Para comunidade da Vila Isabel, falta de fantasias foi balde de água fria

Torcida da escola esperava um desfile digno de bicampeonato

Por O Dia

Priscila Alves questionou o motivo dos problemas enfrentados pela Vila IsabelAndré Luiz Mello / Agência O Dia

Rio - O dia que sucedeu o desfile da Vila Isabel foi de desânimo na comunidade. A escola decepcionou quem esperava um desfile de bicampeã, graças à falta de fantasias em uma série de alas e carros alegóricos. A aposentada Marina Lucia de Araújo, 63 anos, que acompanhou a preparação para o desfile na quadra da Vila, não perdoou os erros. “O pessoal estava chateado, aborrecido. Ou foi incompetência ou safadeza”, afirmou. “A única coisa bonita foi a garra da comunidade, defendendo a escola por amor”, disse ela.

A vendedora Priscila Alves, 31 anos, concorda que os integrantes da escola salvaram o desfile. Ela foi escalada para desfilar de última hora, para substituir um membro que desistiu de entrar na avenida em meio aos problemas. “Se não fosse a comunidade, esse desfile não acontecia, os problemas foram generalizados, disse”.

Cinco alas não desfilaram porque estavam sem os adereços e mais de 80 fantasias não foram entregues. A direção da escola culpou o ateliê que confeccionou o figurino pelas falhas. No entanto, os membros da escola de Noel querem mais explicações. “A gente não pode acusar ninguém, mas fica pensando: será que o ateliê foi pago?”, questiona a técnica de laboratório Lourdes Souza, 60 anos. Para ela, a agremiação poderia estar no páreo para o segundo título consecutivo com o enredo que apresentou. Nesta terça-feira, na página do Facebook da Vila, membros da comunidade tentavam organizar um protesto contra a diretoria, mas nada chegou a ser formalizado.

Carnavalesco diz que vai avaliar se deixa a escola

O carnavalesco da Vila Isabel, Cid Carvalho, afirmou nesta terça-feira que vai se reunir com o presidente da agremiação Wilson Alves antes de definir se permanece na escola. Antes do problemático desfile, no Sambódromo, porém, Cid chegou a afirmar que deixaria a Azul e Branco. No fim do desfile, ele passou bastante abalado emocionalmente e discutindo com um diretor de harmonia da escola.

“Preciso escutar pessoas da escola e familiares, ver se tem proposta de outros lugares antes de decidir. Não quero me precipitar”, disse. Cid avalia que, em 2013, se precipitou ao deixar a Mangueira e ir para a Vila.

Segundo ele, problemas financeiros e no ateliê da escola provocaram os desfalques de fantasias na avenida. Porém, ele garante que alertou a Vila Isabel sobre os riscos. “Se for para fazer um Carnaval igual ao deste ano, prefiro ficar fora. Sofri muito. Ninguém gosta de ver um filho maltratado”.

Com problemas no planejamento para o Carnaval, Cid chegou a sair da escola, mas voltou a dois meses para o desfile. Em 2013, a escola desfilou em meio ao polêmico processo de saída de Rosa Magalhães e venceu.

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