Alceu Valença traz para a Fundição Progresso seu show ‘Carnavalença’

Músico mostra na Lapa por que é atração garantida todo ano no Carnaval pernambucano

Por O Dia

Rio - No Rio, verão lembra praia, sol, mar, Carnaval e... Alceu Valença. Pelo menos a partir deste ano, já que o cantor pernambucano, radicado em terras cariocas há várias décadas, quer fincar a bandeira da folia por aqui. Amanhã, ele sobe ao palco da Fundição Progresso para, aos pés dos Arcos da Lapa, abrir passagem para o frevo, os guarda-chuvinhas, as morenas tropicanas e os bichos malucos-beleza, entre outros personagens e referências de sua música. É o ‘Carnavalença’, o agitado e democrático Carnaval do Alceu. 

Alceu Valença mostra na Lapa por que é atração garantida todo ano no Carnaval pernambucanoMaíra Coelho / Agência O Dia


“A festa irá entrar para a história. E quero que tenha todo ano!”, decreta o rei do Carnaval de Olinda, por telefone, direto de Lisboa, aonde foi se apresentar. Só não vai se sentir no meio dos lotados shows do cantor no Marco Zero, no Recife, quem não quiser. E a diversão é tripla: além do eletrofrevo de Alceu, a noite abre com a Orquestra Voadora e encerra com o Sargento Pimenta — este repaginando Beatles pelo idioma carnavalesco, aquele temperando Jimi Hendrix, entre outros nomes, com pitadas de frevo e marchinhas. Tudo a ver com o cantor.

“O meu Carnaval tem pensamento, tem conteúdo e tem curadoria. Esses blocos entram na receita porque são verdadeiros. Quem for lá vai viver um momento de magia, porque Carnaval é magia”, garante o cantor, soltando pérola atrás de pérola quando o assunto são os três dias de festa — para ele, como é público e notório, são bem mais que três dias, de muito trabalho para a diversão do seu público. “Do Rio, vou para São Paulo e sigo para o Recife. Depois disso, começa um período em que nem posso me ausentar de lá. Chegam a ser dois shows por dia!”

O ‘Carnavalença’ traz Alceu escudado por Paulo Rafael (guitarra), Nando Barreto (baixo), Tovinho (teclados), Cássio Cunha (bateria), Edwin das Olindas (percussão) e quarteto de metais. E marca o lançamento no Rio de ‘Amigo da Arte’, seu 29º disco, que gravou entre 2000 e 2001 e deixou guardado. O repertório do show mistura músicas novas (‘Frevo da Lua’ e ‘Me Segura Senão Eu Caio’, entre outras) com clássicos recifenses como ‘Frevo nº1’, de Antonio Maria; ‘Voltei, Recife’, de Luiz Bandeira; a ‘Ciranda da Aliança’ e a ‘Ciranda da Rosa Vermelha’, e temas fortes do próprio ideário e repertório de Alceu. ‘Tropicana’, ‘Anunciação’, ‘La Belle de Jour’ e ‘Embolada do Tempo’ caem no Carnaval — sendo que a primeira larga o tom forró-reggae do original e vira frevo dos bons.

“Sinto o romantismo da época. No show, posso ter frevos de rua, os caboclinhos, as cirandas, tudo”, anuncia. “Me considero um artista sazonal. Em fevereiro, viro um cantor de frevo. Em julho, faço shows de forró. E tem meu show para eventos como o Rock in Rio, para os quais levo minhas músicas que nem são rock, mas que têm a ver.”

Alceu ama Carnaval, mas não é fã de tudo o que é relativo à festa. “Eu acho abadá uma coisa bonita, mas isso de botar patrocínio na camisa e sair andando por aí não tem nada a ver, né? Aí eu prefiro mesmo é botar minha fantasia”, graceja o cantor, que filosofa e avisa. “O tempo é três: passado, presente e futuro. Nunca quis ser o cara da moda. Faço o meu, e o meu é na hora em que quero fazer!”, decreta ele. 

RECIFE FICA NA LAPA

FUNDIÇÃO PROGRESSO Rua dos Arcos 24, Lapa (3212-0800). Amanhã, às 22h. De R$ 60 a R$ 100 (estudantes, pessoas acima de 60 anos e com 1kg de alimento não-perecível pagam meia).

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