Por daniela.lima

Rio - Em seu terceiro ano, o projeto musical capitaneado pela empresa de cosméticos Nivea, o ‘Nivea Viva’, adianta o centenário do samba — que se comemora apenas em 2016 — e chega na frente em 2014, com um show reunindo um quarteto formado por Martinho da Vila, Alcione, Diogo Nogueira e Roberta Sá. A escala inclui apresentações em seis capitais: Porto Alegre (16 de março), Rio de Janeiro (23), Brasília (6 de abril), Recife (13 de abril), Salvador (27) e São Paulo (25). Os espaços das apresentações ainda não foram definidos. 

Martinho da Vila%2C Alcione%2C Roberta Sá e Diogo NogueiraMarcos Hermes


Juntos e em separado no palco, eles recordam músicas de um time de compositores que incluem o próprio Martinho e João Nogueira, pai de Diogo. Além de Dorival Caymmi, Gonzaguinha, Vinicius de Moraes e “todo mundo que se envolveu com o samba”, como afirma a diretora artística Monique Gardenberg. “Vamos abraçar os grandes compositores.”

“As cores da marca são azul e branco, as mesmas da Vila Isabel. Vamos ver se a gente consegue colocar um samba da escola aí, né?”, brinca Martinho. “O legal é que é tudo gente minha. Alcione é minha irmã de primeira hora. A reza dela já me salvou numa vez em que eu estava doente. Outro dia, estava morrendo de calor num show e ela foi logo puxando o leque dela. Foi uma honra!”, diz.

Diogo Nogueira é outro a ressaltar o caráter “família” do evento. “A Alcione me chamava de anjinho quando eu era criança, porque eu tinha o cabelo enrolado. Todo mundo aqui é próximo”, conta ele. “Para mim, você é anjinho até hoje”, devolve Alcione. “Lembro de uma época em que o samba era marginalizado, em que se o arroz ou o feijão aumentavam, era culpa do samba. Graças a Deus, isso acabou!”, comemora ela.

Roberta, por sua vez, vem de um momento em que o samba está sumido de seu repertório — há apenas um em seu mais recente disco, ‘Segunda Pele’, de 2012. “Mas havia separado vários sambas no meu iPod para ouvir e já queria voltar ao estilo. O convite para o show veio no momento certo!”, alegra-se ela.

O samba já era a razão de existir dos dois projetos anteriores da empresa — cuja entrada no Brasil chega aos cem anos em 2014. Maria Rita lembrou canções interpretadas por sua mãe, Elis Regina, em 2012 — e incluem-se aí vários batuques célebres. No ano passado, foi a vez de Vanessa da Mata dar voz à obra de Tom Jobim.

“Criamos um partido de duas gerações”, conta Monique. “Já era um sonho da Dueto, minha empresa, fazer um evento para tratar o samba com a pompa que ele merece. O primeiro nome que me ocorreu foi o do Martinho. Trabalhei e viajei com ele e com o João Nogueira para Angola em 1980. Ele foi o cara que trouxe o samba para o mercado. Sou fã da Alcione, da Roberta e do Diogo. Um sonho meu é dirigir e produzir um show da Alcione. Até disse isso para ela.”

O roteiro e a curadoria foram feitos pelo jornalista Hugo Sukman e a direção musical é do cavaquinista Alceu Maia. Blocos temáticos aguardam o público, começando pelo que Monique classifica como “exaltação ao samba”. Martinho canta ‘Casa de Bamba’, Alcione entra com seu grande sucesso ‘Não Deixe o Samba Morrer’, Diogo recorda ‘Poder da Criação’, da lavra do pai e de Paulo Cesar Pinheiro, e Roberta Sá lembra ‘Eu Sambo Mesmo’, sucesso de João Gilberto — que ela própria já havia gravado e que marcara sua carreira. Só aí os quatro se unem para relembrar ‘Aquarela Brasileira’, de Silas de Oliveira, ‘Aquarela do Brasil’, de Ary Barroso, e a própria música-tema da campanha, ‘O Que é O Que É’, de Gonzaguinha.

Da mesma forma que nas edições anteriores, os shows serão gratuitos, em lugares abertos. E terão aproximadamente duas horas de duração. Os quatro ainda irão fazer um show só para convidados no dia 18 de fevereiro, no Vivo Rio. 

DE BAMBA

Gênero dá tom em prêmio

O samba está com tudo e não está prosa. O 25º Prêmio da Música Brasileira homenageia o gênero, em vez de um artista específico, como aconteceu em todas as edições anteriores. José Maurício Machline, idealizador da premiação, convidou Beth Carvalho para ser a consultora da cerimônia e Zélia Duncan para assinar o roteiro. O evento acontece dia 14 de maio, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, e ainda terá uma turnê que percorrerá o país, com shows gratuitos no Rio nos dias 15 e 16 de maio.

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