Por daniela.lima
Luís Pimentel%3A Causos de barDivulgação

Rio - Pato Rouco
Bar Belmiro, em Botafogo, na roda de samba de Paulinho do Cavaco e grupo Tocando a Vida. Estou na mesa com os amigos Sylvinho Christiano e Ernesto Pires (que acabara de dar uma canja), quando chega Pato Rouco, o maluco beleza da área:
— Ernesto, me arruma R$ 2,75.
— Pra quê, Pato?
— Preu pegar o ônibus e ir em casa, buscar o meu RioCard.
— Pra que isso, cara?
— Pra voltar aqui e ver você cantar mais.
Na despedida, ainda mandou essa:
— A luta antimanicomial tem manifestação marcada. Conto com as presenças de vocês.
Só mesmo em mesa de bar.

A Técnica do João
Conta o folclore da música brasileira que o grande compositor João Nogueira (1941-2000) cumpria temporada de shows pelo Nordeste quando foi surpreendido (?) no boteco mais próximo por uma fã.
Pergunta da moça:
— João, como você consegue cultivar essa voz tão sua, tão marcante, tão impostada e ao mesmo tempo tão suave? Que técnica você usa?
Resposta do malandro:
— Muito conhaque, muita cerveja e cigarros à vontade...

Perguntou, Ouviu
Fotografei o tipo saindo do metrô no Largo do Machado. Jornal debaixo do braço, dobrado na página central do ‘Ataque’, bigodinho bem aparado, olhando pros lados como se procurasse vítimas. Atravessou a rua, entrou na Adega e encostou-se à mocinha que tomava o seu vinho pensativa:
— Conheço você não sei de onde.
A resposta da moça foi nota dez:
— Melhor mesmo nem saber.

Perguntou, ouviu 2
Alfredinho, dono do Bip-Bip, templo da música brasileira e do alto-astral em Copacabana, é conhecido pelo mau humor e pela tolerância quase zero. Dia desses estava lá, bebericando o próprio estoque, meio de saco cheio das aporrinhações, quando chegou um freguês que tem fama de chato.
— Tá doente, Alfredo? — foi logo perguntando.
— Claro que não! Por quê?
— Porque vi você saindo da farmácia.
E o Alfredinho, de trivela:
— Ah, é? Se eu estivesse saindo do cemitério estaria morto?

Passa a régua
Chegou como quem vem de um samba do Chico, andando de viés e caindo pelas tabelas, sentou-se na mesinha de mármore e encarou o Português:
— Vende fiado?
O patrício apontou a plaqueta de papelão, pendurada na parede:
FIADO SÓ AMANHÃ.
— Aguardo aqui, Seu Manuel. Não tenho para onde ir mesmo...

Saideira
Não se vanglorie da quantidade de misturas que é capaz de fazer. Traçado difícil de engolir é custo de vida com salário mínimo; mas muita gente boa ainda está nessa, e sem poder sequer dividir com o santo.

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