O Apocalipse apoteótico de Paulo Barros no Sambódromo

Samba-enredo da Mocidade sugere ideias irreverentes para curtir o fim do mundo

Por O Dia

Rio - O que você faria se só te restasse um dia? É com essa pergunta que a Mocidade vai levar para a Sapucaí, ideias irreverentes de como se aproveitar os últimos instantes de vida. No roteiro, uma alegoria trará um veículo que irá explodir em pleno desfile. Outro carro, em forma de hospício, terá componentes que vão saltar de duas cabeças gigantes, em alusão ao trecho do enredo ‘liberte sua loucura’. O abre-alas, repleto de efeitos especiais, reproduzirá cartões-postais, como a Estátua da Liberdade, em processo de destruição, para mostrar o fim do mundo.

“Quando você anuncia que o mundo vai acabar, está tudo liberado. Você abre a porta do hospício e libera o louco que tem dentro de você. Tem gente que vai andar pelado na rua, que vai explodir o carro com raiva do trânsito e que vai fazer uma suruba. O Carnaval da Mocidade vai brincar com isso tudo”, revelou o novo carnavalesco da escola, Paulo Barros.

Paulo Barros criou desfile inspirado em letra de Paulinho Moska%3A últimos instantes de vida com efeitos especiais%2C explosões%2C LED e orgiaFernando Souza / Agência O Dia

Conhecido por apresentar grandes espetáculos na Avenida, Paulo prepara um desfile com muita tecnologia para a Verde e Branca de Padre Miguel. No primeiro carro, painéis de LED vão trazer uma espécie de contagem regressiva para anunciar o fim do mundo. A Torre de Pisa, o Rockefeller Center, de Nova Yor e outros pontos turísticos estarão no abre-alas e vão ser “destruídos” por meio de um efeito especial.

“Nós abrimos o desfile fazendo uma referência ao fim do mundo mostrando o que poderia acontecer. O carro trará algumas profecias que previram que o mundo ia acabar, com essa referência apocalíptica”, contou Barros.

Detalhe do carro alegórico que vai retratar o shopping centerFernando Souza / Agência O Dia

A inspiração do carnavalesco para esse enredo foi a música de Paulinho Moska e Billy Brandão, ‘O último dia’. E durante o desfile, trechos da música serão reproduzidos, como a parte ‘corria prum shopping center ou para uma academia?’, que ganhará um carro alegórico de dois andares, com dezenas de bicicletas ergométricas em cima e vitrines de shopping embaixo.

Para ilustrar a parte da canção que leva a frase ‘trepava sem camisinha’, a Mocidade terá uma alegoria em forma de motel, com vários casais simulando sexo. O ‘dinamitava seu carro’ cantado na música, terá um veículo de verdade com um efeito de explosão. Por fim, a escola levará em um carro a estrela, símbolo da agremiação. Por meio de efeitos especiais, a alegoria vai se expandir durante o desfile e a apresentadora Monique Evans, que foi a primeira rainha de bateria da escola, surgirá de dentro da estrela. A alegoria trará também troféus da Mocidade.

Últimos retoques em alegoria%3A automóvel vai explodir na AvenidaFernando Souza / Agência O Dia

'No primeiro contato, me senti um ET’, cinco minutos com Paulo Barros

Nos últimos cinco anos, ele conquistou três títulos para a Unidos da Tijuca, sua antiga escola. De casa nova neste Carnaval, Paulo Barros conta que se sentiu um ET quando chegou à Mocidade, pois as pessoas tinham medo de se aproximar dele. A 13 dias da folia, Barros demonstra tranquilidade e diz que o título não depende só dele.

1. O que você faria se só te restasse um dia?

—Eu faria um pouco de tudo. Se eu tivesse como brincar com isso, eu faria desse último dia a Mocidade campeã. Afinal são 18 anos sem título, numa escola que já nasceu grande, foi grande a vida inteira e ainda é. As pessoas me questionam, perguntando se eu vou fazer a Mocidade campeã de novo. Mas não vou fazer isso sozinho. Talvez, eu seja uma alavanca para ajudar nesse processo porque não sou responsável por uma coisa que depende de muita gente.

2. O que esteve por trás da sua decisão de sair de uma escola campeã para enfrentar uma agremiação que não ganha há anos ?

— As pessoas acham que a minha saída da escola anterior foi por causa de salário. Eu nunca vou ficar na zona de conforto. Então, quando não consigo mais fazer o que acredito, o que necessito para realizar o trabalho, vou buscar outra solução. E a minha solução ano passado foi sair.

3. Como a Mocidade te recebeu?

— No primeiro contato, me senti um ET. Eles olhavam para mim arregalando os olhos. Eu brincava falando que não mordia. Mas nosso relacionamento aconteceu rápido. Tenho um convívio muito bom com eles e até churrasco eu já fiz para eles.

4. O modo de fazer Carnaval muda quando há troca de escola?

— As pessoas costumam confundir a característica de cada escola com a técnica de um enredo. Aprendi durante esses anos que tenho uma maneria e uma técnica de executar carro e fantasia. Sei quando uma coisa na fantasia não vai ser vista. Meu processo de criação é muito mais técnico do que a dependência de um perfil de uma escola para outra. O meu carnaval para acontecer tem que seguir uma cartilha independente da escola. Sou o mesmo Paulo Barros em qualquer lugar.

5. Você se sente um líder dentro da escola?

— Não vou ser pretensioso não, mas sou líder. Sou chato, mas passo a mão na cabeça quando tenho que passar. Não posso transformá-los em meus inimigos. As pessoas sempre falam que no Carnaval a gente tá disputando com escolas, mas estou disputando comigo mesmo. Se eu transformar os meus funcionários em meus inimigos, eles me derrubam. Você tem que saber ser líder, cobrar, mas respeitar.

6. Você muda muita coisa no seu Carnaval?

— Não. Se meu projeto chegar a 10% de mudança, é muito.

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