Contraventor promete encher a Mocidade de dinheiro em 2015

Rogério Andrade, que é patrono da agremiação, bancou quatro camarotes na Sapucaí. Ex-presidente da escola, Paulo Viana disse que não faltou comida nos camarotes

Por O Dia

Rogério de Andrade (à esquerda) vibrando muito no desfile da Mocidade nesta segunda-feiraJoão Laet / Agência O Dia

Rio - De volta ao comando da Mocidade Independente de Padre Miguel, o capitão do jogo do bicho Rogério de Andrade, de 50 anos, marcou presença, com pompa e circunstância, na Sapucaí, nas quatro noites de desfiles, que incluem os dois da Série A e os dois do Grupo Especial.

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Na segunda noite de desfiles, Rogério chegou antes do desfile começar, às 19h45, e fez questão de passar pela concentração da escola. O famoso contraventor foi visto chorando e até cantando no camarote da escola. Ele ainda garantiu que, em 2015, vai encher a escola de dinheiro e que o desfile deste ano foi apenas uma prévia.

Sobrinho do lendário presidente de honra da escola Castor de Andrade, falecido, Rogério mostrou que queria saborear em boas doses a liberdade na Avenida - nos últimos 15 anos ele esteve foragido ou preso, acusado de envolvimento em homicídios e a máfia dos caça-níques. O contraventor não economizou, gastou pelo menos R$ 500 mil para bancar os custos de quatro camarotes, R$ 65 mil, cada um, o equivalente a R$ 260 mil, além buffet e ornamentação, avaliados em R$ 240 mil. O desenho de um castor era destaque da decoração, inserido no escudo da escola.

O camarote que Rogério ficou foi regado à champanhe da marca francesa Moët & Chandon, uma garrafa custa em média R$ 220, vodka - bebida consumida pelo contraventor - quitutes, presunto de parma, frutas, mullheres bonitas e seguranças, que não usavam credenciais para não chamar a atenção. Cada um da 'tropa de elite' recebeu 18 convites. Até no banheiro, ele contava com a escolta.

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O deleite do bicheiro, na volta ao mundo do samba, começou na Avenida, na última sexta-feira. De camisa social branca justa, marcando os músculos, resultado de tratamento hortomolecular, calça jeans e sapatos de couro, ele curtiu o desfile das escolas do grupo de acesso. No sábado e domingo, ele elegeu camisas da cor verde. Tanto o branco e verde são as cores da agremiação. A cada intervalo do desfile, um DJ mandava ver nas picapes música eletrônica, nova paixão do bicheiro, que fumava quase um cigarro atrás do outro.

Rogério de Andrade (camisa verde) no camarote da Mocidade Independente de Padre MiguelCarlo Wrede / Agência O Dia


No domingo, Rogério, chegou acompanhado de cinco segurança, à Sapucaí às 22h40, quando ainda desfilava a Grande Rio. No camarote, pelo menos, 30 pessoas aguardavam a chegada do chefe. O contraventor só deixou a Sapucaí, às 5h22, quando a Beija-Flor ainda evoluía na Avenida. Na saída, ele estava de mãos dadas com uma bela loira, seguido por séquito de 24 pessoas, entre elas cinco segurança e mulheres, que por coincidência usavam vestidos modelo tubinho.

BEIJA-MÃO

Sem celebridades, o camarote de Rogério Andrade não deixou de contar com a presença de parlamentares. O primeiro a prestar reverência ao contraventor foi o vereador Marcelo Arar, do PT. Ele chegou para falar com o bicheiro durante o desfile da Mangueira. Outro que fez questão do beija-mão foi o deputado estadual Coronel Jairo, do PMDB, que tem forte atuação na Zona Oeste, reduto de Rogério. Durante 25 minutos, o Coronel Jairo, que chegou com uma comitiva, conversou animadamente com o bicheiro, enquanto o Salgueiro desfilava.

Em abril do ano passado, Rogério conseguiu vitória importante na Justiça. Os jurados do 4º Tribunal do Júri da Capital absolveram, por maioria de votos, ele e seu irmão Renato dos assassinatos do primo, Paulo Roberto de Andrade, e seu motorista, Haroldo Alves Bernardo. Os crime foram cometidos em outubro de 1998. Rogério havia sido condenado a 19 anos e 10 meses de prisão pelos crimes em 2002, mas teve o julgamento anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Rogério é acusado de envolvimento com a máfia dos caça-níques em função da guerra pela disputa de território com Fernando Ignácio, genro de Castor de Andrade. Ele é apontado ainda como o mandante do assassinato de seu ex-chefe de segurança, o sargento do Corpo de Bombeiros Antônio Carlos Macedo, em 2010. O bicheiro teria determinado a execução de Macedo como vingança pela morte do filho Diogo, em atentado à bomba, também em 2010.

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