Elymar Santos conta como fez o samba da Imperatriz

Flamenguista doente, o cantor é o coautor da homenagem a Zico

Por O Dia

Rio - Elymar Santos nunca quis ser compositor da sua escola de coração, a Imperatriz Leopoldinense. Mas se animou após uma conversa com o parceiro Tião Pinheiro — e daí surgiu a dobradinha no samba ‘Arthur X — O Reino do Galinho de Ouro na Corte da Imperatriz’, a homenagem a Zico que emocionou o Sambódromo, na madrugada de segunda para terça-feira. “Eu achava que o samba precisava vir do morro, mas o Tião lembrou que já tem Dudu Nobre, Diogo Nogueira, Jorge Aragão, Francis Hime e Arlindo Cruz fazendo samba para escola”, conta.

Elymar, então, conversou com o presidente Luizinho Drumond, e fez uma única imposição: o samba deveria seguir uma linha popular. “A Imperatriz tem sambas mais tradicionais. Queria que as pessoas percebessem minha presença na música e minha vertente é o samba popular”, explica o cantor.

Elymar ao lado de Cahe Rodrigues%2C carnavalesco da Imperatriz%3A samba sem referências óbvias ao FlamengoDiego Mendes/ Divulgação

No desfile, Elymar preferiu não sair na ala dos compositores, e posou como “o cara que conduz o Zico para vestir o manto verde, branco e dourado”. Flamenguista doente, que já foi líder de torcida organizada, ele mexeu em território conhecido. “O fato de o enredo ser o Zico foi fundamental. Fiz as alegorias lá em casa e chorei muito em cima delas”, derrete-se Elymar, que já foi enredo de escola de samba quatro vezes. “Sei como é a emoção, e fiz para ele como se fizesse para mim. E o Zico é um cara simples. Agora mesmo, antes do desfile, estava ligando lá para minha casa. E olha que tenho medo de chegar perto dos meus ídolos, já que me decepcionei com alguns deles e ainda me decepciono às vezes. Por isso mesmo me preocupo sempre com meus fãs. Artista erra, peida, faz cagada. Mas o Zico é o cara. Ou melhor, o cara tá lá em cima, né? Então ele é o filho do cara!”

Para que todos pudessem cantar o samba, Elymar Santos conta que fez questão de não incluir referências óbvias ao Flamengo na letra: “Eu não queria coisas como ‘vermelho e preto’, até porque, como flamenguista eu jamais gritaria ‘Vasco!’ na Avenida. A letra até fala em ‘vencer, vencer, vencer’, mas não cito o nome do Flamengo em momento algum.”

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