Por paulo.gomes

Rio - O ano era 1984 e, pela primeira vez na História dos carnavais, uma avenida inteira se abria exclusivamente para o samba passar. A Passarela Professor Darcy Ribeiro — o antropólogo idealizador da obra, arquitetada por Oscar Niemeyer — nascia para mostrar ao mundo o ‘maior espetáculo da Terra’.

Em três décadas%2C a Marquês de Sapucaí foi palco de momentos memoráveis do Carnaval cariocaCarlos Eduardo Cardoso / Agência O Dia

Trinta anos depois, mais de 1,5 milhão de sambistas cruzaram seus 700 metros. E histórias não faltam para lembrar e comemorar a apoteose da folia carioca. Primeira agremiação a pisar a Marquês de Sapucaí, a extinta Império do Marangá estreou com polêmica: sem as alegorias e sob a pressão de integrantes das co-irmãs para desfilar por último, os componentes sentaram na pista por uma hora, impedindo que outras desfilassem.

“Se não fizesse isso, outra escola entraria para a História”, relembra Marquinho São Clemente, diretor de Harmonia há 40 anos. Ele conta que, de lá para cá, muita coisa mudou no Sambódromo. “A tecnologia aprimorou os desfiles. Naquela época, ninguém sabia o que fazer. Os outros diretores olhavam aquela imensidão e me perguntavam como eu colocaria a escola na avenida”, ressaltou.

Em três décadas, a Sapucaí foi palco não só de desfiles memoráveis, como shows de diversas celebridades e até casamento. O intérprete Neguinho da Beija-Flor, que defende os sambas da agremiação com mais títulos conquistados na era Sambódromo, trocou alianças antes do desfile de 2009. Ele comemorava o retorno à Azul-e-Branca de Nilópolis após vencer um câncer. Mas destaca o desfile de 20 anos antes como um de seus momentos mais emocionantes. “Quando vi o desfile de ‘Ratos e Urubus’ (1989), fiquei extasiado. Foi o momento de superação do Joãosinho Trinta, muito criticado naquela época. Ficou na história do Carnaval brasileiro”.

Consagrada como primeira rainha de bateria na criação do posto, em 1984, Monique Evans volta à Sapucaí, homenageada pela escola que defendeu naquele ano, a Mocidade Independente. “Só queria sair numa ala e curtir. Mas me deram uma fantasia de mulata e me colocaram à frente da bateria. Estava com a sandália errada e, quando sambava, ela saía do pé. Depois que vi a responsabilidade e a honra que foi”, relembra.

Sobre os próximos 30 anos, o presidente da Liga das Escolas Samba (Liesa), Jorge Castanheira, é otimista: “Que as escolas se renovem e façam espetáculos cada vez melhores”.

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