Coreógrafos de comissões de frente do Grupo Especial formam grande família

Maiss do que colegas de profissão, 10 dos 12 coreógrafos das escolas foram reunidos por O DIA

Por O Dia

Rio - Eles são os responsáveis por um dos quesitos mais importantes dentro do espetáculo das escolas de samba. Trabalham duro para conseguir um bom destaque na competição, mas, fora do Carnaval, os coreógrafos das comissões de frente são mais do que colegas de profissão. São amigos. Em alguns casos, podem ser considerados até membros da mesma família. O DIA reuniu 10 dos 12 coreógrafos das comissões do Grupo Especial e constatou que a rivalidade fica só na Avenida.

No Sambódromo, um torce pelo outro. “Fico rezando para não chover na apresentação do colega”, declarou Priscila Mota, que está à frente da comissão da Grande Rio ao lado do marido Rodrigo Neri. Hélio Bejani, responsável pela comissão de frente do Salgueiro, foi um dos dançarinos da formatura de Priscila na escola do Theatro Municipal, quando ela tinha 15 anos.

Coreógrafos das Comissões de Frente das escolas de samba do grupo especial do Carnaval cariocaAlexandre Brum / Agência O Dia

O coreógrafo da Vermelha e Branca também coleciona outras coincidências no mundo do samba. Jorge Teixeira, que faz dupla na Mocidade com Saulo Finelon, é padrinho de casamento de Hélio.

Além disso, uma turma de coreógrafos sempre se esbarra no Theatro Municipal. Priscila, Rodrigo, Saulo, Hélio, Marcelo Misailidis, da Beija-Flor e Sérgio Lobato, da Viradouro compõem o time de bailarinos da casa, liderado por Sérgio, que é diretor artístico do grupo. “No Municipal, ele é o chefe”, brincou Saulo.

Dentro da grande família, o coreógrafo mais experiente de Avenida, Fábio de Melo, que só de Imperatriz tem 18 anos, é conhecido e respeitado por ser o primeiro bailarino a acrescentar pitadas de espetáculo à comissão de frente.

Já Misailidis, da Beija-Flor, foi o pioneiro em lançar mão de efeitos especiais incorporados à dança. “O Fábio é uma referência. elogiou Marcelo, que neste Carnaval, ao lado da São Clemente, optou por não utilizar tripé na comissão. “O enredo pede simplicidade”, completou. 

O caçulinha das comissões desfila na União da Ilha

Estreante numa escola grande do Grupo Especial, o coreógrafo da União da Ilha, Patrick Carvalho é o caçula da turma. Com apenas 29 anos, o bailarino teve sua primeira experiência em comissão de frente como componente da equipe de Marcelo Misailidis, quando ele era da Vila Isabel.

À frente da Unidos da Tijuca, Alex Neoral entrou no mundo da dança graças a Sérgio Lobato, seu primeiro professor de balé. Hoje, Rodrigo Neri, da Grande Rio, é seu maior ídolo. “Tenho a Priscila e o Rodrigo como grandes amigos. Sempre trocamos ideias sobre nossos trabalhos, mas sem revelar segredos”, admitiu.

Entregar as surpresas das comissões de frente nem pensar. “Procuramos não falar muito das escolas até porque estamos em uma competição”, afirmou a coreógrafa da Portela, Ghislaine Cavalcante. “Depois que o desfile passa, aí sim: é só crítica construtiva”, completou Alex.

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