Por raphael.perucci

Rio - Uma família muito unida até na hora de fazer Carnaval. Na escola novata do Grupo Especial, o Império da Tijuca, pai, mãe, dois filhos e até a neta de sete anos trabalham juntos no comando da agremiação. E a rotina não é nada fácil. Da porta do barracão para dentro, eles juram se tratar como profissionais. Cumprem horário de trabalho, fazem cobranças e até dão puxão de orelha naquele que não faz a tarefa corretamente.

Sob o comando do marido, chefe e presidente da escola, Antônio Marcos Teles, o Tê, a primeira-dama Cristina Telles tem um dos cargos de mais responsabilidade na agremiação. De segunda a sexta-feira, ela bate ponto no barracão a partir das 8h, para cuidar de tudo. Tudo mesmo.“Eu faço atendimento, vendo fantasias, administro as alas, cuido da secretaria, do barracão e da quadra”, conta Cristina.

Para a rainha de bateria, Laynara Teles, o término do Carnaval não significa descanso. Passada a folia, a jovem de 24 anos inicia a jornada de compras de material para a escola. “Bato perna no Saara inteiro atrás do menor preço”, declara a rainha, que confessa já ter recebido alguns puxões de orelha do pai. “Ele (o Tê) me dá esporro mesmo. Se faltar material então, já era!”.

O presidente Tê delegou tarefas para todos os integrantes da família%2C um trabalho que já vem desde 2005Ernesto Carriço / Agência O Dia

Sempre vendo a família trabalhar junto, a pequena Anna Luisa Teles, 7, filha de Laynara, não quis ficar de fora. De férias no colégio, a menina vai ao barracão quase todos os dias com a mãe. Ao ser perguntada sobre sua função na agremiação, Anna é clara. “Faço serviços gerais.” E faz mesmo. Sempre correndo de um lado para o outro, a pequena faz de tudo: tira xerox de documentos, passa vassoura no corredor, serve água e ainda dá uma de assistente de produção da mãe. “Nos ensaios fotográficos é a Anna quem diz a pose que eu tenho que fazer”, detalha Laynara.

Escola traz enredo sobre batucadas para Avenida

Com enredo sobre ‘Batas’, que falará sobre as batucadas, principalmente as de origem africana, o Império da Tijuca promete levantar a Avenida. A começar pela bateria, que terá paradinha ao som de atabaques. O carro abre-alas virá com 14 fogueiras cenográficas e 66 componentes coreografados.

As religiões da África serão reproduzidas no terceiro carro. Um preto velho (entidade da umbanda) em tamanho gigante promete impressionar. Os sons da Bahia, como o olodum e a timbalada, também serão lembrados. No fim do desfile, uma homenagem ao Morro da Formiga, berço da escola. No último carro, dezenas de esculturas de formigas dançantes vão dividir espaço com 12 crianças deficientes.

Detalhe de alegoria da escola. Barracão está prontoErnesto Carriço / Agência O Dia

Filho comanda o barracão

A confiança de Tê no trabalho da família é tão grande que nem o peso de estar no Grupo Especial alterou a equipe. “Trabalhamos juntos desde 2005. A escola iria enrolar a bandeira, mas consegui levantá-la com a ajuda deles”, conta o presidente, que deixa o barracão sob o comando do filho. “É o primeiro ano do Luan à frente da administração. Ele está me surpreendendo”, revela. E o rapaz de 23 anos, que chegou a seguir carreira militar, corresponde à altura. “É muita responsabilidade, mas meu pai me ensinou muita coisa”, declara.

Se da porta do barracão para dentro, o assunto é profissional, fora de lá, conversar sobre trabalho não tem vez. No Morro da Formiga, endereço da família, fim de semana é para desestressar. “Tentamos não falar sobre Carnaval, mas, às vezes, é difícil, principalmente para o Tê, que respira o Império”, conta Cristina.

O jeito humilde da família ecoa pela escola. No barracão, cada dia é uma festa. Todo mundo conversa, brinca e trabalha bem à vontade. “Chegamos onde chegamos com o pé no chão e vamos continuar assim”, afirma Tê.

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