Tropa carioca do samba ensina o Carnaval aos argentinos

Folia em San Luis, na Argentina, promove inclusão social e lota hotéis da cidade

Por O Dia

Argentina - Para tudo se acabar na quarta-feira? Que nada. Para integrantes de 21 escolas de samba do Rio, os festejos de Momo ainda pulsam. E, acreditem, em terras argentinas. Desde sexta-feira, a cidade San Luis, a 800km de Buenos Aires, está tomada por uma tropa de batuqueiros, passistas, mulatas e intérpretes da Mangueira, Salgueiro, Beija-Flor, Império da Tijuca, Portela, Vila Isabel, São Clemente, Império Serrano, entre outras.

Milton Cunha à frente de um dos carros alegóricos que criou para o eventoDiego Mendes / Divulgação

A farra carnavalesca em terras hermanas já acontece há cinco anos: trata-se do Carnaval de Rio en San Luis, promovido pela Gangazumba, produtora do ator Antônio Pitanga. O encerramento é neste domingo, em um sambódromo adaptado na pista do autódromo local - com direito à esperada presença do galã Cauã Raymond, por quem as argentinas piram aos berros de “Jorgito, Jorgito”, seu personagem na novela ‘Avenida Brasil’, que está sendo exibida no país.

No entanto, a preparação para este evento vai muito além dos poucos dias de Carnaval. Dura o ano todo e mobiliza centenas de pessoas em projetos de inclusão social.“Estou morto de cansaço”, dispara Wallace Souza, passista da Mangueira e responsável pela direção artística da única escola de samba argentina, a Sierras del Carnaval, feliz com o resultado da empreitada. “Este evento oferece oportunidades de trabalho para muita gente carente e também para profissionais especializados que estavam sem conseguir uma vaga no mercado de trabalho”.

Ele integra uma comissão de Carnaval, formada por brasileiros que entendem do riscado, que dá aulas de capacitação em San Luis. Ensinam não só a nossa batucada, mas também a criar e confeccionar as fantasias e alegorias.

“Estou cada vez mais impressionado com a qualidade da produção. Acredito que um dia não vamos mais precisar levar nossa expertise para a Argentina e eles vão conseguir fazer sozinhos algo bem perto do nosso padrão”, alegra-se Souza. “Os argentinos também visitam o Rio, às vésperas do nosso Carnaval, para ver de perto como fazemos”.

Wallace Souza (centro) e seus assistentes Bill e RenatoDiego Mendes / Divulgação

Esse processo todo impulsiona ainda o turismo e até a construção civil: por conta do crescimento do Carnaval de Rio en San Luis, muitos hotéis estão sendo construídos para receber o numero cada vez maior de pessoas que vem conferir o espetáculo – o sambódromo recebe 40 mil pessoas em cada uma das três noites de festa. Este ano, os hotéis da cidade estão com 100% de ocupação.

“Quando chegamos em San Luis pela primeira vez, o aeroporto era apenas uma porta por onde os passageiros passavam. Hoje, foi reformado e está uma graça”, elogia Célia Domingues, presidente da Amebras (Associação das Mulheres Empreendedoras), parceira na coordenação técnica do evento.

Viviane Araújo%2C do Salgueiro%2C brilha no carnaval em San LuisDiego Mendes / Divulgação

Desfilam, além da Sierras, duas escolas de samba formadas por um mix das agremiações cariocas. Colunista do jornal O Dia, Milton Cunha é o carnavalesco de uma delas, e atesta que os argentinos levam mesmo jeito para o negocio.

“As mulheres daqui fazem de tudo, querem mesmo ter o samba no pé. Claro que lhes falta um bocado do nosso ritmo musicalidade e também falta um pouco de quadril”, qualifica, aos risos. “Mas nossa mão de obra está conquistando muitos avanços a cada ano”.

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