Vila Isabel leva orquestra sinfônica para a Avenida com direito a maestro

Isaac Karabtchevsky, que protagoniza o enredo da escola, vai reger 60 músicos num abre-alas e unir o erudito ao samba

Por O Dia

Rio - A Vila Isabel vai levar para a Avenida uma orquestra sinfônica de 60 músicos. No carro abre-alas, será montado um grande palco com um púlpito, onde o maestro brasileiro Isaac Karabtchevsky — o grande homenageado do enredo — virá regendo os músicos. Todos os integrantes da orquestra tocarão seus próprios instrumentos ao vivo. A bateria também terá influência da música erudita e trará trechos do ‘Bolero’, de Ravel, e clássicos de Heitor Villa-Lobos, junto ao samba.

A presidente da Vila%2C Dona Beta%2C com o carnavalesco Max LopesCarlos Moraes / Agência O Dia

Os músicos que vão compor o abre-alas são da Orquestra Sinfônica de Paraisópolis, em São Paulo, e da Petrobras, na qual o mestre Isaac é regente. “Nunca vi nada parecido com essa orquestra de São Paulo. Ela foi feita numa comunidade e o trabalho deles é lindo”, comentou o carnavalesco da escola Max Lopes. O carro com os músicos terá 70 metros, divididos em três blocos. O primeiro trará instrumentos de percussão, o segundo abrigará a orquestra e, o terceiro, vai mostrar os deus grego da música.

Na bateria, a grande surpresa promete ser a mistura da música clássica com o samba. “Preparamos uma polirritmia, misturando nuances da música erudita com o samba”, explicou o mestre de bateria Wallan Amaral. Um dos maiores compositores brasileiros, Villa-Lobos ganhará homenagem, assim como Maurice Ravel. “O próprio Isaac sugeriu que eu colocasse o ‘Bolero’, de Ravel, no samba. Ele escreveu as partituras e eu bolei uma coisa diferente”, completou o mestre. A bateria virá fantasiada de Otelo, e a rainha, Sabrina Sato, estará de cisne negro.

Sob o comando da nova presidente Elizabeth Aquino, a Dona Beta, a Vila Isabel respira outros ares e promete fazer um desfile impecável para esquecer o vexame do ano passado, quando componentes foram para Avenida sem fantasia, e as alegorias estavam inacabadas. “Estamos retomando a nossa creedibilidade com o componente. O que passou, passou. Agora é focar neste Carnaval”, contou Beta, que bate ponto no barracão todos os dias e só sai após as 21h. “Faço questão de cadastrar os quatro mil membros da comunidade. Presidir a Vila é um prazer”, completou.

Últimas de Carnaval