Neta de Martinho, Dandara Mendonça assume como 1ª porta-bandeira da Vila

A jovem de apenas 23 anos é bacharel em dança contemporânea e carrega no DNA o amor pelo samba

Por O Dia

Neta de Martinho%2C a bailarina Dandara esbanja graça no carnaval em um estilo clássicoCarlo Wrede / Agência O Dia

Rio - Ela foi passista, brincou em ala... Mas não foi o grande amor de um mestre-sala. Faltou pouquinho para que o destino personificasse totalmente em Dandara Mendonça Ferreira Vantapane os versos de “Pra Tudo se Acabar na Quarta-feira”, samba-enredo de 1984 da Unidos de Vila Isabel, composto por seu avô, Martinho José Ferreira, ou simplesmente Martinho da Vila. Mero detalhe, que em nada tira a importância do fato de que o pavilhão da azul-e-branco agora está nas mãos de alguém que tem o DNA do mais importante nome dos quase 69 anos da escola campeã dos carnavais de 88, 2006 e 2013.

- O nome pesa pros dois lados. Pro lado positivo, é claro, a família tem uma história, um respeito na escola e no mundo samba. Mas ao mesmo tempo, todo mundo quer ver e quer saber se você é digna de estar ali, de ser a porta-bandeira. Enfim, os olhares se voltam pra saber se você está qualificada – afirmou a porta-bandeira, que assumiu o primeiro pasto em decorrência de uma tendinite no joelho que afastou Natália Pereira a um mês do desfile.

Aos 23 anos, Dandara carrega nas veias o dom artístico da família. Mas, diferentemente da sua mãe, Analimar, back-vocal de Martinho, e dos seus tios - Tunico, Mart´nalia, Juliana Maíra e Martinho Filho -, ela não deu prioridade à música.

Com seu 1,73m e porte de bailarina, além de um largo sorriso que esbanja toda a sua simpatia, tornou-se bacharel em dança contemporânea pela UFRJ, em 2014, ou seja, conquistou o seu “canudo de papel”, numa alusão a outro samba do famoso avô: “O Pequeno Burguês”. Também é professora de dança de salão.

- Desde pequeninha, gostava de dançar. Foi bem natural acabar transformando esse dom na minha profissão.

No carnaval, manifestou a sua arte primeiramente como passista. Depois, foi integrante de comissão de frente, da Vila e da Portela. A vida como porta-bandeira é recente. Já adulta resolveu empunhar uma bandeira, em 2013, como terceira da Vila, incentivada por outras duas portas-bandeiras: Ruth (ex-Vila, agora na Unidos da Tijuca) e Lucinha Nobre, da Mocidade. No ano passado, desfilou como principal na Acadêmicos da Rocinha. E agora...

- Falei com o meu avô e foi muito emocionante, pois ele me disse que agora ele não era mais o presidente de honra. O orgulho dele era ser o avô da primeira porta-bandeira da escola.

A ascensão à condição de primeira porta-bandeira aconteceu de uma forma surpreendente. Ela seria a segunda, mas o problema físico da antecessora acabou por antecipar um sonho que ela achava que viria só mais adiante.

- Aconteceu desse jeito? Não queria que fosse assim... Mas tenho de representar bem a minha escola e a surpresa teve de passar rapidinho. Agora, é buscar a nota 10.

Como diria um outro poeta que andou muito pela 28 de Setembro, Noel Rosa: “Quem nasce lá na Vila / Nem sequer vacila / Ao abraçar o samba / Que faz dançar os galhos, / Do arvoredo e faz a lua, / Nascer mais cedo”.

Fred Soares em especial para O DIA na Folia

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