Orquestra Petrobras Sinfônica e Monobloco tocam juntos na Fundição

Mozart, Ravel, sambas, forró e marchinhas na Lapa

Por O Dia

Rio - Tem folião nos sons eruditos. O maestro Carlos Prazeres, que rege o encontro entre o Monobloco e a Orquestra Petrobras Sinfônica (Opes), sábado, na Fundição Progresso, é desses. E está ansioso para comandar — com o mestre de bateria do bloco, Celso Alvim — um repertório que une clássicos a sambas, marchinhas e forrós. 

Celso (E) e Pedro (D) com amigos da Opes%3A Fernando Pereira (de colar havaiano)%2C Gustavo Menezes (óculos azuis) e Felipe PrazeresAlfredo Alves / Divulgação


“Minha raiz é a música clássica, mas adoro Carnaval. Viajo o mundo inteiro e um evento como esse a gente só tem no Brasil. Tenho orgulho de ser da geração de Pedro Luís, que é do Monobloco, e Edu Krieger”, conta. Ele também dá plantão na terra onde a folia parece nunca acabar. “Sou maestro da Orquestra Sinfônica da Bahia, e lá eles vivem um momento especial da festa. O Rio recria isso em parte.”

Irmão de Carlos, o violinista Felipe Prazeres, também da Opes, já é menos fã de Carnaval. “Mas adoro o Monobloco, e nos adaptamos a qualquer manifestação musical. E tem muita música de concerto que dá para dançar, sabia?”, indaga, exemplificando. “Já fizemos o ‘Bolero’, de Ravel, com o Monobloco. Na Fundição, vamos fazer o ‘Batuque’, de Oscar Lorenzo Fernandez (1897-1948), um compositor carioca. Essa música tem muita percussão e é uma composição clássica.”

Em seu segundo ano, o encontro traz percussões e violinos atuando em temas como a ‘Pequena Serenata Noturna’, de Mozart, um pout-pourri do compositor de marchinhas Braguinha (1907-2006) — autor de ‘Touradas de Madri’ — forrós como ‘Isso Aqui Tá Bom Demais’ (Dominguinhos e Nando Cordel) e sucessos da MPB, como ‘Homem com H’ (do repertório de Ney Matogrosso). “Adoro clássicos, e já flertamos com isso. Tocamos ‘O Trenzinho do Caipira’, de Villa-Lobos”, conta Pedro Luís. “No concerto, vai muita gente que tem lá sua primeira oportunidade de assistir a uma orquestra.”

Carlos Prazeres espera a mesma alegria da apresentação do ano passado. “As pessoas entraram numa catarse! Ficou todo mundo fazendo vídeos com o celular. Achei que fôssemos levar tomate e ovo na cara. Sabe como é, né? Tocar música clássica no Carnaval...”, brinca. “Mas contribuímos de forma lúdica.”

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