Líder da Comissão de Carnaval da Beija-Flor, Laíla ganha homenagem em 2015

Carnavalesco vira escultura de tripé que seguirá à frente do carro abre-alas da escola, representando um griô, sábio africano

Por O Dia

Rio - Há 18 anos como líder da Comissão de Carnaval da Beija-Flor, Luiz Fernando do Carmo, o Laíla, ganhará uma bela homenagem no desfile deste ano. O carnavalesco vai virar uma escultura em um tripé à frente do carro abre-alas, representando um griô, personagem típico da África, conhecido por contar histórias. Em outra alegoria, a escola promete entrar na onda da economia de água e vai reutilizar água da chuva para fazer petróleo cenográfico.

O figurinista Wladimir Morellembaumm desenha quatro figurinos por diaFernando Souza / Agência O Dia

A ideia de colocar uma escultura do Laíla na abertura do desfile veio da Comissão de Carnaval. “A África tem o seu griô, e o nosso é o Laíla”, contou Fran-Sérgio, membro da comissão. “Eles (os carnavalescos) resolveram fazer da minha pessoa um griô, contando a história do enredo e eu fico muito honrado”, declarou Laíla. Na imagem, ele vai aparecer com muitas rugas e uma grande barba branca. “Será um Laíla com 100 anos de idade”, brincou Fran.

Com enredo sobre a Guiné Equatorial, a escola de Nilópolis aposta na riqueza do país africano para retornar à elite do Carnaval, já que, no último ano, amargou o sétimo lugar e ficou de fora do desfile das Campeãs. O petróleo, um dos principais bens da Guiné, ganhará nova versão na alegoria sobre riquezas naturais. “Vamos utilizar água da chuva, uns 10 mil litros, que captamos no barracão, e misturar com anilina. O petróleo vai jorrar de uma tubulação que ficará dentro do carro”, contou Fran-Sérgio.

Assim como a Imperatriz Leopoldinense e Viradouro, que também têm enredos sobre negros neste ano, a Beija-Flor levará para a Avenida, uma alegoria de navio negreiro. “Já vi que as duas escolas terão navios, mas o nosso está diferente. O Carnaval tem disso. Cada escola pensa de um jeito”, declarou Fran. Para levar a Guiné ao Sambódromo, a escola de Nilópolis escolheu 170 negros para o seu desfile, que ficarão espalhados em três carros.

Criação de carros é descentralizada

Sempre com a língua afiada, Laíla declarou ao DIA que a colocação em sétimo lugar da Beija-Flor no ano passado foi injusta. Com a reformulação de 20 dos 36 jurados, o diretor de Carnaval acredita que esse ano a apuração será diferente. “Espero não se repita o que aconteceu ano passado. Foi vexatório. Eu briguei pra burro com os jurados exatamente em cima das notas que me deram. E depois, ao ver as justificativas, eu tenho quase certeza de que foram direcionadas. Espero que este ano não aconteça isso e que ganhe a melhor escola que desempenhar seu papel dentro do regulamento”, apontou Laíla.

Líder da escola%2C Luiz Fernando do Carmo%2C o Laíla%2C vai ser transformado em escultura%3A homenagemFernando Souza / Agência O Dia

Para este ano, a Beija-Flor implantou duas mudanças no seu Carnaval. A primeira foi atribuir aos chefes de setores, a oportunidade de criar a decoração dos carros e fantasias. “Criamos uma nova modalidade de tocar o Carnaval. Nossa produção está muito satisfatória, e parece que a escola conseguiu fazer uma África diferente de tudo que já vimos”, declarou Laíla. Outra novidade foi a contratação do figurinista Wladimir Morellembaumm, que já passou pela Imperatriz, Portela, Viradouro e Gaviões da Fiel, em São Paulo.

“Quando me chamaram para fazer um teste, fui sem esperança. Minha escola de coração é a Beija-Flor, e já estava feliz só de ser apresentado ao Laíla”, contou Wladimir. Sua chegada foi em junho e, desde então, ele desenha em média, quatro figurinos por dia.


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