Portela entra na Avenida com a maior águia de sua história

Escola de Madureira aposta em tecnologia para mostrar os 450 anos da cidade

Por O Dia

Rio - Em um Carnaval orçado em R$ 12 milhões, a Portela quer deixar para trás o título de escola tradicional e entrar de vez no grupo das agremiações que faz um verdadeiro espetáculo na Avenida. A grandiosidade começa pelo seu símbolo, a águia, que será o maior na história da escola, com 20 metros de extensão, seis a mais do que a largura do Sambódromo. Efeitos tecnológicos também estarão presentes. Numa alegoria sobre o Maracanã, haverá uma surpresa high-tech e componentes vestidos de gladiadores. No fim do desfile, um trem de verdade trará a Velha Guarda.

Águia terá 20 metros de extensão%2C 6 metros a mais do que a largura do SambódromoMárcio Mercante / Agência O Dia

Com o enredo ‘Imagina Rio, 450 Janeiros de uma Cidade Surreal’, a Portela fará uma homenagem aos cariocas pela visão do artista Salvador Dalí. “Vamos falar da cidade sob uma ótica diferente. Será um desfile mais arrojado e o enredo permite mesclar as brincadeiras plásticas do surrealismo. É uma Portela diferente e muito mais moderna”, explicou o diretor de Carnaval Luiz Calos Bruno.

O abre-alas da Azul e Branco será em formato de bolo de aniversário, com direito a parabéns para a Cidade Maravilhosa. Neste carro virá a águia. “Será a maior ave de todos os tempos, tanto na altura como na largura. Digamos que ela será equivalente ao tamanho da alegoria do Gigante que trouxemos no ano passado”, detalhou o carnavalesco Alexandre Louzada. No último Carnaval, a Portela impressionou com o tamanho do carro O Gigante Acordou, que trouxe um boneco de 18 metros de altura.

O dia a dia no Rio será retratado num carro com o túnel que liga as zonas Norte e Sul e muito engarrafamento. Nas alas, fantasias da Guarda Municipal, garis e outros ícones da cidade. A Lapa terá destaque numa alegoria com seu principal personagem, Madame Satã, interpretado pelo ator Aílton Graça.

Os Arcos da Lapa serão em forma de serpente. O último carro trará a Central do Brasil, com direito ao trem e seu famoso relógio. No penúltimo andar do edifício da Central, Monarco, Paulinho da Viola, Maria Rita e outros representantes da música virão no alto, acenando para o público.

Uma nova geração de puxadores

De geração para geração, os netos de Monarco, João Matheus Diniz; e de Noca da Portela, Diogo Pereira; vão estrear na Sapucaí como intérpretes de apoio. Ao lado do puxador oficial, Wantuir, a dupla vai engrossar o coro do samba-enredo no alto do carro de som.

“Me sinto emocionado duas vezes. Primeiro, porque é minha escola de coração e, segundo, porque o samba é do meu avô”, contou Diogo, que também é intérprete na escola da série B, Acadêmicos da Abolição.

Aos 18 anos, João já faz planos para o seu futuro na escola. “Ainda estou no início da minha carreira, mas meu sonho é seguir o caminho do meu avô e ser um grande cantor e puxador da minha Portela”, declarou o neto do Monarco.

Emocionado, Noca afirma que já sente arrepios pensando no dia em que verá seu neto cantando samba. “É uma dádiva ter gente da própria família dando continuidade ao meu trabalho. Vou precisar segurar meu coração para não ter um troço no dia do desfile”.

Noca (E)%2C com o neto Diogo%2C e João Matheus%2C com o avô MonarcoDivulgação

Dodô será homenageada em desfile

Para aquela que serviu à Portela por décadas, uma homenagem à altura. Ainda em clima de surpresa, a Azul e Branco prepara um momento especial no desfile para saudar Dodô da Portela, que faleceu no último dia 6. “Não podemos contar o que é, mas ela será lembrada em um momento oportuno”, contou Luiz Carlos Bruno.

Dodô teria lugar garantido neste desfile. Diferente do ano passado, ela viria com a clássica armação de ferro da fantasia de porta-bandeira. “Ela brigou comigo no último ano porque não tinha a armação, e eu estava só esperando ela sair do hospital para tirar as medidas. E ela já tinha dito que viria no chão novamente”, explicou o carnavalesco Alexandre Louzada.

Na quadra da escola, uma capela está em construção para atender ao desejo de Dodô. “Ela pedia uma capela há 45 anos e, no ano passado, prometi que faria. Pena que ela não estará aqui para ver o resultado”, declarou Marcos Falcon, vice-presidente da Portela. A capela vai abrigar os padroeiros da agremiação: São Sebastião e Nossa Senhora da Conceição.

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