Por thiago.antunes

Rio - Nem todos os integrantes da Orquestra Voadora enxergavam as distâncias da Região Portuária sob a mesma perspectiva no fim de tarde de ontem. Se equilibrando com pernas de pau no Museu de Arte do Rio (MAR), os dançarinos da banda se destacavam no cenário, enquanto os foliões reproduziam os movimentos da dança. Com batuque e instrumentos de sopro, o grupo realizava um dos seus últimos ensaios para o desfile de Carnaval, assim como outros cordões que tomarão a cidade a partir de hoje.

Enquanto a fanfarra da Orquestra alterava a rotina da Praça Mauá, no Centro, os passageiros que chegavam à Central do Brasil tinham motivos para sambar mesmo depois de um cansativo dia de trabalho. Por um palco montado no lado externo do terminal, passaram a Velha Guarda do Império Serrano, a bateria do Cordão do Bola Preta, entre outras ilustres nomes do samba. Já na última sexta-feira antes de o Carnaval começar oficialmente, o barulho dos coletivos freando não incomodava o carioca — era abafado pelo ritmo dos tamborins.

Supervia promoveu baile de Carnaval na estação da Central%2C animando muitos passageiros que arriscaram sambar no pé ou cantarErnesto Carriço / Agência O Dia

Quando a equipe do DIA chegou ao jardim do MAR, foi confundida com fantasia era de repórter. “Ser jornalista no Carnaval deve dar trabalho”, comentou um folião que passava. Quando as notas do trombone solavam o ritmo ditado pela bateria, era necessário colar o ouvido nos entrevistados para escutar alguma palavra. “É contagiante. Quando estou voltando para a casa depois desses ensaios, parece que o bloco continua me acompanhando. Fica no ouvido”, disse a psicóloga Lívia Souza, de 29 anos.

Mesmo com os pés cansados, a copeira Maria de Lourdes Ferreira, 54, arriscava uma sambada tímida na Central do Brasil, antes de voltar para a casa. “Nem sabia que estava tendo essa festa. Hoje vou voltar feliz para a casa, esse espírito só existe nessa época do ano”.

Com toda a empolgação para a folia, especialistas em segurança alertam que é necessário tomar cuidados na hora de brincar. “É seguro ir apenas com a quantia do que for consumir em dinheiro, levar um cartão informando o telefone de uma pessoa de confiança para ser informada, caso haja necessidade, e o tipo sanguíneo para qualquer emergência”, informou. “No trajeto até os blocos, de preferência ir com um grupo de amigos, porque assim um pode defender o outro”, alertou o fundador do BOPE, coronel Paulo Amêndola.

Reportagem de Lucas Gayoso

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