Por tabata.uchoa

Rio - Foi ideia do celebrado percussionista pernambucano Naná Vasconcelos convidar o rapper carioca Marcelo D2 para a tradicional abertura oficial do Carnaval do Recife, que ele comanda (pelo décimo terceiro ano consecutivo) nesta sexta-feira, no Marco Zero.

“O D2 sempre fala que anda em busca da batida perfeita, então ele vai encontrá-la aqui”, promete o anfitrião. “Ele é muito entusiasmado, tem uma abertura musical grande, se misturou com o pessoal do samba. Quero ver como vai ficar o contraste da minha linguagem com a dele. Vou recebê-lo com um paredão de 600 batuqueiros, para fazer essa batida que ele tanto procura”.

Naná Vasconcelos convida Marcelo D2 para a abertura oficial do Carnaval de RecifeDivulgação

Para este encontro, Naná Vasconcelos convidou também o rapper local Zé Brown, que mistura embolada e repente ao rap. “Tenho certeza que Pernambuco tem a batida perfeita, e junto com o Naná não tem erro. Vivendo e aprendendo”, devolve D2.

Naná ainda homenageará o também pernambucano Reginaldo Rossi (1944-2013), com a música dele ‘Recife, Minha Cidade’, mas em ritmo de maracatu. “Ele era da minha geração, a gente era muito amigo, foi um sofrimento, chorei muito”, consterna-se, lembrando do cantor e compositor que morreu ano passado, vítima de câncer no pulmão. “Era um artista muito original, e uma pessoa muito autêntica. Lembro quando ele conseguiu o primeiro contrato, o empresário disse: ‘Agora vamos colocar uma garotada para te acompanhar!’. Mas o Reginaldo disse que não, que iria ficar com os músicos que sempre ralaram com ele. Um desses músicos estava tocando violino acompanhando seu enterro, foi muito bonito. Chamavam ele de brega, mas ele sempre foi muito apaixonado, um galanteador”.

Naná também se mostra um apaixonado, de tanto orgulho que fala de sua cidade natal. “O Carnaval do Recife é único porque ele é livre: não precisa comprar abadá para entrar, não tem aquela coisa dos trios elétricos ou sambódromo, é tudo no chão”, destaca.

Neste ano em que completa sete décadas de vida (no dia 2 de agosto), Naná Vasconcelos continua com o entusiasmo de uma criança. E diverte-se com a superstição que ronda o número 13, nesta que é sua décima terceira vez à frente da abertura dos festejos de Momo no Recife. “O numero 13, na verdade, é de sorte!”, decreta. “Eu não tenho medo de passar embaixo de escada, de gato preto, nada dessas coisas. Para mim, está tudo ótimo! A gente trasnforma o que seria negativo em positivo”.

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