Por bianca.lobianco

Rio - O Bloco das Carmelitas inovou ontem desfilando por um caminho alternativo, em Santa Teresa. Os foliões passaram em meio à Floresta da Tijuca, pela Rua Almirante Alexandrino, evitando o forte sol próximo às ladeiras do bairro. A mudança de roteiro do desfile que fez cerca de 15 mil pessoas caírem no samba foi feita devido às obras para a volta do bondinho.
O retorno do transporte, aliás, foi citado no samba-enredo ‘Carmelitas e Orixás’, que pediu “nosso bonde na Avenida” no refrão.

Integrantes variaram fantasias%2C mas as que predominaram foram as tradicionais de padre e freiraFernando Souza/ Agência O Dia

Uma causa também abraçada pelos foliões, que não se limitaram a se vestir como padres e feiras — fantasias tradicionais do bloco. Os professores Paulo Sérgio Machado e Zelia Nogueira, conhecidos como rei e rainha do Carmelitas, usaram um traje que simbolizava o retorno do bondinho, com uma capa vermelha com trilhos e um brasão inspirado no bondinho. “Mas é uma reivindicação alegre. Uma crítica com humor, adequada ao Carnaval”, explicou Paulo Sérgio.

Eles usam fantasias temáticas nos desfiles do Carmelitas há cinco anos. Assim como nos anos anteriores, o traje foi estilizado pela costureira Fátima Vieira, que também confecciona fantasias para escolas de samba do Rio.

Turistas no samba

O guia turístico João Vicente Ribeiro, de 32 anos, encarnou uma mulher de peruca azul. E bigode. “estava com preguiça de tirar o bigode e achei que ficou bonitinho. Mas não tem nada a ver com bigode grosso, não!”, riu.

Moradora de Santa Teresa, a estudante Isadora Vida, de 24 anos, diz desfilar no bloco desde a infância. Nos últimos três anos, se fantasia como gueixa. O taxista Guilherme Paiva Amaral ignorou o calor e se vestiu como King Kong. “Essa é a minha malhação. Vou sair daqui com barriguinha de tanquinho”, divertiu-se.

Uma das freiras era o francês Eric Chabanel, de 53 anos, que se mudou com a mulher de Paris para o Rio há apenas seis meses. “Adoramos o Rio e decidimos fazer a nossa vida aqui”, disse a mulher dele, Jane D’Agostino, que está aprendendo a falar português.

Assim como Eric, a australiana Renee Pattigren, que passa o seu primeiro Carnaval no Rio, por indicação do seu agente de viagens, não fala uma palavra em português. Mas entende a proposta da folia: “É louco! É a melhor festa do mundo.”

Você pode gostar