Por rafael.arantes
Publicado 14/02/2014 19:08 | Atualizado 14/02/2014 19:14

Rio - Os carros alegóricos representam mais os 40 pontos que valem para as escolas. As alegorias ajudam as agremiações a contar um pouco de sua história, além de abrilhantar ainda mais os desfiles do Carnaval. No entanto, o que muitos não sabem são os problemas que cada escola de samba encontra quando o assunto é um carro alegórico. O trajeto da Cidade do Samba até a Sapucaí, os problemas na curva de entrada no Sambódromo, a presença do baixo viaduto do lado da concentração do Balança Mas Não Cai e até mesmo a torre de televisão presente na reta final do Sambódromo trazem dores de cabeça para as diretorias.

Tamanho%2C volume%2C trajeto...Alegorias sofrem com problemas e limitações para chegarem com sucessoCarlos Moraes / Agência O Dia

As dificuldades, no entanto, já viraram rotina na vida dos carnavalescos. O projeto inicial das escolas já possuem algumas limitações para que o trabalho possa ser iniciado. Para sair da Cidade do Samba uma alegoria deve ter, no máximo, 8 m de largura e aproximadamente 5,6 m de altura. O limite de tamanho serve também para tentar fazer as agremiações não terem grandes problemas para colocar o desfile em prática. Na Sapucaí os carros podem crescer de tamanho, mas nem isso ameniza a preocupação dos artistas do grande espetáculo.

"Temos que preparar o Carnaval já pensando nessas dificuldades. Eu, por exemplo, adoraria que a torre de televisão fosse para o espaço e que o viaduto do lado do balança tivesse algo que pudesse subir e descer. Essas coisas são um crime para os carros alegóricos. Mas é a nossa realidade. A torre não pode sair dali em razão do projeto original da Sapucaí e sobre o viaduto eu nunca vi ninguém se prontificar para pensar em alguma alternativa", desabafou o carnavalesco Cid Carvalho.

Precaução antes do início do projeto

As limitações e os problemas existentes em relação aos carros alegóricos acabam limitando a vida dos carnavalescos. Fábio Ricardo, da Grande Rio, comentou a situação e admitiu a necessidade de uma conversa inicial com a própria diretoria da escola para se formar um projeto viável para o Carnaval.

"Antes de desenvolver qualquer projeto é preciso conversar com a presidência para montar um grupo de organização. É claro que temos esses tradicionais problemas, mas também não podemos responsabilizar apenas isso por toda essa questão de tamanho dos carros. Às vezes ter um Carnaval muito grandioso não é por causa apenas dos problemas e sim pelas condições de trabalho", comentou Fábio.

Alegorias encontram problemas durante sua rotina até o dia do desfilePaulo Araújo / Agência O Dia

Trajeto até a Sapucaí

Sair da Cidade do Samba e chegar até o Sambódromo exige todo um esquema de trabalho. O carnavalesco Renato Lage, do Salgueiro, contou que é o diretor de Carnaval Dudu Azevedo que coordena todo o processo de transporte das alegorias, mas ressaltou a importância de todo um planejamento para que maiores problemas não atrapalhem a realização dos desfiles.

"São equipes especializadas que comandam esse trajeto. Aqui no Salgueiro o nosso diretor de Carnaval faz isso. Existe todo um reconhecimento do trajeto antes do dia do transporte. Esse ano mesmo o Dudu Azevedo já foi fazer uma espécie de vistoria de todos os lugares por onde nossos carros vão passar", disse.

A diferença ficou por conta do Túnel da Binária. Em razão das obras do Porto Maravilha, algumas mudanças no trajeto serão feitas, mas nada que preocupa o veterano. "Não mudou nada. O túnel tem a mesma altura que temos como limite. Vamos com nossa altura limite para lá na Sapucaí acontecer todo o processo de transformação dos carros", comentou.

Volume x tamanho: Aproveitando o espaço

Se muita gente diz que os carros alegóricos não são tão grandes como deveriam, estes estão enganados. O tamanho de todas as alegorias são previamente delimitadas. Existe um limite de altura e largura para que os carnavalescos possam trabalhar e criar seus carros. No entanto, Renato Lage não esconde o diferencial para ter a famosa grandiosidade pedida pelos amantes do Carnaval. Segundo ele, o fato é uma questão de aproveitamento. É preciso fazer um maior volume. Saber utilizar e construir cada detalhe.

Viaduto no lado do Balança complica a vida das escolas na concentraçãoDaniela Conti / Agência O Dia

"Temos um limite de largura e por isso precisamos saber utilizar o espaço disponível. O pessoal confunde um pouco o tamanho com o volume do carro. Às vezes um carro bem construído dá a noção de grandiosidade, mas na verdade não fugimos ao que temos que cumprir. Cada um tem uma visão, um projeto. A sacada é saber aproveitar aquele ambiente delimitado", analisou.

Concentração e dispersão são problemas

Os maiores problemas da concentração já são bem conhecidos pelas escolas de samba. A existência do viaduto do lado do balança complica a passagem dos carros em razão da altura. Muitas agremiações acabam tendo dificuldades para passar pela área ou então acabam deixando para cima da hora as últimas montagens nos carros. Outro detalhe é a curva de entrada na Sapucaí. O famoso joelho obriga as alegorias a realizarem uma curva de alto nível de dificuldade para iniciar o desfile: "O lado do Balança é mais complicado em razão do viaduto, mas a curva já não tem o que fazer. É a nossa realidade", disse Renato.

Outro setor que preocupa os carnavalescos é a dispersão. O trajeto que as alegorias fazem para retornar à Cidade do Samba traz grande dor de cabeça para as escolas de samba. Cid Carvalho, da Vila Isabel, revelou que o caminho de volta para o barracão é o que mais o preocupa quando o assunto é relativo aos carros alegóricos.

"Temos algumas complicações que até já acostumamos que são os problemas com o viaduto do lado do Balança, a curva de entrada na Avenida e aquela torre de transmissão. Mas acho que o mais crítico é a dispersão. Temos grandes problemas nessa parte. O próprio canal do mangue dificulta muito a nossa vida. Temos dificuldade para passar naquela pequena ponte, que tem até uma elevação. São coisas que eu penso que poderiam ser resolvidas, poderiam pensar em alternativas", disse Cid, que ainda ressaltou outros pontos críticos do trajeto.

"Esse caminho da dispersão é muito complicado. Ali já aconteceram coisas do 'arco da velha'. Até mesmo a questão de segurança por algumas ruas muito desertas e escuras. Há alguns anos atrás a situação era terrível mesmo. Sem contar os transtornos que sempre temos como postes, e ruas apertadas. O povo sofre", completou.

Dispersão é um dos maiores problemas dos carros alegóricosCarlo Wrede / Agência O Dia


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