Por thiago.antunes

Rio - A quadra da Unidos de Vila Isabel, no Boulevard 28 de Setembro, foi protegida por viaturas da Polícia Militar depois que torcedores da escola ameaçaram depredar o local caso a azul e branca fosse rebaixada. Como a escola de Martinho, campeã do ano passado, ficou em antepenúltimo lugar na apuração do Grupo Especial ontem, o clima foi amenizado. Moradores do Morro dos Macacos, entretanto, ainda afirmavam que promoveriam um quebra-quebra por volta das 19h. “Não dá para aceitar, tem que tacar fogo”, afirmou um rapaz com uma camisa da Vila no rosto no principal acesso da favela. O muro da quadra estava pichado com ofensas à direção desde a noite de terça-feira. A Vila desfilou com falta de fantasias.

Na Sapucaí, durante a apuração, um grupo de torcedores hostilizou o presidente de honra Wilson Vieira Alves, o Moisés. Em protesto, gritaram palavras de ordem como 'respeitem a torcida'. Na mesa da Vila, pouca pessoas. Moisés e Gera, um dos puxadores da escola, eram os nomes de peso. O presidente Wilson Vieira, o Wilsinho, filho de Moisés, não compareceu para ouvir a leitura das notas.

Entrada da quadra da escola foi pichada em protesto pelos problemasAlexandre Vieira / Agência O Dia

Sem dar detalhes, Moisés avaliou que o resultado foi reflexo do último ano da agremiação. “Foi conturbado. Temos de conversar internamente sobre isso”, limitou-se a falar. O presidente disse ainda que não reconhecia aqueles que o hostilizavam na arquibancada, inclusive usando rojões, como torcedores. “É um grupo pequeno que se diz torcedor”.

Personificação do amor pela escola, Martinho da Vila disse nesta quarta-feira estar aliviado com a 10ª colocação no Carnaval. “Eu acompanhei a apuração pela TV e fiquei nervoso. Estou até comemorando, embora não achasse que viria um rebaixamento. Afinal, é a Vila”, afirmou o cantor, de Recife, onde fez dois shows esta semana. “Vou ficar mais uns dias por aqui, longe dessa confusão”.

Martinho, mesmo evitando crítica à direção da escola, alfinetou Moisés e o filho, Wilsinho: “O Wilsinho não fala comigo há mais de um ano. Nem no dia do meu aniversário. E o Moisés é presidente de honra desde o ano passado. Eu era e não sou atualmente o presidente de honra porque não dá pra ter duas pessoas na mesma função”, disse o compositor e baluarte da escola.

Carnavalesco culpa escola

O carnavalesco da Vila Isabel, Cid Carvalho, culpou o ateliê da própria escola pelos problemas que fizeram a escola entrar na Marquês de Sapucaí com integrantes sem fantasias. “A responsabilidade é toda do ateliê da Vila. Eu cansei de avisar sobre os possíveis atrasos, os problemas. Não quiseram me ouvir”, disse Cid, nesta quarta, pelo telefone, enquanto acompanhava a apuração. Mesmo com integrantes de sunga e maiôs, a Vila ganhou nota 10 de um jurado em alegorias e adereços, o que gerou indignação de outras agremiações.

Império ironiza desfile ‘só de cuecas’

Um ano após comemorar a ascensão ao Grupo Especial, o Império da Tijuca amargou ontem o retorno à Série A. Inconformados com o resultado, dirigentes da agremiação do Morro da Formiga deixaram a Apoteose revoltados com os jurados — a escola, que exaltou o batuque no enredo, terminou em último, com 291,6 pontos. Antonio Carlos Teles, o Tê, presidente da escola, disparou:

“No ano que vem, vou preparar um enredo sobre cueca. Vou desfilar assim, pois hoje (ontem) vimos que não precisa mais de fantasia para desfilar”, afirmou, ironizando a Vila Isabel, que entrou na Avenida com várias roupas incompletas e terminou na 10ª posição, com 295,9 pontos. Diretor de Carnaval, Luiz Carlos Amâncio chamou o resultado de “covardia”. “Estivemos melhor do que pelo menos três escolas. A comunidade fez o melhor, nos preparamos para um grande desfile”, disse.

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