Travestis e transexuais são escaladas para ação contra a Aids no Carnaval

Mais de 1,3 milhão de camisinhas serão distribuídas no Rio. Campanha 'Rio Sem Homofobia' orienta o cidadão sobre como agir em caso de preconceito

Por O Dia

Rio - Travestis e transexuais foram escaladas para distribuir 1,3 milhão de preservativos nos principais blocos, festas, praias e nos desfiles das escolas de samba no Sambódromo durante os dias de folia. A ação faz parte da campanha "A AIDS não tem cara e não tem cura - Use camisinha", realizada pela Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com a Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (CEDS), durante o Carnaval 2015.

A ação nas ruas do Rio engloba ainda a distribuição de folhetos informativos sobre prevenção de DST/AIDS, dengue e chikungunya, tarefa executada pelas ex-alunas do Projeto Damas, que insere travestis e transexuais no mercado formal de trabalho.

A campanha conta também com ação na Internet. Um vídeo que já se encotnra disponível no Youtube traz cidadãos de diferentes raças, gêneros, orientações sexuais e sorologias, que se autodeclaram como um indivíduo totalmente oposto a ele, enquanto seus rostos vão se transformando através do efeito visual usado no clipe ‘black and white’, do cantor Michael Jackson. Ao final, Lucinha Araújo, presidente da ONG Sociedade Viva Cazuza e mãe do cantor morto vítima da AIDS, aparece e anuncia o slogan: "A AIDS não tem cara e não tem cura. Use camisinha".

A escolha da mãe do eterno poeta não é acidental. 2015 marca os 25 anos da morte de Cazuza. De acordo com a CEDS, as campanhas de conscientização vêm enfrentando nos últimos anos grande dificuldade para se comunicar com os jovens, pois este grupo não vivenciou os primeiros anos da epidemia da AIDS no Brasil e nem foi impactado com as duras imagens que assustaram as gerações anteriores. De acordo com o Ministério da Saúde, há dez anos adolescentes entre os 13 e os 19 anos representam o grupo populacional mais infectado pelo vírus HIV.

De acordo com a Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (CEDS), estes jovens têm iniciado suas vidas sexuais numa época em que novos tratamentos aumentaram a qualidade de vida das pessoas que vivem com o HIV/AIDS. No entanto, esta nova realidade parece ter gerado uma interpretação equivocada sobre a gravidade da doença. Em apenas três anos, entre 2001 e 2014, foram notificados 13.965 casos na cidade do Rio de Janeiro.

Na capital fluminense, a maior taxa de incidência encontra-se entre pessoas com idades de 20 a 40 anos, sendo maior entre o público masculino. Segundo a CEDS, outra questão é que ainda é muito forte o estereótipo de “grupos de risco”: a ideia de que o HIV infecta apenas homossexuais e usuários de drogas injetáveis. A coordenadoria alerta que este conceito equivocado acabou colaborando para que na última década, por exemplo, ocorresse um fenômeno chamado de feminização da AIDS.

"Queremos conscientizar a população de que, na verdade, toda pessoa sexualmente ativa está sujeita a infecção pelo HIV ou outra DST em caso de sexo desprotegido. Basta uma vez! A prevenção é uma responsabilidade de cada um de nós", afirma o presidente da comissão DST/AIDS do conselho municipal de Saúde e coordenador especial da Diversidade Sexual, Carlos Tufvesson.

Neste ano, serão distribuídas durante o Carnaval 300 mil camisinhas a mais que no ano passadoSeverino Silva / Agência O Dia

Os foliões também podem encontrar preservativos e materiais informativos da campanha nos displays instalados nas unidades de saúde do município do Rio. O teste para detecção do HIV/AIDS, sífilis e hepatite pode ser feito nas Clínicas da Família da Prefeitura do Rio. A maioria das DSTs, quando adequadamente tratadas, pode ser curada e, quanto mais cedo for feito o diagnóstico, mais cedo começa o acompanhamento e o tratamento da pessoa infectada, interrompendo, assim, a cadeia de transmissão. O anonimato do resultado do teste é garantido.

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Rio Sem Preconceito

A campanha “Rio Carnaval Sem Preconceito” acontecerá entre a próxima sexta-feira e o sábado, 21 de fevereiro. Nos principais pontos de concentração de pessoas, serão espalhados 50 galhardetes com mensagens contra a homofobia e orientando o cidadão a como agir caso sofra qualquer forma de preconceito, além de ventarolas com informações sobre a Lei Municipal 2475/96; que pune estabelecimentos comerciais e repartições públicas por discriminação por sua orientação sexual ou identidade de gênero.

O Rio de Janeiro, que já foi eleito o melhor destino gay do mundo, também foi pioneiro no país na criação de lei que pune práticas discriminatórias contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBTs).

Com o carnaval, segundo maior evento do Brasil que ocorre no Rio de Janeiro, a CEDS, em parceria com a Secretaria Municipal de Turismo, RIOTUR, realizará pelo segundo ano consecutivo uma pesquisa qualitativa em festas e pontos de concentração LGBT com o intuito de traçar um perfil dos cidadãos, cidadãs e turistas deste segmento que lotam a cidade neste período. Muito além de uma ação voltada para apenas para a saúde, o mote este ano é se tornar uma campanha de Direitos Humanos. As equipes de distribuição estarão vestidas com camisas com mensagens contra diversas formas de discriminação.

“Precisamos em cada ação pública reforçar a mensagem pelos direitos humanos, pois os índices de crimes de ódio contra minorias vêm crescendo nos últimos anos”, afirma Carlos Tufvesson.

Denúncias de preconceito e discriminação em estabelecimentos comerciais devem ser enviadas para o e-mail cedsrio@gmail.com.


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