Por daniela.lima

Rio - As músicas de Raul Seixas, Beatles e Los Hermanos já se misturam às tradicionais marchinhas carnavalescas, no Rio. Mas hoje a homenagem é para alguém que desde 1973 já dizia que queria mesmo era ‘botar o seu bloco na rua’. Sérgio Sampaio (1947-1994) é o grande inspirador dos foliões que se concentram pela primeira vez, hoje, às 19h, no Mercadinho São José, para o cortejo batizado de Meu Bloco Na Rua. 

Está na hora de botar o bloco de Sérgio Sampaio na ruaDivulgação


Em uma conversa calorosa de bar, daquelas em que se discute tudo, de política a religião, Sampaio virou pauta. Mas do que isso: daí brotou o embrião do CD ‘Sérgio Samba Sampaio’, que acaba de ser lançado. Nele, o paraibano Chico Salles gravou só músicas do cantor, considerado genial por muitos, porém, marginalizado. “Eu e alguns amigos estávamos falando de artistas que não têm o seu devido reconhecimento, aí surgiu o nome do Sérgio”, lembra Salles.

O papo rendeu, ele ouviu novamente os LPs de Sampaio, e não teve mais jeito: decidiu ‘gingar, botar para ferver’ e gravar a obra que o encantou, mas especificamente os sambas. “Sou um militante do forró e do cordel... aí falaram: ‘Você já compôs para vários blocos da cidade, vamos fazer’. Pronto, me convenceram”, conta Salles, que já tentado, topou o desafio para ninguém dizer que dormiu de touca. O projeto cresceu, ganhou a parceria de Zeca Baleiro, Fagner e Zeca Pagodinho, que dividem os vocais com Chico em ‘O Balaio de Sampaio’, ‘Cada Lugar na Sua Coisa’ e ‘Polícia, Bandido, Cachorro, Dentista’, respectivamente.

“O Zeca Pagodinho não conhecia muito a obra do Sérgio, mas gostou tanto que ofereceu o seu selo (Zeca Pagodiscos) para lançarmos o CD’, diz o ‘sampaiófilo’ Edmar Oliveira, um dos idealizadores álbum e do Meu Bloco na Rua. “O Chico sacou que tinha bloco de tudo o que é nome no Rio, mas nenhum como o título da música do Sampaio (‘Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua’), que é perfeito para isso, né?”, comenta o entusiasta.

Outro que está superanimado com o evento é João Sampaio, filho do homenageado. “Não sei por que esse bloco demorou tanto a ser criado! Já tinha essa ideia desde o ano passado, mas um bloco requer uma certa estrutura, não é tão simples assim”, explica ele.

Se esse era o único empecilho, bastou uma conversa de bar entre amigos para resolver o problema. “Eu, o Chico, o Edmar e um pessoal sempre nos reunimos no Mercadinho, às quartas. Conversando sobre o bloco, um disse que tocava, o outro divulgava... E por aí foi”, resume João, que, a princípio, ainda não sabe se a banda sai pelas ruas de Laranjeiras, mas garante que vai acontecer um ato fora do Mercadinho para fazer valer o nome do bloco.

“Tocaremos músicas do CD ‘Sérgio Samba Sampaio’ e outras também. É a nossa primeira vez, então, ainda é uma coisa experimental, sabe?”, comenta Salles, que espera por lá seus amigos, todos os ‘sampaiófilos’ e convidados especiais, como o compositor Moacyr Luz. “O trajeto ainda é indefinido. A partir das 19h já começa a concentração”, avisa o paraibano, deixando claro que está preparado para ‘brincar, botar pra gemer’.

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