temos Braguinha", desenvolvido por Max Lopes em 1984, fez da Verde e Rosa a melhor escola do primeiro dia de desfiles e também da apresentação no sábado das campeãs. A homenagem a Braguinha fez a Estação Primeira ser aclamada pela Sapucaí, onde foi consagrada supercampeã. Depois de Braguinha, Dorival Caymmi e Carlos Drummond de Andrade foram os homenageados da Mangueira em 1986 e 1987 e os artistas também consagraram a escola como campeã. A trilogia de enredos biográficos deu um início arrasador para a agremiação na Passarela do Samba.

Supercampeonato da Mangueira foi com enredo sobre Braguinha em 1984Arquivo

Tributo ao mestre Pamplona

O Salgueiro tem sua história entrelaçada ao nome de Fernando Pamplona. Um dos maiores ícones do Carnaval, o artista desenvolveu mais de dez desfiles da Vermelha e Branca e foi o tema principal em um dos momentos históricos da escola. Em 1986, uma comissão formada por Ney Ayam, Mário Monteiro e Yarema Ostrower se responsabilizou por desenvolver o enredo "Tem que se Tirar da Cabeça Aquilo que Não se Tem no Bolso - Tributo a Fernando Pamplona" e deu ao Salgueiro o sexto lugar. Na época, Pamplona se mostrava contrário à homenagem que a escola preparava. No entanto, a apresentação da comissão de frente, formada por grandes amigos do carnavalesco, emocionou o artista. Os grandes carnavais desenvolvidos por Fernando Pamplona foram revisitados no desfile.

Humor e quebra de protocolo na Cabuçu

A Unidos do Cabuçu viveu sua melhor fase no Carnaval nos anos 80. A Azul e Branca esteve seis anos consecutivos no Grupo Especial antes de viver uma verdadeira derrocada. Em 1988, a escola homenageou os Trapalhões e fez um de seus desfiles mais emblemáticos. Os humoristas liderados por Renato Aragão marcaram presença no desfile e quebraram o protocolo ao desfilarem no chão em vez de alguma das alegorias da escola. Na ocasião, o desfile desenvolvido pelo carnavalesco Alexandre Louzada ficou na 15ª posição. O tema biográfico, no entanto, não foi novidade na agremiação, que também homenageou Roberto Carlos, Milton Nascimento e Xuxa em sua passagem pela elite do Carnaval.

Surpresa e ousadia de Dercy

Em 1991, a Viradouro foi a grande surpresa do Carnaval. A escola de Niterói homenageou a atriz Dercy Gonçalves, que desfilou no primeiro carro da escola com os seios à mostra. Na ocasião, o desfile foi bastante elogiado pela crítica e garantiu a sétima colocação logo em seu primeiro ano no Grupo Especial após retornar ao Carnaval do Rio em 1986 (ficou cinco no grupo de acesso).

Dercy protagonizou surpreendente desfile da Viradouro em 1991Samuel Martins / Agência O DIA

Mangueira triunfa com Chico Buarque

Após a trilogia de vitórias com enredos biográficos nos anos 80, a Mangueira voltou a fazer uma boa aposta em 1998. Chico Buarque foi o homenageado da vez e a Verde e Rosa voltou a ser campeã após 11 anos. Mesmo se deparando com a polêmica de ter escolhido um samba de uma parceria paulista, a Estação Primeira fez um desfile de primeira e garantiu o título ao empatar com a Beija-Flor, que desfilou com o enredo "Pará: O mundo místico dos Caruanas nas águas do Patu-Anu".

Homenagens no início do novo século

Após o Carnaval no qual as escolas homenagearam os 500 anos do descobrimento do Brasil (2000), Grande Rio e Tradição resolveram dar início aos enredos livres dos anos 2000 com grandes biografias. No Carnaval de 2001, as escolas levaram as histórias de Gentileza e Silvio Santos para a Sapucaí, respectivamente. A escola de Caxias retratou a história de José Datrino, um ex-empresário de Niterói que se tornou personagem popular no Rio, quando enlouqueceu em 1961, ao saber do incêndio em um circo em sua cidade, com mais de 500 mortos. O desfile foi conturbado e a Tricolor chegou a desfilar com um carro a mais do que o permitido, já que uma de suas alegorias acabou tendo de ser desacoplada. O lado positivo ficou por Eric Scott. O dublê americano voou sobre a Sapucaí, com um foguete portátil de US$ 120 mil nas costas, e levou o público à loucura no encerramento da apresentação da escola, que ficou com a sexta colocação.

Enquanto a Grande Rio enfrentou as dificuldades para alcançar o sexto lugar, a Tradição chamou a atenção da Sapucaí. A Azul e Branca desfilou com o enredo "Hoje é domingo, é alegria. Vamos sorrir e cantar", homenageando o apresentador Silvio Santos. O desfile contou com a presença de grandes nomes do SBT, como Gugu Liberato, Hebe Camargo e Lombardi e a escola ficou com a oitava colocação. Silvio marcou presença desfilando em um dos carros da agremiação.

Diva do teatro na Passarela do Samba

Foi em 2003 que Mauro Quintaes fez sua estreia na Viradouro. E o momento foi mais do que especial. O primeiro dos três Carnavais de Mauro na Vermelha e Branca homenageou a atriz Bibi Ferreira. Na época, a escola retratou os até então 60 anos de carreira da atriz, desde os programas de televisão até as peças de teatro. O enredo “A Viradouro canta e conta Bibi, uma homenagem ao teatro brasileiro” levou a escola ao sexto lugar. Porém, muito mais que a colocação no espetáculo, a agremiação guarda o último carro de seu desfile como um de seus momentos mais emblemáticos. Aos 80 anos, Bibi desfilou na alegoria "O legado de Procópio Ferreira". A homenageada estava fantasiada de colombina.

Xuxa levou a Sapucaí ao delírio no último carro da Caprichosos em 2004Arquivo

Caprichosos vai de Pitanguy a Xuxa

Marcada por sua irreverência, a Caprichosos de Pilares também já desfilou pela Sapucaí com enredos biográficos. Em 1999, a Azul e Branca passou pela Passarela do Samba com uma grande homenagem ao cirurgião plástico Ivo Pitanguy. Ele foi o tema do primeiro Carnaval desenvolvido por Etevaldo Brandão e deu à escola a tímida nona colocação. De outro lado, após ter se destacado na Porto da Pedra, Cahê Rodrigues chegou à Caprichosos em 2004 e foi o responsável por desenvolver o Carnaval sobre a Rainha dos Baixinhos. Xuxa também foi homenageada pela escola e teve papel principal na preparação. A apresentadora chegou a participar da escolha do samba e desfilou no último carro da agremiação. No entanto, o enredo "Xuxa e Seu Reino Encantado no Carnaval da Imaginação" não embalou da maneira como era esperado e acabou vendo a escola ficar na penúltima colocação.

Vila e os 100 anos de seu poeta

O centenário de Noel Rosa não foi esquecido pela escola de seu bairro. A Vila Isabel levou para a Sapucaí o enredo "Noel: a presença do poeta da Vila" no Carnaval de 2010, sob o desenvolvimento do carnavalesco Alex de Souza. O desfile que resultou no quarto lugar da Azul e Branca marcou também um ano de novidades para a agremiação. Após 30 anos, a bateria da escola deixou de ser comandada por mestre Mug para dar lugar a Atila Gomes, que permaneceu até o desfile de 2011. Além disso, Martinho da Vila voltou a compor um samba para o desfile da agremiação, o que não acontecia desde 1993, com o tema "Gbala, viagem ao templo da criação". Num estilo mais conservador, a obra de Martinho gerou um misto de críticas e elogios, mas marcou a Sapucaí ao contar a história de Noel Rosa com a "energia da Vila Isabel".

Noel Rosa foi o enredo da Vila em 2010Ricardo Almeida / Divulgação


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