Por nicolas.satriano

Rio - Entra ano, sai ano e um problema continua sem solu√ß√£o no Carnaval: a falta de sambas de enredo que fiquem na mem√≥ria do foli√£o. Sem uma carta na manga para resolver o problema, Martinho da Vila decidiu brincar com a situa√ß√£o e far√° um show para comemorar seu anivers√°rio de 77 anos ‚ÄĒ ‚Äúmuito bem vividos‚ÄĚ ‚ÄĒ, amanh√£, no Teatro Bradesco.

No repert√≥rio, todos os sambas que comp√īs para a sua Vila Isabel, entremeados com seus grandes sucessos fora do Carnaval. Entre os motivos citados pelo mestre para que os sambas das grandes escolas caiam no esquecimento n√£o est√° na qualidade do que √© composto.

E para reverter a ‚Äėinvisibilidade‚Äô dos sambas, ele n√£o est√° nem a√≠ para discursos politicamente corretos e disse ter pedido ao bicheiro Capit√£o Guimar√£es, o todo-poderoso da Vila Isabel, para voltar a promover os sambas-enredo nas emissoras de r√°dio.

O cantor e compositor Martinho da Vila faz show para comemorar seus 77 anos em que canta sambas que comp√īs para a escola Vila IsabelDivulga√ß√£o

‚ÄúFalei com ele, u√© (risos). N√£o adianta sair apenas mat√©ria em jornal elogiando o samba, porque jornal n√£o toca samba. Tem que tocar nas r√°dios‚ÄĚ, defendeu. ‚ÄúVencemos o Carnaval em 2013 com um samba que todos consideraram uma maravilha. Mas os sambas n√£o tocam mais nas r√°dios e na televis√£o. N√£o s√£o difundidos como antigamente. Para um samba tocar no r√°dio, hoje, √© preciso fazer um projeto de marketing mirabolante, n√£o apenas um bom samba. E se a m√ļsica n√£o toca em lugar nenhum, ningu√©m aprende‚ÄĚ, lamenta.

Martinho admite que há, também, sambas pasteurizados, que servem para qualquer escola, fogem do própósito original, de contar o enredo que será apresentado pela agremiação.

‚ÄúTem samba que exalta a escola, a comunidade, a bateria e esquece do enredo. A inten√ß√£o √© mexer com o brio do componente. N√£o √© o tipo de samba que eu gosto, mas ele funciona bem na quadra‚ÄĚ, avalia.

Um exemplo disso vem da própria Vila Isabel. Para Martinho, o samba da escola não é um primor de composição, mas já conquistou a comunidade e vai conquistar a Sapucaí.

‚Äú√Č um samba que funciona. Mas temos sambas bons este ano. O da Imperatriz √© √≥timo. O da Viradouro, espetacular. N√£o sei se serve para disputar concurso porque s√£o dois sambas do Luiz Carlos da Vila reeditados. Mas s√£o lindos. Se a Vila Isabel sai com um samba desse, te garanto que √© campe√£‚ÄĚ, brinca.

Cantor vai virar maestro

Titular absoluto no time dos grandes sambistas brasileiros, Martinho da Vila se prepara, aos 77 anos, para se tornar maestro. N√£o de m√ļsica erudita, mas do povo. Um maestro popular.

Assim vir√° Martinho no desfile da Vila Isabel, quarta escola a pisar no Samb√≥dromo no domingo de Carnaval. Ele ser√° o grande destaque no √ļltimo carro aleg√≥rico da escola, para fechar a apresenta√ß√£o com chave de ouro.

A Vila contar√° a hist√≥ria dos maestros brasileiros, na figura de Isaac Karabtchevsky, ex-diretor art√≠stico da Orquestra Sinf√īnica Brasileira (de 1969 a 1994) e atual regente da Osquestra Petrobras Sinf√īnica.

‚ÄúFiquei muito feliz. Minha fam√≠lia toda vir√° numa ala em homenagem ao Tom Jobim. Eu virei nesse √ļltimo carro, como maestro popular e com a batuta que foi usada pelo maestro Leonardo Bruno‚ÄĚ, conta Martinho da Vila.

Leonardo Bruno e Martinho s√£o parceiros desde 1988, ano em que a Vila conquistou o Carnaval com o enredo ‚ÄúKizomba ‚ÄĒ Festa da Ra√ßa‚ÄĚ. Foi ali que eles deram in√≠cio ao premiado projeto ‚ÄėConcerto Negro‚Äô, que mostrou a influ√™ncia da cultura negra na m√ļsica erudita. 

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